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25 junho 2026
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Em UPA, médica receita pomada que não existe para bebê

Médicos chegam ao local de prova para a segunda etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) 2020, em Brasília.

O pai de um bebê de 10 meses relata que uma médica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Santos, no litoral de São Paulo, receitou uma pomada que não existe ao seu filho. A criança havia sido levada para atendimento após apresentar alergia grave no bumbum e diarreia. Porém, quando o pai foi comprar uma das medicações receitadas pela profissional, descobriu que a pomada do remédio não existe – há apenas as versões em xarope e comprimido.

Segundo o pai, que preferiu não se identificar, a mãe do bebê o levou para atendimento médico neste domingo, 30, e a médica que atendeu a criança receitou alguns medicamentos, entre os quais estava escrito: ‘Loratadina pomada – aplicar em lesão de 12 em 12 horas”.

Médica receita pomada que não existe para bebê em UPA do litoral de SP

Em contato com a reportagem, o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo informou que em consulta realizada nesta terça-feira, 2, ao portal da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não foi localizada nenhuma apresentação registrada em pomada contendo loratadina.

A Secretaria de Saúde de Santos, por meio de nota, também confirmou que a pomada não existe, mas informou que a Direção da UPA apurou que houve “erro de digitação” na composição do medicamento (veja posicionamento completo abaixo).

“Foi a mãe do meu filho que levou ele à UPA. Meu filho está com uma alergia muito forte na pele e aí fica todo vermelho, bem assado. A médica receitou loratadina pomada, só que fui em três farmácias diferentes e fui informado em todas que o remédio não existe na versão pomada, apenas líquido ou comprimido”, destacou o pai do bebê. O homem também fez uma postagem na rede social lamentando o episódio

Terra

Alvos de busca e apreensão, Bolsonaro e Michelle têm celulares apreendidos pela PF

Os celulares de Jair Bolsonaro (PL) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foram apreendidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Venire, deflagrada nesta quarta-feira (3) com o objetivo de apurar a atuação de um grupo que teria inserido dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.

Segundo a coluna da jornalista Bela Megale, do Jornal O Globo, “Bolsonaro teve seu celular apreendido, mas, até o momento, não forneceu a senha de seu celular. A ex-primeira-dama inicialmente também não passou a senha, mas, posteriormente, autorizou o acesso ao seu aparelho”. Eles foram alvos de um dos 16 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Os agentes também cumpriram seis mandados de prisão. Entre os alvos estão o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o policial militar Max Guilherme e o militar do Exército Sérgio Cordeiro, seguranças que atuaram durante o mandato de Bolsonaro e que também o acompanharam nos Estados Unidos, quando ele deixou o país dois dias antes do término de seu governo.

STF inicia o julgamento de mais 250 envolvidos nos atos de 8/1

Matéria especial um mês dos atentados golpistas

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento mais 250 envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. É o terceiro grupo de investigados, totalizando 550 das 1,3 mil denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, a favor do recebimento das denúncias, foi o primeiro a ser inserido no sistema.

O julgamento virtual começou à meia-noite e será finalizado na próxima segunda-feira (8). Na modalidade virtual, os ministros depositam os votos no sistema eletrônico e não há deliberação presencial.

Se a maioria dos ministros aceitar as denúncias, os acusados passarão a responder a uma ação penal e se tornam réus no processo. Eles deverão responder pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de estado, dano qualificado e incitação ao crime.

Até o momento, 300 investigados se tornaram réus pelo STF.

Conforme levantamento do STF, das 1,4 mil pessoas que permaneceram presas no dia dos ataques, 294 (86 mulheres e 208 homens) continuam no sistema penitenciário do Distrito Federal. Os demais foram soltos por não representarem mais riscos à sociedade e às investigações.

STF derruba lei de Rondônia sobre condições para contratação de jovens aprendizes

O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, julgou inconstitucional uma lei de Rondônia que determinava condições prioritárias para contratações no Programa Jovem Aprendiz. A decisão foi tomada na sessão virtual encerrada no último dia 24, em ação direta de inconstitucionalidade (ADI) ajuizada pelo governador do estado, Marcos Rocha.

