Os principais “jornalões” de Rondônia, veículos historicamente apontados por críticos como tendo forte ligação econômica com a mídia institucional do Governo do Estado, passaram a anunciar com destaque, nesta segunda-feira (12), que o governador Marcos Rocha (União Brasil) não deverá concorrer a nenhum cargo eletivo nas eleições de 2026.
A informação foi divulgada após entrevista concedida por Rocha a um programa de televisão, na qual o governador afirmou que não pretende disputar outro mandato. Questionado sobre a possibilidade de mudar de ideia, foi direto ao declarar que “dificilmente volta atrás de uma decisão”, frase que ganhou ampla repercussão nesses veículos.
A cobertura homogênea e o tom adotado por parte da grande mídia rondoniense reacenderam discussões nos bastidores políticos e jornalísticos sobre o grau de independência editorial de alguns desses meios, frequentemente associados a contratos de publicidade institucional e verbas de comunicação do Executivo estadual. Para analistas, o destaque dado à declaração do governador pode estar inserido em uma estratégia de construção de narrativa política antecipada para o cenário de 2026.
Marcos Rocha está à frente do governo desde 2019 e comandou o Estado em um período marcado por grandes desafios, como a pandemia da covid-19. Apesar das críticas e falhas apontadas por opositores, sua gestão também é lembrada por ações voltadas ao fortalecimento do agronegócio, investimentos em tecnologia na segurança pública e a ampliação de programas sociais.
Ao anunciar que não pretende disputar as próximas eleições, Rocha abre espaço para novas lideranças e rearranjos dentro do próprio União Brasil e de partidos aliados, o que pode alterar significativamente o tabuleiro político rondoniense. Nos bastidores, entretanto, há quem avalie que a declaração ainda pode fazer parte de um jogo político e que o governador mantém influência direta na sucessão estadual.
Enquanto isso, a postura dos grandes veículos de comunicação do estado volta ao centro do debate, reforçando questionamentos sobre o papel da mídia regional, seus vínculos econômicos com o poder público e a necessidade de uma cobertura mais plural e independente em um momento decisivo para o futuro político de Rondônia.
Folha dos Municípios






