Midia Rondônia – Enquanto o processo eleitoral dominava o debate público em Rondônia, uma das principais pautas ambientais do estado acabou ficando em segundo plano: a forte estiagem que vem reduzindo o nível do rio Madeira. Agora, o tamanho do problema começa a ficar evidente nas imagens de grandes praias e bancos de areia surgidos em trechos onde antes havia apenas água.
Em Porto Velho, a seca levou a Prefeitura a decretar situação de emergência, classificada como desastre de nível II, abrangendo áreas do Alto, Médio e Baixo Madeira. O levantamento oficial aponta 7.442 famílias afetadas, aproximadamente 22.962 pessoas, distribuídas em 85 localidades rurais, ribeirinhas e indígenas.
Rio mais de um metro abaixo do esperado
A situação é considerada ainda mais preocupante porque o nível do Madeira está abaixo do que normalmente seria esperado para esta época do ano. Dados do SipamHidro, plataforma do Censipam, apontaram que o rio chegou a 2,62 metros na terça-feira (6), enquanto a média esperada para o período é de aproximadamente 3,9 metros.
O período de estiagem entre julho e novembro faz parte do chamado verão amazônico e ocorre regularmente na região Norte. Neste ano, porém, a intensidade da redução do nível do Madeira vem provocando impactos que vão muito além da mudança na paisagem.
Desde 1º de outubro, quando o rio ainda havia alcançado a marca de 3 metros, o nível vem apresentando queda contínua. Com a redução do volume de água, bancos de areia de grandes proporções passaram a aparecer no leito do rio, alterando completamente a paisagem de Porto Velho.
Ribeirinhos sem água
O impacto mais grave está longe do centro urbano da capital. Comunidades localizadas no Alto, Médio e Baixo Madeira dependem diretamente do rio para abastecimento, transporte e outras atividades do cotidiano.
Segundo a Defesa Civil, moradores de diversas localidades não possuem acesso à rede de água encanada e dependem de poços artesianos. Com o avanço da estiagem, algumas dessas fontes também secaram, aumentando a dificuldade para garantir água às famílias.
A redução do nível do rio também compromete a navegação. Os ribeirinhos que dependem de embarcações para se deslocar encontram bancos de areia e trechos cada vez mais rasos, dificultando o acesso a comunidades e serviços.
Fenômeno climático agrava cenário
O diretor executivo da Superintendência Municipal de Proteção e Defesa Civil, Marcelo Duarte, afirmou que a estiagem deste ano foi agravada pela influência do El Niño. Segundo ele, embora a seca seja um fenômeno recorrente durante o verão amazônico, as condições atuais intensificaram os impactos sobre as comunidades.
A Prefeitura de Porto Velho informou que o decreto de emergência permite a adoção de medidas para enfrentar os efeitos da estiagem, incluindo ações para garantir o abastecimento de água potável por meio de caminhões-pipa e embarcações, além da busca por apoio dos governos estadual e federal.
Uma paisagem que revela a dimensão da seca
As imagens registradas pela Defesa Civil mostram um cenário que chama atenção: extensas faixas de areia ocupam espaços que normalmente estão cobertos pelas águas do Madeira.
O contraste evidencia a dimensão da estiagem e transforma a paisagem de Porto Velho. Mas, por trás das praias que chamam a atenção pelas imagens, existe uma realidade mais preocupante: milhares de pessoas enfrentando dificuldades para obter água e se deslocar.
Com o período de seca ainda em andamento, o desafio para o poder público é acompanhar a evolução do nível do rio e garantir assistência às comunidades que dependem diretamente do Madeira para sobreviver
Fotos: Defesa Civil