A Lei 4.716/2020 previa que as empresas participantes do programa deveriam priorizar a contratação de alunos de baixa renda, que possuam um rendimento escolar mediano ou baixo, que já participem de algum programa de compensação social e que pratiquem “bicos” para auxiliar no sustento da família.

Além disso, previa o fim do contrato no caso de o estudante não manter um nível adequado de rendimento acadêmico.

Competência privativa

O voto condutor do julgamento, no sentido da procedência do pedido, foi proferido pelo relator, ministro Luís Roberto Barroso.

Segundo ele, a norma viola a competência privativa da União para legislar sobre Direito do Trabalho, prevista na Constituição (artigo 22, inciso I). Em sua avaliação, a lei rondoniense, ao estabelecer prioridades de contratação e hipótese de extinção do contrato, criou disposições distintas das previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que prevê apenas a contratação de jovens com idade entre 14 e 18 anos.

Divergência

Ficou vencido parcialmente o ministro Edson Fachin. Para ele, a questão não é matéria trabalhista, mas implementação de política voltada à promoção da educação, à proteção da juventude e ao combate dos fatores de marginalização, todos direitos constitucionais. A seu ver, somente o dispositivo sobre a extinção do contrato viola a competência da União. Com informações da assessoria de imprensa do STF.

Protesto lembra crianças assassinadas em escolas e pede aprovação do PL das ‘Fake News’

A plataforma de mobilização da sociedade civil Avaaz promoveu na manhã desta terça-feira (2) uma manifestação pela aprovação na Câmara do chamado PL das Fake News (Projeto de Lei 2.630/2020). A mobilização fez menção às crianças assassinadas em atentados terroristas em escolas do Brasil desde 2012. Foram espalhadas 35 mochilas vazias no gramado do Congresso Nacional, que representam 35 crianças ou jovens vítimas de ataques.

A montagem ocorre no dia em que a Câmara dos Deputados se prepara para analisar o PL. Se for aprovado, o texto tornará crime a divulgação pelas plataformas digitais de informações falsas, discursos de ódio e incitação ao crime sob o pretexto de serem “liberdade de expressão”.

A “democracia” das plataformas

O Twitter, adquirido recentemente pelo bilionário Elon Musk, se recusou a retirar do ar os perfis que justificavam os ataques em escolas. Questionado por jornalistas sobre essa decisão, a plataforma respondeu apenas com um emoji de cocô.

O Ministério Público Federal (MPF) questionou oficialmente o Google sobre as razões para a companhia exibir em sua página de abertura, desde a tarde de segunda-feira (1º), a mensagem: “O PL das Fake News pode aumentar a confusão sobre o que é verdade ou mentira no Brasil”.

Evangélicos e católicos querem PL

A pesquisa divulgada pela Avaaz mostra ainda que:

  • 94% dos brasileiros e brasileiras acreditam que as redes sociais são prejudiciais para crianças e adolescentes;
  • 78% dos brasileiros e brasileiras querem uma lei para regulamentar as redes sociais;
  • 74% acham que a falta de regulação contribuiu para os recentes ataques em escolas e vários estados do país;
  • 73,8% dos evangélicos e 78,4% dos católicos que responderam à pesquisa são a favor da regulação das redes sociais;
  • 61% dos eleitores de Bolsonaro também querem a regulação.

Segundo Laura Moraes, diretora de campanhas da Avaaz, a lei “é sobre proteção”. “É sobre proteger nossos filhos e filhas de massacres, nossas famílias da polarização, nossa democracia de ataques e a nossa saúde de notícias falsas. É para todos os brasileiros e brasileiras que os parlamentares devem aprovar o projeto de lei 2630/20”, argumentou.

Segundo pesquisa encomendada pela Avaaz à Atlas Intel, 93,7% dos entrevistados acreditam que as redes sociais não são seguras para crianças e adolescentes, enquanto 75% acreditam que a ausência de regulamentação das redes sociais contribuiu para os recentes massacres nas escolas brasileiras.

