Uma pesquisa eleitoral divulgada por um segmento da imprensa de Rondônia tem gerado questionamentos no meio político ao apresentar o pré-candidato ao Senado Bruno Bolsonaro Scheid, conhecido como “Bolsonaro de RO”, na liderança da disputa, enquanto ignora nomes já colocados no cenário eleitoral, entre eles a engenheira Anandreia Trovó, do PSOL, e a jornalista Luciana Oliveira, ligada ao PT, legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a sondagem estimulada — modalidade em que os nomes são apresentados previamente aos entrevistados — Bruno Scheid aparece com 32,1% dos votos válidos. Na sequência surgem Fernando Máximo com 28%, Sílvia Cristina com 13,7%, Mariana Carvalho com 10%, Acir Gurgacz com 6,3%, Neidinha Suruí com 3,1%, Amir Lando com 2,7%, João Cipriano com 2,2% e Luís Fernando com 1,8%.
O levantamento, porém, deixou de fora tanto o PSOL quanto o PT, partidos que já articulam oficialmente pré-candidaturas ao Senado em Rondônia. Integrantes das legendas avaliam recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia questionando a ausência dos nomes na pesquisa. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Veritá, realizado com 1.220 eleitores em Rondônia.
Aliados afirmam que a exclusão de Anandreia Trovó e Luciana Oliveira compromete a pluralidade do levantamento e invisibiliza setores políticos ligados às pautas ambientais, defesa dos povos da floresta, povos originários, direitos civis, inclusão social, democracia e políticas voltadas às mulheres.
Escândalo Master
Outro ponto que chama atenção é que o mesmo segmento da imprensa que vem dando ampla divulgação à pesquisa tem evitado repercutir o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, principal nome nacional do PL, partido ao qual Bruno Scheid está politicamente associado.
Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro foi flagrado pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em investigações relacionadas à corrupção bilionária e lavagem de dinheiro.
O caso ganhou ainda mais repercussão após Flávio admitir, durante entrevista à GloboNews, que os R$ 61 milhões pagos por Vorcaro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, foram destinados a um fundo administrado nos Estados Unidos por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.
Enquanto o escândalo nacional envolvendo integrantes da família Bolsonaro segue repercutindo em veículos independentes e redes sociais, setores da imprensa local concentram espaço na divulgação da liderança de Bruno Scheid nas pesquisas, sem abordar as denúncias que atingem diretamente o principal grupo político ao qual o pré-candidato está vinculado.





