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23 março 2026

Influencers enganam seguidores com dicas milagrosas (e falsas) para doenças

Milhares de mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP) estão sendo atraídas por influenciadoras que prometem “curas milagrosas” para a condição, muitas vezes sem base científica ou certificação médica, conforme aponta um levantamento da BBC. Sophie, uma das mulheres entrevistadas, gastou milhares de dólares em planos e suplementos oferecidos por Kourtney Simmang no Instagram. “Saí do programa com uma relação pior com meu corpo e com a comida, [sentindo] que não tinha capacidade de melhorar minha SOP”, afirmou.

A prática de influenciadoras sem qualificação disseminando informações falsas é generalizada, especialmente em plataformas como TikTok e Instagram. Segundo a BBC, metade dos vídeos mais populares com a hashtag “SOP” analisados em quatro idiomas continha informações incorretas. Entre as promessas enganosas estão a ideia de que “a SOP pode ser curada com suplementos alimentares” ou “dietas específicas como a cetogênica”. No entanto, especialistas afirmam que essas afirmações não têm respaldo científico.

Muitas mulheres acabam enfrentando danos físicos e emocionais ao seguirem esses conselhos. Vaishnavi, da Índia, relatou que, ao adotar uma dieta de apenas 1.200 calorias recomendada por uma influenciadora, perdeu sua menstruação por seis meses e desenvolveu vergonha profunda. “Você acha que finalmente pode ser isso, mas acaba se sentindo sempre a exceção”, disse ela. Especialistas alertam que dietas extremas podem piorar os sintomas da SOP e levar a problemas mais graves, como distúrbios alimentares e resistência à insulina.

Outra entrevistada, Manisha, enfrentou efeitos ainda mais graves ao seguir recomendações de influenciadores. Após tentar dietas e suplementos sem supervisão médica, ela foi diagnosticada com diabetes tipo 2, condição que poderia ter sido evitada se tivesse iniciado um tratamento adequado com metformina. “As mulheres com SOP enfrentam sentimentos de desamparo devido à desinformação e à falta de acesso a cuidados médicos adequados”, afirmou Jen Gunter, ginecologista e educadora em saúde feminina, à BBC.

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