A Avaaz tem 19 milhões de membros no Brasil. A organização argumenta que se o PL 2.630 for aprovado haverá mais “honestidade, transparência e responsabilidade” nas redes sociais. “As plataformas terão que responder pelos perigos que seus serviços apresentam à sociedade, se comprometer com melhorias concretas, reportar publicamente seus sucessos e fracassos, e enfrentar consequências caso não tomem atitudes quando necessário”, diz. As chamadas gigantes de tecnologia (big techs) – como Google, Twitter e Facebook (Meta) – têm se manifestado com veemência contrárias ao projeto, relatado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

CNN divulga suposta “remissão de câncer terminal” com médico suspeito de charlatanismo

Se você achava que o caso Antonov era o fundo do poço, a CNN cavou um alçapão. De acordo com uma “reportagem”, um paciente com câncer terminal teve remissão total da doença após tratamento desenvolvido por um brasileiro nos EUA.

Foi resultado da “tecnologia BTT, que consiste na indução de proteínas de choque térmico por meio de aumento da temperatura, de maneira controlada, pelo cérebro”.

A matéria cita o pesquisador brasileiro Marc Abreu, “especialista em termodinâmica cerebral e frequências termorregulatórias formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)”. Abreu teria apresentado o caso “nesta quarta-feira (26) na 38ª edição do Congresso Anual da Society for Thermal Medicine, em San Diego, nos EUA”.

Na Revista Questão de Ciência, o editor-assistente Cesar Baima aponta que Abreu se declarou capaz de tratar uma série de doenças neurodegenerativas para as quais não existem curas comprovadas, como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla.

O tal “tratamento BTT” não passa de uma promessa vazia, afirma Baima. “Buscas em bases de dados de publicações médicas não encontram o médico brasileiro como autor de qualquer artigo sobre o tema, tampouco de sucesso no uso de seu suposto mecanismo de ação, as tais proteínas de choque térmico, no tratamento destas doenças”, diz.

“Também chama a atenção na apresentação de Abreu na reunião anual da Sociedade de Medicina Termal americana seus supostos colegas na pesquisa. Identificados como os também médicos David G. Silverman e Victor H. Spitz, ambos aparecem como afiliados à Escola de Medicina da Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas dos EUA. Mas enquanto o primeiro de fato consta do diretório da instituição como professor emérito de seu Departamento de Anestesiologia, o segundo não é mencionado em nenhuma página ou documento da universidade”.

“Buscas pelos nomes de ambos em bases de dados de publicações médicas também não retornam nenhuma pesquisa ou publicação relacionada a tratamentos de câncer, proteínas de choque térmico ou hipertermia, sendo que Spitz novamente sequer aparece como autor de qualquer estudo. Embora não seja o caso agora, Abreu é muitas vezes apresentado como ‘pesquisador da Universidade de Yale’. O que ele de fato foi no início dos anos 2000, mas atualmente a instituição nega qualquer vinculação com o médico brasileiro, ou ter qualquer informação sobre seu paradeiro e atuação”, prossegue.

Nas redes sociais, o oncologista Bruno Filardi também dissecou a cascata da CNN. “A quantidade de desinformação assusta”, escreveu. “Numa população sempre haverá público para os picaretas. Sempre haverá quem embarca num esquema de pirâmide financeira e sempre haverá o golpista”.

A farmacêutica Laura Marise, sobrevivente de câncer, pesquisou sobre o “tratamento” e constatou que ele tem 20 anos. “Nada de publicação provando os resultados? Já dá pra bater o martelo que não se trata de algo com fundamentação científica”, diz.
“Prometer curar todo tipo de doenças e males usando uma mesma substância ou procedimento, sejam óleo de cobra, toques de mãos ou pílulas de açúcar embebidas em soluções “potencializadas” pela diluição infinita, é uma característica comum do charlatanismo”, alerta Baima.

Feriado: duas mortes e 30 prisões são registradas pela PRF em Rondônia

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou o balanço da operação Dia do Trabalhador, realizada entre do dia 28 de abril a 1 de maio deste ano, em Rondônia. Foram registradas duas mortes e 30 prisões.

Em relação ao número de acidentes, foram registradas de 13 ocorrências, sendo quatro graves.

Entre as autuações aplicadas aos condutores estão a inutilização do cinto de segurança, com 74 casos, não utilização dos dispositivos de retenção para crianças, 25 casos e alcoolemia, 56 casos  registrados.

