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22 outubro 2026

Racismo e estupro: mais uma candidata do PT ameaçada

A candidata do PT a deputada federal por Minas Gerais Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, denunciou ameaças racistas de morte e estupro recebidas por e-mail na manhã de sábado (05). Natural de Divinópolis, ela levou as mensagens às autoridades como notícia de crime.

O autor dos e-mails se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco, citou dados pessoais da candidata e ameaçou também familiares dela. As mensagens continham ofensas raciais, ameaças explícitas de violência sexual e morte e referências a grupos extremistas.

A Polícia Militar registrou o caso na 142ª Companhia como ameaça, prevista no artigo 147 do Código Penal, e injúria racial. Ana Elisa compareceu a uma base comunitária móvel, apresentou capturas de tela dos e-mails e relatou ter recebido anteriormente outra mensagem de teor semelhante.

O boletim aponta que o crime ocorreu por meio eletrônico, pela internet ou SMS. Por segurança e para não prejudicar a investigação, a campanha decidiu não divulgar a íntegra dos textos nem identificar publicamente o grupo mencionado pelo autor.

Mensagem recebida pela Ana Elisa Santos Silva. Foto: Divulgação

Em parecer assinado pela advogada Maria Júlia A. Alvim, da equipe jurídica da campanha, a defesa sustenta que o episódio não representa debate político, mas reúne indícios de ameaça, racismo e violência política de gênero.

A legislação eleitoral prevê violência política de gênero quando uma agressão busca impedir ou restringir a participação de mulheres na política em razão de seu gênero. A análise jurídica aponta que a violência racial agrava o caso contra a candidata negra.

A campanha afirmou que as providências policiais e judiciais cabíveis já começaram, inclusive para tentar identificar o responsável pelos e-mails. O parecer destaca que registros técnicos podem ajudar a localizar quem usa o anonimato para ameaçar, perseguir ou intimidar pessoas na internet.

A equipe de Ana Elisa declarou que não aceitará racismo, ameaça, violência sexual ou violência política de gênero como práticas normais da vida pública. Os advogados também se colocaram à disposição para trocar informações com outras candidatas que tenham recebido ameaças semelhantes.

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