Assim como diz uma canção de Raul Seixas, a história da obstetra Patrícia Lima é marcada pela ideia de que um “sonho que se sonha junto é realidade”. Formada na Universidade de Pernambuco (UPE), a médica tomou posse, na terça-feira (27), como servidora da Secretaria de Saúde do Recife, e passou a trabalhar na mesma unidade onde a mãe, Edilene, atua há 23 anos como auxiliar de serviços geral.
Patrícia contou que foi a primeira pessoa da família a chegar ao ensino superior. Por isso, a escolha pela Policlínica e Maternidade Professor Arnaldo Marques, no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife, teve um significado especial. Foi nessa unidade de saúde que a mãe construiu parte da trajetória que possibilitou às duas filhas seguirem os próprios sonhos.
“Eu tinha feito esse concurso em 2024 e já sabia que era para as maternidades do Recife. […] Quando foi no sábado, eu recebi a ligação da área de saúde para escolher a lotação e ela falou que tinha vaga para lá. Prontamente eu escolhi a maternidade porque é onde minha mãe trabalha há 23 anos e criou eu e minha irmã a partir dela, então é muito simbólico estar voltando para lá”, contou Patrícia.
Embora não tenha conseguido concluir os estudos, Edilene sempre incentivou as filhas a investir na educação. Antes de trabalhar na maternidade, ela fazia serviços de faxina. A oportunidade de ingressar na unidade de saúde trouxe mais estabilidade para a família e ajudou a garantir que Patrícia e a irmã pudessem se dedicar aos estudos, sem precisar trabalhar para ajudar nas despesas de casa.“Minha mãe só fez até a sexta série [o equivalente, atualmente, ao 7º ano do Ensino Fundamental]. Então, ela não foi uma mãe, assim, de ensinar a gente a estudar, mas ela sempre incentivou que a gente seguisse nossos sonhos, nunca exigiu da gente de trabalhar, sempre”, disse Patrícia.
A aprovação no concurso foi motivo de emoção em casa. Patrícia queria fazer uma surpresa para a mãe e só contar que havia escolhido a maternidade quando tivesse a lotação confirmada, mas a informação chegou antes por meio de colegas que trabalham na unidade.
“Eu queria dizer para ela só quando eu confirmasse mesmo que eu ia para lá. Só que as notícias se espalham, muita gente conhece a gente e trabalha lá na maternidade e falaram: ‘Ah, Patrícia, eu vi seu nome, você passou no concurso’. Aí, mainha: ‘Como assim?’. Depois eu fui dizer para mãe: ‘Ô, mãe, eu não lhe disse, porque eu queria fazer surpresa’, mas aí todo mundo já está sabendo”, afirmou.