Conforme a PRF, cabe atenção para os autos de ultrapassagens em locais proibidos, manobra diretamente relacionada aos acidentes resultantes em vítimas fatais. Foram registradas 96 infrações nesse último feriado, contra 74 ocorridas no feriado de Tiradentes.

Durante a operação, 7.071 pessoas e 5.562 veículos foram fiscalizados. Além disso, foram realizados 1.463 testes de alcoolemia.

Na área criminal, das 30 prisões efetuadas, 11 foram por crimes de trânsito e seis por embriaguez ao volante.

A PRF informou ainda, que 77% dos acidentes ocorridos nos primeiros três meses de 2023, tiveram como causa escolhas erradas por parte dos motoristas, como ultrapassagens indevidas, velocidade incompatível, ingestão de álcool, falta de atenção e desobediência às leis de trânsito, segundo informa o Rondoniagora.

Acusado de estupro de vulnerável, vereador é preso em cidade de Rondônia

De acordo com informações que estão sendo veiculadas em perfis de sites de notícias de Cacoal, o vereador Lauro Garçom foi preso há poucos instantes, momentos depois que terminou a sessão da Câmara Municipal deste dia 02 de maio.

Segundo informes a prisão ocorreu por cumprimento de mandado de prisão preventiva, e se refere a um caso de estupro de vulnerável que ele teria cometido anos atrás, em Porto Velho. A informação é do site Alô Rondônia.

Confira no link abaixo informações sobre a prisão do vereador:

https://www.facebook.com/roacontececac/videos/228393139799620

 

Quatro PMs são presos após denúncia de estupro

Quatro policiais militares do estado do Rio de Janeiro foram presos nesta segunda-feira (1º) após denúncia de que teriam participado de um crime de estupro em Saquarema, cidade da Região dos Lagos. A Corregedoria da Secretaria de Estado de Polícia Militar cumpriu as prisões hoje de manhã, após investigação interna.

A corregedoria afirma que tomou conhecimento do fato na última sexta-feira (28), após a queixa da vítima na 118ª Delegacia de Polícia (DP), em Araruama.

A vítima identifica apenas um policial militar como autor do estupro, mas havia outro policial na mesma viatura, e mais dois em uma viatura que os acompanhou até um local deserto.

“Os demais agentes que estavam no local concorrem à mesma pena, sendo indiciados pela investigação da Corregedoria como coautores”, explica a Polícia Militar. “Todos os quatro policiais envolvidos na abordagem e condução da vítima foram ouvidos na 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar”.

A Corregedoria da PM teve acesso ao laudo pericial da 118ª DP, que indicou a compatibilidade das lesões encontradas na vítima com casos de estupro. O órgão também solicitou apoio à Secretaria de Segurança de Saquarema, que forneceu os dados do GPS das viaturas utilizadas pelos policiais, assim como as imagens das câmeras de monitoramento da cidade.

Os policiais acusados do crime não tiveram a identidade revelada. Eles são lotados no 25° BPM (Cabo Frio) e, no dia do crime, estavam de serviço pelo Proeis, programa de reforço de segurança na cidade de Saquarema.

A PM informa que os mandados de prisão foram expedidos do Plantão Judiciário da Capital, uma vez que se chegou à conclusão de necessidade de prisão dos agentes envolvidos no caso.

“Todo o material resultado da investigação será analisado pelo Ministério Público Militar, que passará a acompanhar o caso e futuramente irá remeter o resultado da investigação à Justiça”, conclui a nota divulgada pela polícia.(AB)

Karipuna, de Rondônia, resiste a invasões com população de 62 pessoas

SÃO PAULO (SP) - Adriano Karipuna diz que romantização da luta indígena precisa acabar. Foto: Dimas José de Oliveira

Um dos menores e talvez mais antigos povos indígenas do Brasil, os karipuna, de Rondônia, têm atualmente apenas 62 integrantes e sua luta por direitos não tem ganhado visibilidade.

