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13 maio 2026
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Eleições 2026: Sérgio Gonçalve reafirma pré-candidatura ao governo de Rondônia

Nos últimos dias, o vice-governador Sérgio Gonçalves tem concedido uma série de entrevistas a diferentes veículos de comunicação. Nesta terça-feira (18), ele esteve na Rondovisão TV, onde reafirmou sua pré-candidatura ao Governo do Estado em 2026. Ao ser questionado sobre o motivo de querer disputar o cargo, afirmou ter conhecido a máquina pública por dentro e se sentir preparado para enfrentar os problemas existentes. “Não tem a ver com poder, tem a ver com a vontade de trabalhar e perceber que há solução, como é o caso da saúde pública”, declarou.

Sobre um possível atrito com o atual governador, Marcos Rocha, Gonçalves negou qualquer inimizade e disse ser grato pela oportunidade de ter ingressado na vida pública. “Não sou oponente dele de forma alguma. Prefiro valorizar tudo o que foi feito, e o que precisa ser melhorado nós temos que enfrentar e trabalhar para melhorar”, afirmou.

Ex-titular da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), o vice-governador destacou a experiência adquirida na iniciativa privada e o espírito empreendedor aplicados na gestão pública. “Desde 2019 tivemos a oportunidade de estruturar uma secretaria de desenvolvimento cujo alicerce é servir como porta de entrada para quem empreende. Trabalhamos para fazer dessa secretaria um lugar de acolhimento para todos que quisessem investir, micro, pequenas ou grandes empresas”, disse.

TAXAS E BUROCRACIA

Sérgio Gonçalves criticou o peso do Estado e a carga tributária no país. Apontou a desburocratização como uma das principais necessidades para impulsionar o desenvolvimento. “Ninguém quer pagar mais imposto. Isso atrasa e cria amarras ao crescimento”, afirmou, ao defender um Estado mais simples e eficiente.

Segundo o vice-governador, Rondônia deve crescer aproximadamente 5,5% no PIB em relação a 2024, ficando atrás apenas do Mato Grosso. “Hoje Rondônia já está indo muito bem, mas pode ir muito melhor. O Estado ainda é pesado, ineficiente, e dá para deixá-lo mais leve para quem produz”, destacou.

Ele também ressaltou que a atração de investimentos é um ponto prioritário para o desenvolvimento regional. “Isso torna o Estado mais consistente na qualidade de vida e no fortalecimento da economia”, avaliou.

SAÚDE PÚBLICA

Ao falar sobre a saúde pública, Gonçalves reconheceu que, embora avanços importantes tenham ocorrido, o setor ainda apresenta fragilidades. “Existe uma demanda da população por acesso à saúde pública que não foi plenamente atendida. E isso tem solução. Depende de gestão, de boas decisões, de vontade política e de conhecimento da administração pública”, afirmou.

Filha do vereador Everaldo Fogaça é alvo de operação contra organização criminosa

A servidora pública e digital influencer Any Diuly Alves dos Santos Fogaça, filha do vereador Everaldo Fogaça, foi um dos alvos da Operação Archote, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (19) e mira uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas, com atuação em Rondônia e no Mato Grosso do Sul.

Segundo as apurações, o grupo utilizava métodos sofisticados para ocultar a movimentação financeira, envolvendo transações em criptomoedas, empresas de fachada e o uso de “laranjas”. Any Diuly teve busca e apreensão cumprida em sua residência e está entre 22 pessoas físicas e jurídicas que tiveram sigilos fiscal e telemático quebrados.

Relatório encaminhado ao Judiciário aponta que ela e outros 6 investigados teriam desempenhado funções de apoio ao esquema, como financiamento de operações por meio de “consórcios”, transporte de cargas, distribuição local de drogas e fornecimento regional de entorpecentes.

Para embasar a representação, os delegados responsáveis detalharam um conjunto de provas acumuladas desde 2023, entre elas interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário em 2024, diligências de campo, vigilâncias, além de levantamentos patrimoniais que mostraram incompatibilidade entre renda declarada e bens ostentados. Também foram anexados extratos bancários e imagens de drogas e barras de ouro extraídas de contas de e-mail.

