30/08/2021 às 10h27min - Atualizada em 30/08/2021 às 10h27min

No Brasil, consumidor de energia paga até por “gatos”

( Veja) - O custo da energia elétrica mais que dobrou nos últimos 20 meses, consequência de uma crise hídrica sem precedentes nos últimos 90 anos. Porém, um pedaço da conta de luz não tem nada a ver com a crise. É roubo mesmo.

Os consumidores brasileiros estão pagando R$ 6,6 bilhões por ano, o equivalente a 1,2 bilhão de dólares, pela energia roubada nas redes de 109 empresas distribuidoras — calcula a consultoria Strategy, do grupo PwC, com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica.
 

Esse “gato” bilionário tem origem em ligações clandestinas para desvio direto da rede e em fraudes nos medidores de consumo. E está crescendo.

Em 2017 correspondia a 14,5% do total energia (baixa tensão) injetada nas redes de distribuição. Aumentou para 16,1% no ano passado.

A maior parte do roubo está concentrada no estados do Rio, Amazonas, Pará, Amapá e Alagoas.
 

Pobreza e inadimplência são responsáveis por apenas um terço do volume de desvios, de acordo com os dados da Aneel sobre desigualdade social e inadimplência nas áreas mais críticas em todo o país.

Significa que mais de 75% do volume de perdas reais (“não técnicas”, no jargão setorial) registradas no mercado de energia de baixa tensão têm origem no roubo de energia.

Há uma notória tolerância do poder público. Em alguns Estados existem até incentivos indiretos, como a concessão de “isenções” temporárias em períodos pré-eleitorais. 

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