03/07/2018 às 22h30min - Atualizada em 03/07/2018 às 22h30min

Com salários parcelados e atrasados, servidores já vivem o caos financeiro no Brasil

Solange Dornelles é professora há 18 anos na rede estadual. Solange, também, está trabalhando há mais de dois anos e meio recebendo seu salário em parcelas que descreve como “minguadas”. No total, já são 31 meses de parcelamento. Se, no primeiro ano do governo Sartori, a hipótese de parcelamento parecia uma medida extrema e provisória, hoje virou costume. “É absurdo termos que cobrar pelo pagamento do nosso salário. O governador, mais uma vez, desconsiderou toda a crise financeira que ele mesmo impôs aos servidores. É descaso”, afirma Solange. Marlí Cambraia atuou como professora no Estado durante 42 anos. Hoje aposentada, dá aulas particulares para se manter. “O Sartori gasta com propaganda. Claramente não é uma questão de dinheiro, é uma questão de plano de governo.” Marlí tira da bolsa um sino de metal. “Tem que chamar a atenção do nosso governador.”
“Da forma como está disposta a constituição acionária, o Banrisul não pode mais ser chamado de banco público”, explica Carlos Augusto Rocha Foto: Guilherme Santos/Sul21
Solange e Marlí se somaram a outras centenas de servidores que protestaram contra o desmonte do funcionalismo público nesta terça-feira (03). Em ato público convocado pelo Movimento Unificado dos Servidores Estaduais (MUS), trabalhadores das áreas da educação e saúde, além de policiais civis e servidores de outras empresas estatais, se reuniram na Praça da Alfândega. Com concentração em frente à sede do Banrisul, a manifestação coincidiu com a recente divulgação do inquérito instaurado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul para investigar irregularidades nas vendas de ações do banco estatal. “O que foi feito é algo monstruoso contra a sociedade gaúcha. Entregaram, de mão beijada, para o capital privado as ações que há mais de 80 anos pertencem aos cidadãos. O Ministério Público demonstra que os nossos argumentos têm fundamento. Afinal, da forma como está disposta a constituição acionária, o Banrisul não pode mais ser chamado de banco público”, explica Carlos Augusto Rocha, diretor da Fetrafi-RS (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras/RS). Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm (Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Policia do Rio Grande do Sul) considera que o governo Sartori “não é nada santo”, e exige investigações mais aprofundadas sobre as vendas de patrimônio público. “Essa venda leva à falta de segurança, de educação, de saúde… Nós, da segurança pública, questionamos muito as ações policiais. Ao invés de dar segurança para a população, essas operações têm servido para dar mídia a esse governo.” Ele é decisivo ao dizer que Estado mínimo, na segurança pública “é morte na certa”.
Para Isaac Ortiz “ao invés de dar segurança para a população, as operações [policiais] têm servido para dar mídia a esse governo”. Foto: Guilherme Santos/Sul21
O ato seguiu em caminhada até o Palácio Piratini. Em cima do caminhão de som, a presidente do CPERS Sindicato (Centro dos Professores do Rio Grande do Sul), Helenir Aguiar Schürer, enfatizou o principal pedido da classe no último ano. Os professores reivindicam a recomposição salarial de 23,29%, referente à inflação acumulada desde o início do governo Sartori e não repassada. Seus salários estão congelados desde 2014. “O reajuste é o mínimo. Mas se fosse fácil, a gente já estava lá dentro”, disse, apontando para o Piratini. Para Helenir, a mudança, de fato, se dará nas próximas eleições. “Dá uma trsiteza quando ouvimos que alguém não gosta de política. Quem não gosta de política é responsável pelos nossos 31 meses de atraso. Quem não gosta de política não fiscaliza.” Assim, ela clama pela conscientização da classe para que não se elejam candidatos com planos de governo semelhantes ao atual. “Um é o pai da terceirização, outro não gosta muito de gays, indíos e negros […] Nós, como sindicato, não podemos dizer em quem votar. Mas podemos mostrar em quem não votar.” Após falas em frente ao Piratini, os servidores ocuparam as galerias do Plenário da Assembleia Legislativa. Ali, cobraram o pagamento integral de seus salários da base aliada do governo Sartori. “Base aliada preste atenção, paga salário ou não tem reeleição”, cantaram. Sul 21
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