02/04/2020 às 10h33min - Atualizada em 02/04/2020 às 10h33min

Cerejeirense conquista título inédito na Copa do Mundo de Para Ski Cross Country

MÍDIA RONDÔNIA
O rondoniense Cristian Westemaier Ribeira, nasceu na cidade de Cerejeiras (RO), no Hospital Municipal São Lucas, em 13 de novembro de 2002. Cristian nasceu com artrogripose – doença congênita das articulações das extremidades e seus pais Adão Zabala Ribera e Solange Westemaier Ribeira se mudaram para a cidade de Jundiai, interior de São Paulo em busca de recursos médicos para o tratamento do filho, que não se prendeu as limitações de sua condição física e se tornou um grande campeão nas modalidades Paralímpicas que participa.  

Cristian Ribera tem apenas 17 anos e já acumula títulos inéditos e surpreendentes para o Brasil. O seu último marco é grande: a segunda colocação geral na Copa do Mundo de Para Ski Cross Country da temporada 2019/2020.

Para quem não sabe, a Copa do Mundo dos esportes de neve é o mais importante circuito anual de competições, o qual percorre diferentes cidades-sede ao longo da temporada, é a “Fórmula 1” da modalidade. Ao final do circuito, a organização computa o ranking geral e, dessa forma, são definidos os campeões da temporada.

Ou seja, não basta um pódio para estar lá em cima, é preciso manter consistência e um alto nível competitivo em toda a temporada de competições. E, desta vez, Cristian Ribera conseguiu e fez história para o Brasil.

A trajetória de Cristian Ribera na Copa do Mundo de Para Ski Cross Country 2020

Foram duas medalhas de prata na etapa de Finsterau e sete Top 5 entre oito possíveis nas provas que disputou. Com estes resultados, Ribera acumulou 395 pontos de Copa do Mundo e se consagrou como vice-líder do Circuito nesta temporada.

Atrás dele, com cinco pontos a menos e em terceiro, está o norte-americano Daniel Cnossen. Já o topo do pódio foi ocupado pelo russo Ivan Golubkov, que fez a temporada perfeita, com performance irrepreensível e 800 pontos no total.

Vale ressaltar que a Copa do Mundo de Para Ski Cross Country contou com 36 competidores na temporada e Cristian era o segundo mais novo entre os participantes. Além da pouca idade, o atleta também acumula poucos anos de contato com a modalidade e se prova, cada vez mais, um fenômeno no esporte.

Iniciado no Para Cross Country apenas em 2015, em um projeto de desenvolvimento da CBDN – Confederação Brasileira de Desportos na Neve em parceria com o PEAMA em Jundiaí-SP, o atleta tem pouquíssimo tempo de pista, se comparado à elite do esporte de inverno. Sua primeira competição oficial, por exemplo, foi em 2016, no Circuito Brasileiro de Rollerski.

Cristian Ribera: máquina de fazer história no paradesporto brasileiro

A conquista é histórica: de longe, se trata do melhor resultado brasileiro em esportes de inverno. Importante lembrar, não é a primeira vez que Cristian protagoniza recordes e resultados incríveis para o país.

Nos Jogos de Inverno de PyeongChang em 2018, por exemplo, Cristian Ribera, com apenas 15 anos, conquistou a sexta colocação geral e era o mais jovem dos participantes (570 atletas de 49 nações). O resultado não apenas foi um marco para o Brasil, como para o próprio Cristian – “minha melhor memória no esporte, até agora, foi quando voltei dos Jogos e vi minha família e meus amigos me esperando e me recebendo para comemorar o resultado”, relembra.

Não à toa, Cristian Ribera foi indicado 2 vezes ao prêmio Paralímpicos, organizado pelo CPB – Comitê Paralímpico do Brasil como forma de prestigiar os paratletas do país, e ganhou todas as vezes na categoria melhor atleta de neve das quais disputou.

Disciplina e vocação – A receita do sucesso de Cristian Ribera

Como forma de incentivar a prática esportiva e desenvolver o Para Ski Cross Country no Brasil, a CBDN organiza Núcleos de Desenvolvimento da modalidade em diferentes cidades do país, em parceria com instituições e clubes locais. Cristian surgiu de um deles, o Núcleo de Jundiaí.

Seu primeiro contato foi em 2015, com apenas 12 anos. “Os professores do PEAMA, onde eu já treinava, me falaram sobre essa vivência de esporte de inverno, logo me interessei. Fui ver como era e gostei muito. Já andava de skate e tinha um pouco de prática com lateralidade, daí eles escolheram alguns atletas que se destacaram e eu estava entre eles”, relembra.
 
De lá para cá, a evolução do atleta é notável nas pistas e estampada nos resultados, como esta segunda colocação geral da Copa do Mundo. Entretanto, Cristian mantém os pés no chão: “o esporte, pra mim, significa trabalho, tornou-se algo grandioso na minha vida. Acho que a maior diferença entre o Cristian do passado para o de hoje é a experiência e a vontade de vencer”.

Por trás dos títulos

Apesar da madura dedicação ao esporte, Cristian Ribera é um adolescente. Com apenas 17 anos, ele precisa conciliar seus treinos com aulas e hobbies. Além do Cross Country, ele também pratica atletismo.

“Minha rotina é bem agitada, treinos específicos, treinos físicos, aulas e cursos. Nas horas vagas, gosto bastante de jogar videogame e andar de skate”, conta.

O futuro é grande!

Entre aulas, treinos e temporadas na neve, Cristian não apenas traz medalhas para o Brasil, como também sonha em chegar ainda mais longe. Além da dedicação no Para Ski Cross Country, o atleta espera poder competir uma Paralímpiadas de Verão, pelo atletismo.

Questionado sobre seu futuro no esporte, ele não hesita: “minha maior meta é uma medalha paralímpica para o esporte de inverno brasileiro. Preferencialmente, que seja de ouro”. Disse Cristian. Com informações da CNDN.
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