Conforme o Instituto Socioambiental (ISA), em 2004 o povo karipuna era composto por apenas 14 “sobreviventes”. O termo define com precisão o que se passou com eles e os assombra até hoje, já que resistiram ao ciclo da borracha, à gripe, à pneumonia e a inundações de seu território, localizado entre os municípios de Porto Velho e Nova Mamoré. A primeira inundação ocorreu em 2014 e a última, recentemente, em março deste ano, provocando a queda de uma das pontes de acesso à comunidade, informou o Ministério Público Federal (MPF).

Atualmente, eles enfrentam o assédio de madeireiros e grileiros, relatou à Agência Brasil o cacique da aldeia, André Karipuna. Quanto às inundações, o MPF suspeita que sejam resultado do funcionamento das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.

Os karipuna de Rondônia se organizam em torno de somente uma aldeia, a Panorama. A terra indígena (TI) fica próxima aos rios Jaci-Paraná e Formoso, foi demarcada em 1997 e homologada em 1998, com 152.930 hectares. São cerca de 40 mil hectares a menos do que a proposta inicial, área no lado sul que foi invadida por colonos e entregue por um acordo entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o governo estadual e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Conforme os pesquisadores Josélia Gomes Neves, Mary Gonçalves Fonseca e Cristovão Teixeira Abrantes, em artigo divulgado neste ano, os primeiros registros desse povo datam de 1745, sendo que os estudos pouco se ampliaram até

O cacique karipuna destaca a gravidade da situação, com o risco de extinção de seu povo. Ainda que o cenário dos karipuna de Rondônia tenha atingido a linha do inaceitável, órgãos do Estado, “principalmente os de proteção do meio ambiente, como a Funai e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)”, segundo André, têm virado as costas e deixado de prestar socorro. “Não é de agora isso. Todos os órgãos competentes têm ciência, sabem disso. Um tempo atrás, chegamos a ser oito pessoas e agora estamos na fase de crescimento [populacional]. A gente vê isso com uma preocupação muito grande”, lamentou.

Os karipuna de Rondônia, que se distinguem, aliás, dos karipuna do Amapá – já não contam mais mais lideranças espirituais. Além disso, há pouca documentação de pesquisadores sobre esse povo, o que reduz a percepção sobre o nível de perigos, dificultando a cobrança de ações do Poder Público. Outra consequência é que fica reservado a eles um lugar de esquecimento de sua cultura e seu modo de viver.

Na página que o ISA dedica aos karipuna de Rondônia está escrito o seguinte: “Aparentemente, os remanescentes karipuna são advindos de dois grupos locais (malocas): o de Jacaré’humaj e o de Tokwa. Mas a situação atual dos Karipuna, nem mesmo remotamente, lembra aquela antes do contato. Outros grupos da região, depois do impacto inicial do contato, conseguiram refazer (ou ainda estão refazendo, como os Uru-Eu-Wau-Wau) sua demografia e, com isso, mantiveram os padrões principais de sua organização social. O problema demográfico pós-contato, ocorrido entre os Karipuna, não lhes deu qualquer chance de reprodução de suas estruturas de organização tradicionais”. Eles já perderam parte significativa dos costumes dos antepassados, em um caminho sem volta.

Os primeiros testemunhos sobre os karipuna de Rondônia chamavam-nos de “Bocas Pretas”, por causa das faixas de jenipapo ao redor da boca, tradição também entre os uru-eu-wau-wau e outros grupos tupi kawahibi. Eles se autodenominam ahé (“gente verdadeira”) e falam uma língua da família tupi guarani, dominando também a língua de grupos com os quais convivem, como tupi kawahibi e mawé.

Fazem parte do dia a dia dos karipuna de Rondônia a pescaria e a caça. E também o plantio de arroz, feijão, mandioca, milho e frutas próprias de sua dieta, como o buriti e a bacaba, usadas em rituais e festas. A fabricação de farinha e a coleta de castanha são fontes de renda. Esses meios de subsistência, porém, estão sob ameaça, devido à presença dos invasores no território. O solo, que antes servia ao cultivo de itens da medicina tradicional, agora dá lugar, sem sua permissão, ao pasto. Outra perda são os lugares sagrados.

