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Porto Velho
31 janeiro 2026

Ozempic genérico deve democratizar canetas emagrecedoras

O mercado de medicamentos emagrecedores no Brasil deverá passar por uma transformação significativa com a queda da patente do Ozempic, princípio ativo da semaglutida, prevista para ocorrer em março. Essa mudança permitirá a entrada de versões genéricas e similares, com preços estimados entre 30% e 50% mais baixos, o que deve expandir o acesso a essas drogas no país. A UBS BB Corretora prevê que o faturamento das drogas, conhecidas como agonistas de GLP-1, pode alcançar R$ 20 bilhões em 2026, quase o dobro dos R$ 11 bilhões projetados para 2025.

Atualmente, apenas 1,1% dos adultos com sobrepeso e 2,5% dos obesos utilizam medicamentos como o Ozempic no Brasil. Em comparação, nos Estados Unidos, a taxa de uso de medicamentos para emagrecimento chega a 4,4% entre pessoas com sobrepeso e diabetes. O lançamento dos genéricos pode melhorar o acesso a esses tratamentos, mas especialistas apontam que o impacto será restrito às classes A e B, devido ao custo mesmo com a redução de preços. O endocrinologista Bruno Geloneze, da Unicamp, alerta que a redução de preços deve ser acompanhada de programas integrados de saúde para garantir eficácia.

O uso de medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy tem ganhado destaque no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. A entrada de genéricos pode trazer uma oportunidade de democratizar o acesso a esses tratamentos, com empresas como EMS, Eurofarma e Hypera já investindo na produção dessas versões. No entanto, o preço de uma caixa desses medicamentos pode variar entre R$ 900 e R$ 3.000, uma barreira para grande parte da população. Embora a redução de preços ajude, ainda é incerto se esses medicamentos serão incluídos no Sistema Único de Saúde (SUS).

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) já rejeitou a oferta da semaglutida para obesidade em 2025, alegando impacto orçamentário. No entanto, o surgimento dos genéricos pode reabastecer o debate sobre a inclusão de medicamentos no SUS, especialmente porque as versões mais baratas podem diminuir a pressão sobre os gastos públicos. O governo brasileiro, por meio de uma parceria com a Fiocruz, está buscando alternativas para tornar os medicamentos mais acessíveis, com estudos para a produção local desses fármacos.

Castelo Mourisco, sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro

Além do SUS, os planos de saúde também têm enfrentado dificuldades em cobrir tratamentos com canetas emagrecedoras. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025 endureceu as regras para a cobertura de medicamentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso levou muitas pessoas a recorrerem à Justiça para obter acesso a esses tratamentos. De acordo com dados de ações judiciais entre 2023 e 2025, 67% das ações são contra o SUS e 30% contra planos de saúde.

Em relação à segurança, o uso inadequado dessas canetas também preocupa, especialmente no caso de produtos irregulares e manipulados de forma inadequada. A Polícia Federal realizou uma operação contra uma rede clandestina de canetas com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, com apreensão de medicamentos e outros materiais. A Anvisa tem intensificado a fiscalização sobre a comercialização de versões não testadas desses medicamentos, buscando garantir a segurança dos consumidores.

O uso de canetas emagrecedoras fora das indicações, como para emagrecimento sem acompanhamento médico adequado, também tem aumentado os riscos de efeitos colaterais graves, como constipação severa e deficiência nutricional. Especialistas afirmam que, para garantir a eficácia do tratamento, é necessário um acompanhamento nutricional rigoroso, além da promoção de mudanças no estilo de vida.

O mercado de canetas emagrecedoras deve continuar a crescer com o avanço das novas moléculas em desenvolvimento, como o retatrutide da Eli Lilly, que promete melhores resultados do que as opções atuais. A disputa por esse mercado ainda está em seus estágios iniciais, com a entrada dos genéricos e o avanço das novas terapias, o que pode trazer mudanças significativas no tratamento da obesidade no Brasil. (DCM)

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