A gestão do prefeito de Colorado do Oeste, Edinho da Rádio, enfrenta uma de suas maiores crises administrativas. De acordo com uma carta aberta divulgada nas redes sociais por servidores públicos municipais, o salário referente ao mês de dezembro ainda não foi pago, gerando revolta, insegurança financeira e forte insatisfação entre os trabalhadores que mantêm o funcionamento da máquina pública.
Na carta, os servidores apontam grave inversão de prioridades por parte da administração municipal. Segundo apurou esse Folha dos Municípios, enquanto o funcionalismo segue sem receber, a prefeitura teria ampliado gastos com a contratação de empresas terceirizadas e o inchaço do quadro de cargos comissionados, muitos deles, conforme relatam servidores municipais, ligados a vereadores e deputados que dão sustentação política ao prefeito.
A indignação aumentou após a realização de uma grande festa de Réveillon, promovida pelo município. O evento contou com queima de fogos, contratação de músicos, estrutura de palco e ampla divulgação publicitária, tudo custeado com recursos públicos. O próprio prefeito afirmou, em entrevista a uma emissora de rádio, que se tratava do maior Réveillon já realizado na cidade. Para os servidores, o contraste entre a ostentação do evento e o atraso salarial escancara o desrespeito com quem garantiu, ao longo do ano, o funcionamento dos serviços públicos. “Não somos contra eventos, mas é inadmissível que falte dinheiro para pagar salários enquanto há recursos para festas e publicidade”, destaca um trecho da carta aberta.
Câmara Omissa
A situação se agrava, segundo apuração da reportagem, pela postura omissa da Câmara Municipal. Vereadores não teriam adotado medidas efetivas para cobrar explicações ou soluções do Executivo. Pelo contrário: há relatos de que parlamentares mantêm laços estreitos com o prefeito, com indicações de servidores em diversas secretarias, o que contribui para o aumento da folha de pagamento — hoje sem previsão concreta para ser quitada.

Outro ponto sensível levantado nos bastidores é o papel da imprensa local, que, conforme críticas recorrentes de moradores e servidores, teria deixado de exercer sua função fiscalizadora. Para muitos, um jornal que antes atuava de forma independente estaria hoje alinhados à gestão, “amarrados ao Titanic do prefeito”, como descreveu um servidor, navegando junto em um governo sem rumo, sem planejamento e sem gestão eficiente.
Até o momento, a Prefeitura de Colorado do Oeste não se manifestou oficialmente sobre o atraso salarial nem sobre as denúncias apresentadas na carta aberta. Os servidores afirmam que continuarão mobilizados e não descartam novas medidas caso a situação persista.
Comércio
A falta de pagamento dos salários já começa a refletir diretamente na economia local. Comerciantes de Colorado do Oeste relatam queda nas vendas, especialmente nos primeiros dias do ano, período tradicionalmente aquecido pelo pagamento do funcionalismo. Sem o dinheiro em circulação, o comércio sente o impacto imediato, afetando pequenos empreendedores, prestadores de serviços e toda a cadeia econômica do município.
A reportagem ressalta que o espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos por parte da Prefeitura de Colorado do Oeste, do prefeito Edinho da Rádio e demais gestores citados. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não houve qualquer posicionamento oficial sobre o atraso no pagamento dos salários nem sobre as denúncias apresentadas pelos servidores.
Enquanto isso, cresce o sentimento de abandono e descrédito entre aqueles que sustentam o serviço público municipal, em um cenário que expõe fragilidades administrativas e políticas que colocam Colorado do Oeste em rota de colisão com sua própria governabilidade.
Veja a carta de repúdio à gestão Edinho da Rádio

Fonte: Folha dos Municípios





