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14 maio 2026
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Aprendizagem em português e matemática piora em meio à pandemia, aponta Inep

Agência Brasil – Em meio a pandemia, com escolas fechadas e ensino remoto, o Brasil registrou piora no aprendizado de estudantes em todos os níveis avaliados. A etapa que sofreu o maior impacto foi a da alfabetização, medida no 2º ano do ensino fundamental. Os resultados são do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2021 e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2021, divulgados hoje (16) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Em coletiva de imprensa o Inep ressaltou que a divulgação é atípica, por conta da pandemia, e que é preciso ter cuidado ao comparar os resultados, tanto com os resultados obtidos em anos anteriores quanto entre escolas, municípios e estados.

Aplicado a cada dois anos, desde 1990, o Saeb é a principal avaliação nacional de aprendizagem. Nele, estudantes do 2º, do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio resolvem questões de língua portuguesa e matemática. Alguns estudantes do 9º ano respondem ainda a questões de ciências humanas e ciências da natureza. Ao todo, 5,3 milhões de estudantes foram avaliados em 2021.

“A realização dessa edição de 2021 foi um grande desafio com muito trabalho e esforço conjunto de União, estados e municípios. A aplicação foi exitosa”, avalia o ministro da Educação, Victor Godoy, que destaca que avaliação foi feita entre 8 de novembro e 10 de dezembro do ano passado, quando nem todas as escolas haviam retomado o ensino presencial.

Resultados

Os resultados mostram que houve piora em todas as etapas de ensino. A maior queda ocorreu na etapa da alfabetização. A pontuação obtida pelos alunos do 2º ano do ensino fundamental em língua portuguesa passou de 750 pontos em 2019, em média, para 725,5. As pontuações são distribuídas em 8 níveis, de acordo com os conteúdos aprendidos. A queda de 24,5 pontos entre um ano e outro significa que a média brasileira caiu em um nível.

A porcentagem dos estudantes do 2º ano nos três primeiros níveis, ou seja, que não conseguem sequer ler palavras isoladas, passou de 15,5% em 2019 para 33,8%, em 2021. Na outra ponta, a porcentagem daqueles no nível 8, o mais alto, caiu de 5% para 3%.

Em matemática, a porcentagem dos estudantes nos três primeiros níveis passou de 15,9% em 2019 para 22,4% em 2021. Esses estudantes não são capazes de resolver problemas de adição ou subtração. A média nacional caiu de 750 pontos para 741 pontos. Uma queda de 9 pontos. Nesta etapa as provas são aplicadas de forma amostral, a apenas um grupo de estudantes de escolas públicas e particulares.

“Não foge do esperado, acho que era uma expectativa, a gente sabe que para essa faixa etária nessa especificidade da alfabetização, essa mediação presencial é especialmente importante”, diz, a coordenadora-geral do Saeb, Clara Machado, que apresentou os resultados. “[O resultado] permite entender o que aconteceu nesse período de pandemia e planejar a melhor intervenção na alfabetização, que é ponto de atenção”, acrescenta.

Quedas na aprendizagem

Nos demais anos, a avaliação é feita de forma censitária, com a aplicação a todos os alunos presentes. No 5º ano do ensino fundamental, o aprendizado dos estudantes tanto em língua portuguesa quanto em matemática retornou ao patamar de 2015. Em língua portuguesa, a média nacional foi de 208 pontos, mesma pontuação de 2015 e uma queda de 7 pontos em relação aos 215 obtidos em 2019. Em matemática, a pontuação média foi 217, uma queda de 11 pontos em relação a 2019, com 228 pontos; e dois pontos abaixo de 2015, quando a média foi 2019.

No 9º ano, quatro a cada dez alunos estão nos três primeiros níveis de aprendizagem em língua portuguesa, essa porcentagem passou de 40,8% em 2019 para 42,4% em 2021. Cerca de 15% dos alunos estão abaixo do nível 1, com habilidades mais básicas do que o sistema consegue aferir. A média de proficiência se manteve praticamente estável, passando de 260 em 2019 para 258 em 2021.