Investigada nega prisão e diz estar à disposição das autoridades

No início da noite ela fez vídeos na internet e divulgou nota negando boatos de prisão, confirmou a ação policial e disse que as buscas estão relacionadas a um ex-namorado. Confira:

Venho esclarecer os boatos que estão circulando de que eu teria sido presa hoje. Isso não é verdade: eu não estou presa.

De fato, houve uma busca e apreensão da Polícia Civil na minha residência na manhã de hoje, relacionada a uma pessoa com quem me envolvi no passado. Hoje não tenho qualquer vínculo com ele. Inclusive, possuo medida protetiva contra essa pessoa.

Convivi com ele por seis meses e sofri agressões. Quem retirou ele da minha casa, à época, foi meu pai junto com a polícia. Há mais de um ano não tenho contato. Precisei mudar de endereço após ele invadir minha residência. Ele também levou o meu carro, que era quitado e comprado por mim.

Escrevo apenas para esclarecer esses boatos: não estou presa e estou à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos necessários.

Anny Fogaça

Fonte:Rondoniagora

Feriado será de calor nesta quinta-feira em Rondônia

O tempo permanece instável em Rondônia nesta quinta-feira (20), , feriado do Dia da Consciência Negra, mas com temperaturas mais elevadas em comparação ao dia anterior. De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), os ventos continuam fracos e há possibilidade de chuvas isoladas em algumas áreas do estado ao longo do dia.

Apesar da possibilidade de pancadas rápidas, o sol deve predominar por vários períodos. O Censipam orienta que a população fique atenta às variações climáticas, especialmente em regiões onde as chuvas podem surgir de forma repentina.

As temperaturas devem variar entre 21°C e 34°C, criando um cenário de calor mais intenso, principalmente durante a tarde.

Previsão para as principais cidades

  • Porto Velho: mínima de 23°C e máxima de 31°C

  • Vilhena: mínima de 21°C e máxima de 30°C

  • Nova Mamoré: mínima de 23°C e máxima de 32°C

Operação contra organização criminosa em Rondônia mira empresários, filho de vereador e químico

Polícia Civil de Rondônia cumpre nesta quarta-feira (19), 78 medidas cautelares, incluindo 9 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão, durante a Operação Archote. A ação tem como alvo uma organização criminosa especializada em tráfico de drogas com atuação em Rondônia e Mato Grosso do Sul.

De acordo com as investigações conduzidas pela Draco 2, com apoio do Ministério Público e de várias unidades policiais, os mandados são cumpridos em Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes, Vilhena, Guajará-Mirim, Nova Mamoré, São Felipe do Oeste, além de Campo Grande e Ponta Porã (MS).

As apurações indicam que o grupo utilizava métodos sofisticados para ocultar a movimentação financeira, com transações em criptomoedas, empresas de fachada e o uso de “laranjas”. A estrutura contava ainda com um químico responsável por avaliar a pureza das drogas e uma logística própria para o transporte interestadual de entorpecentes.

Entre as medidas cumpridas está o bloqueio e o sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 15 milhões, valor relacionado à atividade criminosa investigada. O grupo teria participação de empresários, do filho de um vereador e de uma estudante de Medicina.

O nome Archote remete ao instrumento usado para iluminar ambientes escuros e foi escolhido em referência ao trabalho de investigação voltado a revelar estruturas ocultas do crime.

A operação faz parte das redes Recupera e Renorcrim/MJ, que desenvolvem ações coordenadas de combate a organizações criminosas.

Operação contra organização criminosa em Rondônia e Mato Grosso do Sul alcança empresários, filho de vereador e químico

Vice-governador nega demissões em massa, ganha visibilidade politica e reforça pré-candidatura ao governo 

O vice-governador de Rondônia, Sérgio Gonçalves, cumpriu ao longo deste mês uma agenda intensa em diversas regiões do estado, participando de visitas técnicas, ações sociais, reuniões institucionais e encontros com lideranças políticas. As atividades reforçam sua atuação junto às comunidades e fortalecem seu projeto político para as eleições de 2026, quando pretende disputar o Governo de Rondônia.

