09/11/2020 às 09h39min - Atualizada em 09/11/2020 às 09h39min

Novembro azul: prevenção é primordial no combate ao câncer de próstata

Correio Braziliense
O empresário João Coelho, 62 anos, vai anualmente ao urologista para checar a próstata desde os 50 anos. Em razão da pandemia do novo coronavírus, contudo, acabou deixando as consultas de lado. Mesmo apresentando anormalidades no exame de sangue que avalia a quantidade do antígeno prostático específico, o chamado PSA, João não fez o check-up de rotina. “Resultado, PSA dobrou, e o tumor ultrapassou a próstata, chegando na corrente sanguínea”, lamenta. Neste Novembro Azul, mês em que se evidencia a luta contra o câncer de próstata, João inicia o tratamento oncológico e alerta: “Prevenção é tudo”.

Atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, o tumor de próstata é o tipo mais comum entre os homens. Apesar de apresentar alta chance de cura, pela detecção precoce, é a segunda maior causa de morte em pessoas do sexo masculino. Em 2018, a doença tirou a vida de 15,5 mil brasileiros e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata deve ser detectado, em 2020, em cerca de 66 mil. Se a procura aos médicos já é uma barreira que precisa ser desconstruída, na pandemia, a ausência de tratamento é ainda maior, o que pode transformar em casos mais complicados e que, na maioria das vezes, exigiria um tratamento menos invasivo.

Segundo o urologista Thiago Castro, do Hospital Anchieta de Brasília, o isolamento social fez com que muitas pessoas deixassem de fazer o exame preventivo, o que contribuiu para o aumento dos diagnósticos em fases mais avançadas da doença. “Por causa do medo de pegar covid-19, muitos pacientes deixaram de ir ao urologista e fazer o rastreamento”, pontua. “Além disso, muitos homens se recusaram a fazer o tratamento para a doença, por medo da cirurgia e/ou internação, o que também levou ao aumento do número de pacientes com câncer de próstata mais avançado”, acrescenta.

João Coelho está no grupo daqueles que tiveram a doença agravada pela falta de diagnóstico. Com histórico de câncer na família, ele costuma se preocupar com a saúde para continuar vivendo com qualidade e curtindo os netos. “Dessa vez, vacilei. Acreditei que, por praticar esportes, estaria imune. Um médico amigo fez o alerta, mas, devido à pandemia, eu não fiz o acompanhamento. Quando o tumor da próstata atinge partes ósseas, isso complica a situação”, reconhece. “O recado é: não deixe para depois o que pode ser feito agora. As consequências podem ser terríveis, para a pessoa e, principalmente, para a família”, alerta.

Cuidados

O câncer de próstata é considerado uma doença da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, mesma faixa etária pertencente ao grupo de risco da covid-19, fator que dificulta ainda mais a procura pelos exames de rotina. “Principalmente quando a clínica fica em hospitais, locais em que há internação”, conta o urologista Thiago Castro. Ainda assim, ele alerta que as avaliações estão no rol de atividades essenciais e que devem ser priorizadas e realizadas com as devidas medidas de prevenção contra o vírus, como higiene das mãos, uso de máscara e respeito do distanciamento social


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