A Polícia Militar de Rondônia enfrenta um cenário de déficit histórico de efetivo que vem impactando diretamente o policiamento ostensivo em todo o estado. Embora a corporação devesse contar com 8.364 policiais militares em seus quadros, atualmente possui cerca de 4.710 integrantes, resultado de mais de uma década sem concursos públicos suficientes para recompor a tropa.
Dados oficiais do Governo de Rondônia divulgados na imprensa apontam que, desse total, 463 policiais militares estão cedidos para atuação em outros órgãos públicos. A lista inclui servidores lotados na Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público, Casa Militar, Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), prefeituras, secretarias estaduais e outras instituições.
Além das cessões, a corporação enfrenta outros fatores que reduzem o número de policiais disponíveis para o patrulhamento diário. Em média, cerca de 400 militares entram em férias todos os meses. Há ainda afastamentos por problemas de saúde, incluindo transtornos psicológicos, além de licenças administrativas e afastamentos operacionais.
Na prática, informações internas indicam que aproximadamente 700 policiais militares permanecem diariamente em atividade operacional para atender os 52 municípios rondonienses. O número é considerado reduzido diante da extensão territorial do estado, do crescimento populacional e da demanda por segurança pública.
Os 463 policiais cedidos representam cerca de 66% do efetivo operacional diário estimado. Em termos comparativos, esse contingente seria suficiente para compor um batalhão inteiro da Polícia Militar.
A distribuição dos militares cedidos revela a presença de servidores em diferentes níveis hierárquicos. Entre eles estão 7 coronéis, 15 tenentes-coronéis, 6 majores, 5 capitães, 11 tenentes, 24 subtenentes, 78 primeiros-sargentos, 77 segundos-sargentos, 151 terceiros-sargentos e 89 cabos.
A Casa Militar concentra o maior número de policiais cedidos, com 131 militares. Em seguida aparecem a Sesdec, com 108; a Assembleia Legislativa de Rondônia, com 56; o Tribunal de Justiça, com 43; e o Ministério Público de Rondônia, incluindo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com 37 policiais.
A Assembleia Legislativa, sozinha, mantém 56 policiais militares cedidos. O grupo é composto por um tenente-coronel, dois subtenentes, dez primeiros-sargentos, cinco segundos-sargentos, dezesseis terceiros-sargentos e vinte e dois cabos.
O número de policiais cedidos ao Legislativo estadual supera o efetivo operacional diário disponível em muitos municípios do interior do estado, levantando debates sobre a destinação dos recursos humanos da segurança pública e a necessidade de reforço no policiamento ostensivo.
Enquanto isso, especialistas e representantes da área de segurança defendem a realização de novos concursos públicos e a recomposição urgente dos quadros da Polícia Militar para garantir maior presença policial nas ruas e melhorar a capacidade de resposta às demandas da população.