Em Guajará-Mirim, Sérgio Gonçalves visitou o novo hospital do Governo do Estado, onde conversou com pacientes e se reuniu com a equipe técnica da saúde. Acompanhado pelo prefeito Fábio Garcia, ele destacou o avanço da unidade hospitalar e a importância do fortalecimento da saúde pública na região de fronteira.

Ainda no município, na região da Pérola do Mamoré, o vice-governador visitou uma família de produtores de queijo, conhecendo de perto a cadeia produtiva local. Durante a visita, Sérgio também aproveitou para saborear a tradicional saltenha boliviana, típica na fronteira entre Brasil e Bolívia.

Na capital, Porto Velho, sua agenda incluiu entrevistas a emissoras de rádio e uma visita à Indústria de Vidro Guaporé, onde conversou com o proprietário e destacou o potencial da empresa para o desenvolvimento econômico de Rondônia e para a geração de empregos.

No campo social, Sérgio Gonçalves esteve no ICEAL — Escola Auta de Souza, instituição que desenvolve ações de acolhimento e assistência social. Ele ressaltou a importância do trabalho realizado pela entidade e reafirmou o compromisso do governo com políticas públicas voltadas às famílias mais vulneráveis.

Pré-candidatura

Em entrevista à imprensa, Sérgio Gonçalves voltou a reafirmar sua pré-candidatura ao Governo de Rondônia em 2026, destacando como pilares de seu futuro plano de gestão a segurança pública, a saúde e o fortalecimento econômico do estado.

Na imprensa, Sérgio Gonçalves também negou que promoverá demissões em massa quando assumir o governo em abril de 2026 — informação que ele classificou como fake news. O vice-governador afirmou que não há qualquer plano nesse sentido e reforçou que sua intenção é garantir estabilidade administrativa e continuidade nos serviços públicos.

Com a agenda ainda em andamento, o vice-governador tem sido procurado por lideranças de todas as regiões do estado. Segundo fontes próximas, Sérgio Gonçalves recebe apoio crescente e incondicional de diversos segmentos, motivado pelo trabalho que tem desempenhado à frente do Executivo estadual e pela articulação política que vem consolidando nos últimos meses.

Megaoperação mira tráfico de drogas em Rondônia; Vilhena é alvo

A Polícia Civil de Rondônia deflagrou, nesta quarta-feira (19), a Operação Archote, cumprindo 78 medidas cautelares, entre elas 9 mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão, contra uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas com atuação em Rondônia e no Mato Grosso do Sul.

A operação é conduzida pela DRACO 2, com apoio do Ministério Público de Rondônia e de diversas unidades policiais. Os mandados estão sendo cumpridos em Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes, Vilhena, Guajará-Mirim, Nova Mamoré, São Felipe do Oeste, além das cidades sul-mato-grossenses de Campo Grande e Ponta Porã.

As investigações apontam que a quadrilha utilizava um complexo esquema para ocultar a movimentação financeira do tráfico, fazendo uso de:

  • Transações em criptomoedas;

  • Empresas de fachada;

  • “Laranjas” para movimentar valores;

  • Bloqueio e sequestro de bens que somam aproximadamente R$ 15 milhões.

A estrutura incluía ainda um químico especializado, responsável por analisar a pureza das drogas, além de uma logística própria para o transporte de entorpecentes entre os estados. Entre os investigados estão empresários, o filho de um vereador e uma estudante de Medicina.

Significado da operação

O nome Archote refere-se ao instrumento usado para iluminar ambientes escuros, simbolizando o trabalho de investigação que busca expor e desmantelar estruturas ocultas do crime organizado.

Ação integrada

A Operação Archote integra as redes Recupera e Renorcrim/MJ, que promovem ações coordenadas de combate a organizações criminosas em todo o país, buscando desarticular financeiramente os grupos e reduzir sua capacidade operacional.

A Polícia Civil segue com diligências ao longo do dia, e novos desdobramentos da operação poderão ser divulgados conforme o avanço das investigações.