De acordo com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em maio de 2017, ano em que a invasão já havia aumentado, a Funai desocupou um posto de fiscalização localizado na entrada da TI, que foi aberto com recursos de compensação ambiental da obra da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. O gerador de energia elétrica do posto foi roubado, a unidade foi incendiada e as placas foram arrancadas. “O procurador Daniel Azevedo Lôbo estranha ‘a coincidência’ da desativação do posto da Funai com o início do chamado verão amazônico, caracterizado pela estiagem, que facilita as ações de retirada de madeira e desmatamentos”, acrescenta, em matéria, a entidade.

Luta com peixe grande

A matéria da organização lembra que, até o ano 2000, a área de desmatamento da terra indígena era de 342 hectares. Nos primeiros oito meses de 2017, 1.045,76 hectares de floresta haviam sido derrubados.

Uma das pessoas da comunidade que detêm o conhecimento da mitologia de seu povo e têm estado à frente de mobilizações é o estudante de direito Adriano Karipuna, que também usa o nome Tangare’i e. Os karipuna creem, por exemplo, na existência do que não indígenas entendem como “céu”, que denominam ywagá e que se assemelha aos moldes da vida na terra, com a possibilidade de casamento entre eles e atividades como a caça, mas sem armas de fogo.

Tangare’i publicou, recentemente, o livro Da Floresta para o Mundo, em que narra o processo de deixar a aldeia Panorama para defender os direitos de seu povo, ao redor do mundo. Ele perdeu o pai aos oito anos de idade e, aos 16, já era um dos porta-vozes dos karipuna. Desde então, apresentou denúncias até mesmo à Organização das Nações Unidas (ONU), com o apoio do Greenpeace e o Cimi, e a entidades do Peru. “Em 2019, denunciei isso no Vaticano, no Partido Verde alemão. Fiquei quase dois meses fora, estive no Parlamento Europeu”, relata. “Levei essa preocupação, dizendo que estava denunciando esses ataques vindos da força política. Porque estão vindo da força política. Dizendo que não aceitamos a tese do marco temporal.”

Para Adriano, o que se fez, ao reduzir a área da TI na demarcação, foi “premiar os invasores, como sempre”. Os loteamentos, afirma, são frutos da ação de pessoas e grupos com poder econômico e de influência, para o cultivo de soja e café, mas também para a pecuária, com “bois piratas”, e a piscicultura, que surgem depois que os invasores extraem madeira para repassar a serrarias da região.  Um dos pastos, acrescenta ele, que sobrevoou a área no ano passado, fica a apenas três quilômetros.

“Eles dizem que é o pequeno agricultor. O pequeno agricultor, na região, não consegue destruir o tamanho da floresta que ele destruiu, até porque não tem corpo técnico nem orçamento para isso. Então, é uma mentira que esse povo está vendendo. É peixe grande, porque, se você for ver, como é que o pequeno agricultor, que tem renda de até R$ 3 mil, vai abrir uma estrada no meio da Floresta Amazônica, no meio do nada, de quilômetros e quilômetros, sem máquina pesada? Dentro de três meses, é isso que eles fazem. Então, essa mentira cai por terra. Há, por trás disso, grandes autoridades”, afirma Adriano. Ele cita as articulações do governo e da Assembleia Legislativa de Rondônia para reduzir a área de unidades de conservação, como ocorreu com o Projeto de Lei Complementar 080/2020, que previa a exclusão de 171 mil hectares da Reserva Extrativista Jaci-Paraná, reduzindo-a em quase 90%, e a retirada de 55 mil hectares do Parque Estadual de Guajará-Mirim. “E essas unidades estão no entorno das terras indígenas, não só a dos karipuna”.

O líder indígena comenta que já aconteceu de autoridades envolvidas com os invasores mandarem a ele recados de ameaça, como também a companheiros seus, e de tentarem colocá-lo no centro de emboscadas, que sempre falharam. Para tentar surpreendê-lo, os invasores chegaram a derrubar árvores no trajeto que faz até a aldeia, para deixá-lo mais vulnerável e impedi-lo de escapar.

“A minha visão, com relação a tudo isso, é que o governo brasileiro, e aí eu digo estadual e federal, cumpriu pouca coisa quanto à proteção do território indígena karipuna, a integridade física dos karipuna, porque nós já sofremos ameaças”, declara.