Em matemática no 9º ano, o país tinha registrado uma melhora, passando de uma média de 258 pontos em 2017 para 263 pontos em 2019. Agora, o país volta ao patamar de 2015, com uma média de 256 pontos e com 44,4% dos estudantes nos três níveis mais baixos de proficiência.

No 9º ano foi aplicada pela segunda vez, de forma amostral avaliações de ciências no 9º ano. Mais da metade dos estudantes está nos três primeiros níveis de proficiência. Essa avaliação foi aplicada pela primeira vez em 2019, quando foi registrada a pontuação média de 250 pontos em ciências humanas e em ciências da natureza. Em 2021, a média cai para 244,6 pontos em ciências humanas e para 247,4 em ciências da natureza.

No ensino médio, no último ano escolar, a média da proficiência passou de 278 pontos em língua portuguesa em 2019 para 275 pontos em 2021. A pontuação coloca o Brasil no nível 3 de aprendizagem, em uma escala que vai até o nível 8. Isso significa que os alunos, em geral, não sabem, por exemplo, identificar a finalidade e a informação principal em notícias – habilidade do nível 4 de proficiência.

Em matemática, a média de pontuação no ensino médio passou de 277 para 270 entre 2019 e 2020, o que posiciona o país no nível 2 de 10 níveis.

Pandemia

A pandemia levou ao fechamento de escolas em todo o país. A maior parte das escolas, 92%, adotou de mediação remota ou híbrida e 72,3% das escolas recorreram a reorganização curricular com priorização de habilidades ou conteúdos. Ou seja, os estudantes do país, mesmo cursando o mesmo ano escolar, não aprenderam necessariamente os mesmos conteúdos e, por isso, não é possível saber se tinham ou não aprendido o que foi cobrado no momento da avaliação.

Para a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães de Castro, os resultados são importantes para medir o impacto da pandemia na educação, mas precisam ser bem contextualizados. “Eu entendo que realização do Saeb no final do ano passado foi importante no sentido de produzir subsídios para estados e municípios, que são os atores mais diretamente afetados, no entanto, eu me reservo o direito de dizer que eu considero o Saeb 2021 um Saeb importante para nós vermos os danos da pandemia e para podermos enfrentar esses desafios. Eu entendo que a comparabilidade dos resultados não deve ser feita esse ano”, diz.

Ela destaca duas medidas recomendadas pelo CNE que podem ter impactado nos resultados. Uma delas é que as escolas reorganizassem os currículos, definindo prioridades e considerando que o ano de 2020 poderia ser também trabalhado em 2021. A outra é a recomendação da aprovação automática, para evitar que os estudantes ficassem ainda mais desmotivados.

“Consideramos que [os resultados] não devem ser ranqueados, não devem ser comparados, devem ser instrumentos que apontam uma foto com todas as distorções”, diz o presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Martins Garcia, que representa as escolas municipais, responsáveis pela maior parte das matrículas na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental público.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Vitor de Angelo, também fez ponderações em relação aos resultados. Ele representa os estados, responsáveis pelas matrículas no ensino médio e anos finais do ensino fundamental públicos. “Isso aqui é o retrovisor, estamos olhando para o passado. Mas, como evidência produzida para tomada de decisão, aponta para o futuro e esse futuro precisa ser visto com muita clareza.”

Qualidade do ensino

O MEC e o Inep divulgaram também hoje os resultados do Ideb, que é o principal indicador de qualidade das escolas do Brasil. O indicador considera os resultados do Saeb e o fluxo escolar, a aprovação ou reprovação e o abandono escolar. O Ideb segue uma escala de 0 a 10. O país fixou metas para serem cumpridas a cada etapa de ensino até este ano, o ano do bicentenário da Independência do Brasil. O Ideb 2021 é, portanto, o último com metas fixadas.

Os resultados mostram que o país, em um contexto de pandemia, não cumpriu nenhuma das metas. Para os anos iniciais do ensino fundamental, até o 5º ano, o Ideb 2021 foi 5,8, a meta era 6. Nos anos finais, o Ideb foi 5,1 e a meta era 5,5. No ensino médio, o Ideb foi 4,2 e a meta era 5,2. “A pandemia trouxe alteração expressiva”, diz o presidente do Inep, Carlos Moreno. A aprovação automática fez com que o indicador de fluxo não refletisse a realidade da qualidade do ensino no país. Segundo ele, agora será necessário construir um novo plano de metas para o Brasil.

Campanha de Bolsonaro usou fundo eleitoral para financiar site de fake news e agressão contra Lula

A Magic Beans Comunicação, que tem como sócio Lucas Allex Pedro dos Santos, 27, responsável pelo site Lulaflix, deve ganhar R$ 7 milhões da campanha de Jair Bolsonaro e de seu partido, o PL. O Lulaflix tem conteúdo negativo sobre o candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa prática que desrespeita a legislação eleitoral. A empresa tem endereço no bairro da Água Branca, em São Paulo, de acordo com informações publicadas nesta sexta-feira (16) pelo jornal Folha de S.Paulo.

A chapa de Bolsonaro contratou a Magic por R$ 4 milhões. O nome dela aparecia nas contas do PL desde a pré-campanha, segundo informações disponibilizadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PL fez três pagamentos entre os dias 10 junho e 21 de julho, num total de R$ 3,1 milhões, pagos com dinheiro do fundo partidário.

O Lulaflix foi criado no dia 30 do mês passado e o domínio está registrado no CNPJ da campanha bolsonarista, mas essas informações não foram repassadas ao TSE.

Governo Bolsonaro não reajusta valor da merenda escolar e crianças são obrigadas a dividir até ovo nas escolas

Com as verbas federais destinadas à merenda escolar congeladas há cinco anos, crianças estão recebendo carimbos para não repetir o prato, dividindo um ovo para até quatro pessoas, além de sofrer com a falta de itens básicos, como carne e arroz.

O último reajuste, aprovado pelo Congresso em agosto deste ano, foi vetado pelo governo Jair Bolsonaro (PL) sob a alegação de que isso poderia estourar o teto de gastos e afetar outros programas sociais. O Projeto de Lei Orçamentária enviado ao Congresso também não prevê reajuste para o exercício de 2023.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, os gestores municipais alegam que a  defasagem do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), de responsabilidade do governo federal, tem elevado os custos municipais, uma vez que a inflação da cesta básica, que inclui feijão e verduras,registrou alta de 26,75% entre maio de 2021 e maio deste ano.

O Pnae atende 41 milhões de estudantes e o valor é repassado diretamente para Estados e municípios. O valor diário é de R$ 1,07 para as creches, R$ 0,53 para a pré-escola e de R$ 0,36 para o ensino fundamental e médio. O Ministério da Educação  disse, em nota, que o programa alcança todos os alunos matriculados na rede pública e que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) não possui autonomia para elevar os valores per capita que são repassados.

Segundo dados da Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos, passando de 9,4% em 2020 para 18,1% em 2022. Um estudo da Rede Penssan, divulgado na quinta-feira (15), aponta que 37,8% dos lares com crianças de até 10 anos sofrem com a fome ou redução da quantidade e da qualidade dos alimentos.

Trabalhadores em educação e alunos da escola 4 de Janeiro denunciam falta de ar condicionado nas salas de aula

Os trabalhadores em educação em conjunto com os estudantes da E.E.E.F.M 4 de Janeiro procuraram o Sintero e solicitaram intervenção imediata para resolver o problema estrutural da escola que tem gerado transtornos à comunidade escolar em razão da falta de ar condicionado nas salas de aula, sala dos professores, biblioteca, depósito de merenda, secretaria e refeitório.

De acordo com as denúncias, a situação é precária, visto que, por diversas vezes, foi necessário interromper as aulas devido às altas temperaturas. Foi então que no dia 12 de setembro, as atividades foram paralisadas por tempo indeterminado até que a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) tome as providências cabíveis.

O Sintero destaca que esta condição é inaceitável, visto que garantir a ventilação dos espaços escolares é assegurar o mínimo de dignidade e conforto para toda comunidade. Além disso, todos os trâmites administrativos foram feitos pela direção da escola, inclusive via SEI, e até o momento não houve manifestações por parte da Seduc, o que mostra descaso por parte do Governo do Estado.

