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Porto Velho
1 julho 2026

Rondonienses estão consumindo peixes com mercúrio acima do limite

Um estudo revelou que peixes de rios consumidos pela população de Rondônia possuem situações graves de contaminação por mercúrio, acima do limite recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o resultado do trabalho, 26% dos peixes analisados em Rondônia têm altos índices do metal tóxico e são superiores ao limite recomendado pelas regras sanitárias e de saúde.

Além disso, a análise de risco relacionada ao consumo de pescado revelou que a ingestão diária de mercúrio ultrapassa a dose recomendada, em uma escala de 6 a 27 vezes, segundo informa o G1.

A pesquisa foi feita pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Greenpeace, Iepé, Instituto Socioambiental e WWF-Brasil.

O estudo foi realizado em seis estados e 17 municípios (incluindo as capitais Belém, Boa Vista, Macapá, Manaus, Porto Velho e Rio Branco) e coletou amostragem de peixes que foram adquiridos em mercados públicos, feiras livres ou diretamente dos pescadores entre março de 2021 e setembro de 2022.

As situações mais graves por contaminação de mercúrio em peixes foram identificadas em rios de Roraima, Rondônia e Acre.

Abaixo, veja os níveis de contaminação por mercúrio nos estados na Amazônia:

 

Os pesquisadores apontam que os altos níveis de mercúrio detectados nos peixes da região estão diretamente relacionados com as atividades ilegais de mineração de ouro, que utilizam o metal na separação de sedimentos.

Além disso, a construção de barragens, hidrelétricas e a expansão do agronegócio que promovem acúmulo de mercúrio e das queimadas que emitem mercúrio para atmosfera também são fatores que contribuem para a contaminação amazônica.

Peixes com maiores contaminações

 

Em Rondônia, a pesquisa se concentrou em pescados vendidos para a população em Porto Velho. Foram 80 peixes (carnívoros e onívoros) coletados, e entre as espécies analisadas, as que tinham maiores níveis de contaminação são:

  • Dourado (média: 1,81 μg/g)
  • Filhote (média: 1,84 μg/g)
  • Babão (média: 2,87 μg/g)

 

Já os das espécies Acará, Bacu e Pirapitinga podem ser consumidas livremente, pois apresentaram níveis de mercúrio próximos de zero.

A Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO/WHO) e a Agência de Vigilância Sanitária brasileira estabelecem teor de 0,5 micrograma por grama de mercúrio recomendado para ingestão.

Consumo de peixe pela população

 

Durante a pesquisa também foram realizadas análises do impacto dessa contaminação na saúde humana, considerando quatro grupos: homens adultos, mulheres em idade fértil, crianças de 2 a 4 anos, e de 5 a 12 anos.

A análise de risco relacionada ao consumo de pescado revelou que a ingestão diária de mercúrio variou de 6 a 27 vezes acima da dose recomendada em todas as faixas etárias.

As mulheres em idade fértil consumiram cerca de oito vezes mais mercúrio do que os homens, enquanto as crianças de dois a quatro anos lideraram em termos de risco, consumiram 27 vezes mais mercúrio do que os adultos.

Segundo os pesquisadores, é necessário que o governo brasileiro desenvolva políticas públicas e programas voltados para a segurança alimentar das populações mais afetadas e que consomem diariamente o pescado, respeitando a soberania alimentar e o modo de vida de cada região.

Pescado em feira — Foto: Bacabeira Audiovisual/Divulgação

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