“Nós, karipuna, estamos nos sentindo muito cansados, porque não há mais como denunciar ao Ministério Público Federal (MPF). Nós ajuizamos ação civil pública, que até agora não foi cumprida”, conta, em relação à ação aberta, em 2018, contra a União, a Funai, o Ibama e o governo de Rondônia, por meio da qual pressionaram para garantir o afastamento dos invasores e a reativação do posto de vigilância. “Há 89 cadastros rurais [propriedades que constam do Cadastro Ambiental Rural] e já tem o nome das pessoas. Isso está na Justiça.”

O constante estado de prontidão e luta tem provocado exaustão em Adriano. “Eu sempre digo, parem de romantizar a luta dos povos indígenas que estão sofrendo. Estou revoltado, porque espero há muito tempo.”

Solidão na luta

Apesar da ausência do Poder Público no território dos karipuna, há figuras que estendem a mão, buscam fortalecer o apoio em tarefas do dia a dia e compor, com eles, a frente de resistência, denunciando o que acontece e atenuando a sensação de desamparo. É o caso da irmã catequista franciscana Laura Vicuña, do Cimi e do MPF, que têm se somado ao coro que pede providências com urgência. A Embaixada da Alemanha também contribuiu, a partir da instalação de aparatos de energia solar na aldeia Panorama.

“De 2015 para cá, o povo vem sofrendo muitas invasões, sobretudo na época da PEC [Proposta de Emenda Constitucional] 2015”, recorda Laura, em referência à proposta do  deputado federal Almir Sá (PP-RR), que pretendia deixar, exclusivamente ao Congresso Nacional a competência de realizar processos de demarcação de territórios indígenas e quilombolas. “O que mais preocupa é a grilagem de terra, em que os invasores buscam legitimar a posse, inclusive com delegações indo a Brasília.”

A missionária lembra ainda que, no auge da pandemia de covid-19, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, em atendimento à Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, movida pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a retirada dos invasores da TI Karipuna, em agosto de 2020. A determinação foi novamente ignorada.

“Você vai a uma aldeia nova que o povo estava querendo começar. Na porta da casa, está escrito: Amigo, fica de boa, tá? Isso é uma ameaça velada. Área desmatada de um lado, área desmatada de outro e esse recado na porta”, conta Laura.

André Karipuna diz que os dias, hoje são preenchidos por aflição, diferentemente do que viveu quando tinha menos idade. “O que eu tinha quando era criança era muita alegria, paz, muito sossego. Porque eu era criança, mas também porque o nosso território não era invadido. Tinha os órgãos competentes muito fortalecidos, e jamais eu esperava e pensava que isso ia acontecer. Era muito boa a minha infância, creio eu, como todos nós, karipuna. Não tinha esses problemas todos no dia a dia e no território.”

O outro lado

Em resposta a solicitação da Agência Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que “a retirada dos invasores da TI Karipuna faz parte do plano de desintrusão apresentado pelo governo federal no âmbito da ADPF 709”. “O plano envolve a articulação de diversos órgãos, assim como ocorreu na TI Yanomami, e será executado de acordo com o pactuado nessa ação. A Polícia Federal segue investigando e apurando denúncias de invasão no território para assegurar o cumprimento da lei.”

Em nota, a Santo Antônio Energia afirma que “nenhuma terra indígena sofre impacto direto pela implantação da hidrelétrica”, que já implementou ações “que minimizam possíveis impactos indiretos” à TI Karipuna e aguarda tramitação da segunda fase do planejamento para colocá-la em prática. “A Terra Indígena Karipuna (aldeia Panorama) está localizada a cerca de 20 quilômetros do reservatório da Hidrelétrica Santo Antônio e, portanto, não há possibilidade de ter sido afetada por sua implantação ou operação. Uma estação de monitoramento no Rio Jaci-Paraná, em um ponto entre a terra indígena e o distrito de Jaci-Paraná, indica que houve aumento significativo da vazão, resultante das fortes chuvas ocorridas. O alagamento na região foi causado pela limitação de escoamento do solo em casos de chuvas atípicas, resultando no transbordamento da calha do rio”, destaca na nota.

Agência Brasil também procurou a Funai, o Ibama, o governo de Rondônia e a administração da usina hidrelétrica de Jirau, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem.