Fraude
Um rapaz que se inscreveu para fazer o Enem mandou mensagens para a namorada às 15h26 do dia 5 de novembro de 2023, momento em que supostamente deveria estar concentrado na prova, e incomunicável. No domingo seguinte, dia 12 de novembro, o segundo dia do Enem 2023, ele mandou outras mensagens para a mesma pessoa, também no horário do Exame.
Para a polícia, ele não estava na sala de provas, e por isso, não fez o Enem. Duas denúncias anônimas foram feitas e a perícia analisou as assinaturas e caligrafia. Foi atestado que não foi Moisés quem escreveu a redação, e sim André.
Depois do fim das provas, André fez um post escrevendo cinco estrelas e completou: “tava easy [fácil, em inglês] demais”. Segundo a PF, os asteriscos significam “Enem”.
Segundo o Fantástico, Moisés relatou a um amigo sobre o que ele e André fizeram com a identidade falsa. “A gente pegou e rasgou no meio. A gente não tem foto. Ninguém tirou foto. Tá ligado? Eu não tirei foto dessa identidade. Eu fazendo a matrícula pode esquecer. Não vou ligar para os comentários, não”.
Histórico fraudulento
André atualmente está no quinto ano de Medicina na UEPA. De acordo com a reportagem do Fantástico, ele sempre foi bom aluno e teve uma boa nota no Enem. No entanto, a inteligência foi usada para o crime, pelo menos, mais uma outra vez.
De acordo com a investigação, no Enem de 2022, André teria feito o Enem no lugar de Eliésio Bastos Ataide, de 25 anos. O esquema foi o mesmo, usando uma carteira de identidade falsa. A PF diz que a assinatura de Eliésio foi falsificada e que André fez a prova no lugar dele.
Eliésio foi aprovado em Medicina na UEPA e fez o curso normalmente em 2023. Moisés entrou neste ano, e as aulas começam no dia 4 de março.
Crimes
Os três acusados devem responder em liberdade por falsidade ideológica e uso de documento falso para fraudar o Enem. A PF recebeu novas denúncias contra André, que fazia as provas no lugar dos outros. A polícia apura se ele também teria realizado outras provas do Enem, concursos e até outros vestibulares no lugar de outras pessoas.
Ao Fantástico, a defesa de André e Eliésio afirmou que eles são inocentes, e que André não recebeu nenhuma quantia para fazer prova em nome de terceiros. O advogado de Moisés afirmou que foi ele quem fez a prova, e que ele irá cooperar com as investigações.
O que diz a universidade e o INEP
Em nota, a Universidade do Estado do Pará disse que “acompanha e colabora com as investigações conduzidas pela Polícia Federal e aguarda a conclusão do processo para tomar as medidas cabíveis”.
Ricardo Magalhães, diretor de gestão e planejamento do INEP afirmou, em entrevista ao Fantástico, que o Enem tem 25 anos de história, e há 15 é usado como prova para ingresso em universidades. “Nunca foi identificado nada dessa natureza. Então a gente acredita se tratar de um caso isolado”, disse.
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André (esq.) Moisés (meio) e Eliésio (dir.) são investigados por participar de esquema de fraude no Enem