Através do ofício nº 324/2022, o Sintero formalizou a denúncia e reivindicou que medidas em caráter de urgência sejam tomadas para resolver o problema. Também foi solicitado uma audiência para que seja discutido sobre o assunto.

VEJA O OFÍCIO ABAIXO:

https://sintero.org.br/downloads/oficio-324-seduc-escola-4-de-janeiro.pdf

Casal é preso por transportar 45 quilos de cocaína em carreta cegonha

Em Porto Velho, a Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (16), a Operação Fast Tracking, visando prender preventivamente um casal que enviou mais de 45 quilos de pasta base de cocaína, por meio de transporte de uma carreta cegonha. Mandado de busca e apreensão também foi cumprido.

No início do mês de setembro, a Polícia Rodoviária Federal abordou uma carreta cegonha, com destino ao Nordeste, entre os veículos transportados, um carro ocultava no seu interior a cocaína.

Assim, foram iniciadas as investigações pela Delegacia de Polícia Federal em Ji-Paraná para apurar quem seria o responsável pelo envio da droga.

Após diversas diligências de campo, a Polícia Federal identificou os responsáveis pela remessa da cocaína de forma velada do Norte ao Nordeste, que era um casal que mora em Porto Velho.

Foi então representado pelas buscas e apreensões e prisões preventivas que foram deferidas e cumpridas nesta sexta-feira.

O casal preso preventivamente foi encaminhado para o presídio da capital e permanece à disposição da Justiça. A dupla vai responder por tráfico de drogas.

Se a pesquisa do Real Time Big Data ao governo de Rondônia estiver certa, têm eleitores de Lula votando em bolsonaristas

Itamar Ferreira – A polarização do debate político e, naturalmente de seu sucedâneo natural o voto, é o dado mais comum da conjuntura brasileira, debatido até em botequins, quando não pela via de fatos, infelizmente.

Ora, em Rondônia esta também é a realidade política mais evidente, com a diferença de que as terras de Rondon é um dos poucos estados em que Bolsonaro está na frente de Lula, por uma grande diferença, de 54% a 27% das intenções de votos, totalizando uma esmagadora maioria de 81% dos eleitores, segundo pesquisa IPEC (Globo) publicada há duas semanas.

 

Todavia, nesta quinta-feira (15) o instituto de pesquisa Real Time Big Data publicou uma sondagem de votos para governador de Rondônia que contraria qualquer lógica mais elementar, pois de um lado há três candidatos que seriam ligados ao Bolsonaro (Marcos Rocha 38%, Marcos Rogério 22% e Léo Moraes10%) que juntos somam 70% de votos pelo Real Time, contra os 54% do atual presidente na pesquisa IPEC, uma diferença de 16%.

De outro, dos 27% de intenções de votos em Lula (segundo o IPEC), meros 3%, segundo o Real Time, estariam com Daniel Pereira, candidato notoriamente apoiado pelo ex-presidente petista. Uma colossal diferença de 24%, que não condiz com a fama de Lula de que “elegeria até poste”, que fosse apoiado por ele.

Parece elementar, como diria o famoso detetive inglês Sherlock Holmes ao seu fiel escudeiro Dr. Whatson, que uma parte significativa desses 24% dos votos de Lula, estaria indo para Marcos Rocha & Cia Bolsonariasta, algo inusitado e nada crível.

É “pule de dez” (como se diz nas corridas de cavalos) que esta pesquisa será o maior mico destas eleições, tanto em apontar que o candidato de centro-esquerda, Daniel Pereira, tem apenas 3%, quanto Marcos Rogério ter 22%.

A grosso modo, e pelas avaliações que se ouve nos bastidores, tanto Daniel quanto Rogério estariam próximos da pontuação de Léo Moraes, em torno de 10% a 13%, deixando a disputa pela segunda vaga no segundo turno em aberta.

Mas quem seria esse intrépido instituto Real Time Big Data?  

