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Porto Velho
4 novembro 2026

Governador inviabiliza futuro de Luana Rocha ao ficar no cargo

A decisão do governador Marcos Rocha de permanecer no comando do Palácio Rio Madeira até o fim do mandato não apenas definiu seu próprio destino político em 2026, como interrompeu uma trajetória que Rondônia esperava ver chegar a Brasília. Ao abrir mão de uma candidatura praticamente certa ao Senado, Marcos Rocha também selou a não candidatura de Luana Rocha à Câmara Federal — uma ausência que pesa mais do que qualquer cálculo eleitoral. Não se trata apenas de uma escolha pessoal ou familiar, mas de uma perda concreta para o estado, que deixa de levar ao Congresso uma das gestoras públicas mais eficientes de sua história recente.

Luana Rocha não era apenas uma candidata em potencial — era uma candidatura construída em resultados. À frente da Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social desde 2019, ela transformou políticas públicas em números que falam por si: mais de 4,3 milhões de refeições do Prato Fácil, 10 mil pessoas capacitadas pelo Vencer, 5 mil famílias atendidas pelo Meu Sonho, quase mil mulheres resgatadas da violência pelo Mulher Protegido e 8.500 gestantes amparadas pelo Mamãe Cheguei. Poucos nomes da política rondoniense chegariam a uma disputa federal com tamanho lastro administrativo, social e humano — e menos ainda com reais chances de sair das urnas como a deputada federal mais bem votada do estado.


Essa expectativa não existia apenas nos bastidores políticos. Ela se manifestava, diariamente, nas redes sociais. Com quase 24 mil seguidores, Luana construiu uma relação direta com a população, respondendo cobranças, prestando contas e sendo chamada, espontaneamente, de “nossa deputada federal”. Comentários que expressavam esperança, identificação e orgulho agora carregam outro sentimento: frustração. A voz que muitos imaginavam ver defendendo Rondônia nos corredores de Brasília simplesmente não estará lá. E isso não é simbólico — é prático, político e profundamente real.

Ao decidir não deixar o governo nas mãos do vice, alegando traição política, Marcos Rocha fez uma escolha compreensível sob o ponto de vista da governabilidade. Mas o custo dessa decisão ultrapassa seu mandato. Ela retirou de Rondônia a chance de ampliar sua representação com uma mulher preparada, experiente e conectada com quem mais precisa do Estado. Em um Congresso que ainda carece de mulheres com vivência executiva concreta, Luana seria exceção — e justamente por isso, faria falta desde o primeiro dia.

Luana seguirá em Rondônia, trabalhando, entregando e transformando vidas, e isso é, sem dúvida, positivo para quem depende diretamente de seus programas. Mas há um vazio que permanecerá. Toda vez que uma pauta social exigir articulação federal, toda vez que Rondônia precisar de alguém que conheça, na prática, o chão da assistência social, a ausência será sentida. Não porque Luana deixou de ir a Brasília, mas porque Rondônia deixou de levá-la.

Quando uma mulher como Luana Rocha não ocupa uma cadeira na Câmara Federal, não é apenas um projeto político que é interrompido. É uma esperança que fica pelo caminho. É uma oportunidade que não volta. E é um estado inteiro que perde a chance de ser representado por quem já provou, com trabalho e resultados, que estava pronta para ir além. Em 2026, a história registrará essa escolha. Mas o sentimento de perda, esse Rondônia já sente agora.

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