Operação contra organização criminosa em Rondônia e Mato Grosso do Sul alcança empresários, filho de vereador e químico

Homem que matou companheira é condenado a 26 anos de prisão em Rondônia

O Ministério Público de Rondônia conseguiu a condenação de C.R.B., acusado de matar Gilda Alves de Carvalho, durante julgamento realizado na última sexta-feira (14), em Pimenta Bueno. O réu recebeu pena superior a 26 anos de prisão pelo crime ocorrido em dezembro do ano passado, no bairro Nova Pimenta.

Crime ocorreu após discussão dentro de casa

Segundo o que foi apresentado ao Conselho de Sentença, réu e vítima viviam juntos havia cerca de uma semana quando iniciaram uma discussão na cozinha da residência. Durante o conflito, Gilda foi brutalmente agredida com chutes e golpes de tijolo na cabeça. Em seguida, o acusado usou uma faca para desferir um golpe fatal no peito da mulher.

Réu confessou o crime e levou policiais ao local

Na manhã seguinte ao homicídio, o próprio acusado procurou a Delegacia e confessou os fatos. Ele conduziu os policiais até o imóvel, onde o corpo da vítima foi localizado nos fundos da casa. Depoimentos e exames técnicos confirmaram a dinâmica do crime apresentada no processo.

Promotor sustentou tese de feminicídio

Durante o julgamento, o promotor de Justiça Paulo Roberto Marques de Oliveira conduziu a acusação, explicando aos jurados que o assassinato ocorreu dentro do ambiente doméstico, motivado por razões ligadas ao gênero da vítima — elementos que caracterizam feminicídio. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do Ministério Público.

O réu permanece preso e deverá cumprir a pena em regime fechado.

Rondônia tem alerta de chuvas intensas nesta quarta-feira

Rondônia deve enfrentar um dia de tempo instável nesta quarta-feira (19), com possibilidade de chuvas fortes, ventos intensos e temperaturas mais amenas em relação aos últimos dias. O alerta foi emitido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e reforçado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que publicou aviso de perigo para chuvas intensas em todo o estado.

Segundo o Censipam, o céu deve permanecer nublado durante todo o dia, com condições favoráveis à formação de temporais, especialmente no período da tarde e noite. As temperaturas variam entre 22°C e 36°C, dependendo da região.

Previsão para as principais cidades

  • Porto Velho: mínima de 24°C e máxima de 33°C

  • Vilhena: mínima de 21°C e máxima de 32°C

  • Guajará-Mirim: mínima de 23°C e máxima de 33°C

O Inmet informa que podem ocorrer chuvas entre 30 e 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia, acompanhadas de ventos de 60 a 100 km/h, o que aumenta o risco de queda de galhos, alagamentos e descargas elétricas.

Orientações à população

O Inmet recomenda que, em caso de rajadas de vento, a população evite se abrigar debaixo de árvores, devido ao risco de queda ou descargas elétricas, e não estacione veículos próximos a placas ou estruturas metálicas. Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Mulher mata o próprio irmão e alega legítima defesa em Rondônia

O crime foi registrado na noite desta segunda-feira (17) e mobilizou diversas equipes das forças de segurança no quilômetro 17 da linha C-01, região da BR-319, após a ponte sobre o rio Madeira, na zona rural de Porto Velho. Uma mulher, cuja identidade ainda não foi divulgada, acionou a Polícia Militar e confessou ter atirado e matado o próprio irmão, alegando que o crime ocorreu em legítima defesa.

De acordo com informações preliminares, a ocorrência aconteceu dentro da residência onde os dois moravam. A mulher relatou aos policiais que a situação teria se agravado após uma discussão, quando, segundo ela, o irmão passou a agir de forma agressiva, colocando sua integridade física em risco. Diante disso, ela afirmou ter efetuado o disparo para se proteger.