Pelas informações disponíveis, ele seria ligado ao líder religioso Edir Macedo, da Universal, parta quem um certo candidato (senador) ao governo de Rondônia é notoriamente o queridinho.

* Itamar Ferreira, é advogado. 

Servidora pública é presa após tentar matar namorada a facadas

Uma funcionária pública municipal de 30 anos foi presa por volta das 23h45 da noite de quarta-feira (14) após tentar matar a namorada de 34 anos a facadas em uma vila de apartamentos no bairro Costa e Silva, zona Norte de Porto Velho (RO).

Conforme as informações da ocorrência, a vítima estaria dormindo na hora em que a namorada invadiu o quarto com uma faca na mão e começou a esfaqueá-la.

A acusada dizia que a vítima estava a traindo e furiosa cometeu o crime.

Vizinhos ouviram a gritaria e acionaram a Polícia Militar. A vítima foi encontrada na frente do apartamento com cortes nos braços e rosto.

Os policiais tiveram que arrombar a porta do apartamento para efetuar a prisão da servidora pública que foi levada ao Departamento de Flagrantes.

A vítima foi socorrida para a policlínica Ana Adelaide em uma ambulância do Samu. Rondoniaovivo

Universal proíbe fiéis de se informarem até eleição

Na reta final da campanha eleitoral, a Igreja aliada a Bolsonaro proíbe seus fiéis de se informarem, afinal o noticiário não anda bom para o “mito”

Pesquisadores estão sendo hostilizados nas ruas

O Globo  – Pesquisadores de institutos que fazem sondagens de opinião pública têm enfrentado episódios de hostilidade e até agressões durante o período eleitoral. Há notícias de casos de violência ou intimidação contra funcionários do Datafolha, do Ipec e da Quaest, os três principais institutos que fazem pesquisas presenciais. Também contra estudantes que integram o “Monitor do debate político”, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.

Equipes do Ipec têm relatado dificuldades para acessar áreas controladas por grupos paramilitares no Rio de Janeiro. Uma das pesquisadoras do instituto, fundado por ex-executivos do Ibope, foi perseguida por um homem que tentou arrancar seu crachá durante um estudo na capital fluminense. A funcionária registrou boletim de ocorrência.

Em São Paulo, um aluno da USP que entrevistaria apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) durante manifestação no feriado de 7 de Setembro sofreu agressão. O coordenador do grupo de pesquisas, Márcio Moretto, conta que o estudante desistiu de participar do estudo por causa do episódio:

— Logo a primeira pessoa que esse aluno foi entrevistar já ficou questionando por que ele não estava de verde e amarelo. Ele disse que vestia roupas pretas porque estava trabalhando. Mas então essa pessoa começou a filmar e a instigar outros apoiadores contra o aluno. Chegou a empurrá-lo e a tentar amarrar uma bandeira do Brasil em torno do pescoço desse estudante.

O “Monitor do debate político” acompanha manifestações desde 2015. Os integrantes do grupo passaram a usar um broche com a bandeira do Brasil em atos que reúnem apoiadores de Bolsonaro depois de terem vivenciado episódios de hostilidade em maio de 2019. O adereço não foi suficiente para evitar o caso de agressão na Avenida Paulista.

O presidente Bolsonaro, candidato à reeleição pelo PL, já criticou institutos de pesquisa e contestou a legitimidade dos levantamentos em diversas ocasiões. Essa desconfiança ecoa em grupos de apoiadores do presidente nas redes sociais e aplicativos de mensagens, onde são comuns publicações que exaltam atos hostis contra pesquisadores.

— Vários alunos relataram casos de hostilidade no 7 de Setembro, o que não é comum. A gente está acostumado a ver pessoas se negarem a responder, mas não com esse tipo de atitude, chamando os pesquisadores de “esquerdistas” ou tentando intimidar — diz Moretto.

Pesquisadores do Datafolha já sofreram intimidações em oito estados, segundo reportou o jornal “Folha de S.Paulo”. Os casos foram registrados em São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Maranhão, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Entre os funcionários contratados pela Quaest, os relatos de ameaças e agressões são mais comuns entre as mulheres. Uma entrevistadora foi abordada em Santa Catarina por um homem que insistia para ser ouvido, o que não é aceito pelos critérios adotados pelo instituto. O homem ameaçou seguir a pesquisadora que, por medo, não continuou a trabalhar naquele dia.