 

Jards Macalé, a música como gesto radical de liberdade

Por Ismael Machado – A morte de Jards Macalé, ocorrida na última segunda-feira, 17, encerra uma das trajetórias mais singulares e indomáveis da música brasileira. Poucos artistas atravessaram tantas eras, estilos e rupturas mantendo, de maneira tão rigorosa, a coerência com um princípio que ele levava como cicatriz e bandeira: a arte não existe para servir a nada além dela mesma e, portanto, não deve se curvar a nenhum poder, seja ele político, comportamental ou mercadológico.
Para entender o que Macalé representou, é preciso ir além do rótulo fácil de “maldito”, expressão que ele mesmo rejeitou. Macalé nunca foi maldito, apenas coerente e lúcido. Sua lucidez, porém, era tão cortante que causava atritos e ruídos. Incomodava gravadoras, incomodava programas de televisão, incomodava movimentos estéticos que tentavam englobá-lo, incomodava até os amigos, que o amavam justamente porque sabiam que ele não abria concessões. Macalé não pertencia a lugar nenhum porque escolheu pertencer apenas ao território da criação que, por si só, já é um território feroz, áspero, mas onde a beleza aparece com mais verdade.
Nascido em 1943, no Rio de Janeiro, ele cresceu respirando samba, chorinho, rádio e o universo popular da Lapa. Mas cedo também se aproximou da música contemporânea, do jazz e das vanguardas europeias, trilhando um caminho que poucos, naquele período, ousavam cruzar. Assim se formou um artista totalmente imprevisível. Era um violonista preciso, com uma batida ‘suja’, um cantor visceral com sua rouquidão desafiadora a ouvidos domesticados, um compositor que sabia transitar da harmonia sofisticada à melodia simples, da delicadeza extrema à dissonância inquietante.
Se aproximou da Tropicália, mas nunca foi tropicalista. Colaborou intensamente com Waly Salomão e Torquato Neto, mas tampouco cabia na moldura marginal. Vivia entre rodas de samba e concertos de música experimental, entre festivais de canção e o underground carioca. Era ponte e abismo ao mesmo tempo. Atravessava linguagens sem jamais adoçar sua própria.
De sua obra, ficaram canções que hoje pertencem ao patrimônio afetivo do país — “Vapor Barato”, “Movimento dos Barcos”, “Let’s Play That”, “Mal Secreto”, “Farinha do Mesmo Saco”, “Hotel das Estrelas”, “Soluços”, “Sem Essa”. Mas o que marca sua presença não é apenas a excelência das composições. É o modo como cantava, um jeito de cantar como quem convoca — não interpreta — um espírito. Macalé não executava uma canção. Ele parecia que a vivia, a sangrava, a rasgava pelo avesso até encontrar a verdade escondida nela.
Ao longo dos anos 1970, suas tensões com a indústria cultural tornaram-se lendárias. O afastamento da Rede Globo, depois de conflitos sobre autonomia artística e direção musical, virou símbolo de sua postura. Macalé não negociava sua integridade. E pagou caro por isso. Isolou-se, perdeu espaço de mercado, foi incompreendido. Chegou a pensar em suicídio, mas contava ter sido salvo por João Gilberto. Sua influência subterrânea nunca diminuiu. Pelo contrário, cresceu com o tempo, alimentando gerações inteiras que encontraram nele um farol da desobediência estética. Foi saudado ainda em vida, é bom dizer.
Nos anos 2000 e 2010, jovens músicos redescobriram Macalé com fascínio: de Metá Metá a Ava Rocha, de Kiko Dinucci a Juçara Marçal, de Tim Bernardes a Rômulo Froes, passando por toda a cena independente que vê na fricção e no risco um modo de existir. O reencontro com o público mais jovem mostrou que sua obra não envelheceu. Ela apenas esperou o mundo ficar novamente capaz de ouvi-la.
Macalé foi, ao fim, um artista do confronto. Com o establishment, com os movimentos, com os ouvintes, consigo mesmo. Mas desse confronto nasceu uma das obras mais pungentes e livres do país. Sua morte deixa um silêncio enorme, desses que não se preenchem, poucos dias depois da morte de outro ser essencial, Lô Borges. Há uma geração indo embora. Gal, Rita Lee, Erasmo, Nana, Lô, Hermeto, entre tantos. Mas sua vida deixa algo ainda maior. A lição de que a insistência de ser a música um território de liberdade absoluta. E que a verdadeira ousadia não está no gesto ruidoso, e sim na fidelidade inquebrantável ao próprio caminho.
Jards Macalé parte, mas deixa um legado que não se encerra. Permanece como essa ferida luminosa aberta na história da MPB, lembrando que a arte é mais profunda quando se recusa a ser domesticada.