Outra funcionária da Quaest foi alvo de xingamentos durante uma entrevista realizada no interior do Mato Grosso para a pesquisa mais recente do instituto, divulgada nesta quarta-feira. Ela também encerrou o expediente naquele momento.

Recenseadores contratados pelo IBGE para refazer o Censo Demográfico também têm reportado violência durante os trabalhos em campo. Ao menos 6.550 funcionários desistiram de participar da pesquisa até o fim do mês passado, de acordo com o instituto.

A defensora pública Fernanda Balera foi quem deu suporte ao pesquisador da USP vítima de violência na Avenida Paulista. Ela recomenda o registro de boletim de ocorrência nesses casos.

— Havia um temor muito grande no 7 de Setembro devido ao clima de polarização. A gente pede para que a pessoa vítima de violência registre o boletim de ocorrência ou procure a Defensoria Pública, que irá encaminhar a denúncia para os órgãos responsáveis. Se possível, a gente orienta a pessoa a gravar o agressor, seja por vídeo ou por áudio, para que seja possível fazer a responsabilização — diz Balera, que integra o Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Procurada pela reportagem, a Associação Brasileira das Empresas de Pesquisas (Abep) informou que está atenta à escalada de casos de atos hostis contra pesquisadores e que divulgará uma nota oficial a respeito do assunto em breve.

 

Fome: Vinicius Miguel critica desmonte de políticas de segurança alimentar

Para Vinicius Miguel, o atual cenário do Brasil é fruto do desmonte que a política nacional de segurança alimentar sofreu nos últimos anos.

Carolina Mello – O candidato a Deputado Federal Vinicius Miguel (PSB) demonstrou muita preocupação após ser informado do resultado da segundo etapa do Vigisan (Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia de COVID-19 no Brasil), levantamento realizado pela Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) que foi divulgado por toda imprensa nacional no último 14 de setembro.

De acordo com a pesquisa, a fome é o principal problema dos lares em que moram crianças com menos de dez anos e que, a cada dez famílias brasileiras, três não conseguem comprar toda a comida que necessitam.

“A primeira fase desse levantamento revelou, em junho, que 33 milhões de brasileiros não têm o que comer. Agora, a segunda fase apresenta índices ainda mais tristes sobre a atual realidade do nosso país, que havia saído do Mapa da Fome em 2014”, comentou o candidato.

Para Vinicius Miguel, o atual cenário do Brasil é fruto do desmonte que a política nacional de segurança alimentar sofreu nos últimos anos.

“Em um passado não muito distante existia uma política nacional que garantia a segurança alimentar do povo brasileiro. Essa política precisa ser retomada se quisermos combater a fome com a eficácia que a realidade pede neste triste momento da história do Brasil”, enfatizou.

Criado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o conceito de segurança alimentar se refere a quando uma família tem acesso regular e permanente a alimentos em quantidade e qualidade suficientes, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.

A segurança alimentar é dividida em três níveis: Leve, que é quando uma família convive diariamente com incerteza sobre a capacidade de conseguir alimentos; Moderado, quando a qualidade e a variedade dos alimentos foram comprometidas e determinadas refeições não são realizadas; e Grave, quando não são consumidos alimentos em um dia inteiro ou mais.

Segundo o estudo, a segurança alimentar leve atinge 28% da população brasileira, enquanto o nível moderado afeta 15,2% e o grave 15,5%, contra 41,3% dos brasileiros que possuem segurança alimentar garantida.

SOBRE VINICIUS MIGUEL – Advogado e professor da Universidade Federal de Rondônia, Vinicius Miguel é especializado em Administração Pública, mestre em Política Internacional e doutor em Ciências Políticas. Em 2018, disputou o governo de Rondônia e conquistou 110.585 votos em todo o estado. Em 2020, concorreu para a prefeitura de Porto Velho e obteve 29.369 votos. Este ano está candidato a Deputado Federal pelo PSB.