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25 outubro 2026

Trump ataca Brasil e o Pix para eleger Flávio Bolsonaro

Como esperado, o governo Donald Trump deu uma porrada em empresas e empregos brasileiros ao confirmar o tarifaço de 25% sobre uma parcela de nossas exportações para lá. O motivo principal não é comercial, mas geopolítico. Os EUA querem dobrar o Brasil, obrigando-nos a jogar o Pix no lixo, dar salvo-conduto às Big Techs e eleger Flávio Bolsonaro — que já mostrou que abraçaria o “America First”. Brasil? Maybe Later.

Nesse sentido, pouco adiantaram as tentativas de negociação realizadas por diplomatas, técnicos, políticos e empresários brasileiros e norte-americanos. Diante de argumentos, não há fatos que resistam. A Casa Branca reclamou do desmatamento brasileiro usando dados antigos, ignorando que a taxa de perda florestal é a menor em muitos anos. Tampouco adiantou mostrar que empresas norte-americanas de cartão de crédito estão ganhando mais após o Pix ter sido implementado.

É uma encenação bastante chulé afirmar que o Brasil causa prejuízos ao comércio norte-americano, uma vez que somos deficitários na balança comercial com os Estados Unidos há mais de 15 anos. Ou seja, pagamos muito mais bilhões do que ganhamos.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, liderada por Paulo Skaf, que faz oposição sistemática ao governo federal, nem corou ao reclamar que o Brasil está “desalinhamento político com Washington”. Uma forma bonita de falar de defender subordinação. A crítica, pelo menos, é mais elegante do que a declaração da diretora-executiva da Fiesp que atacou o fim da escala 6×1 em audiência no Senado porque, segundo ela, a mudança vai impedir que as brasileiras tenham um salão de beleza disponível aos sábados.

É bastante reveladora a postagem no X feita pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio após o tarifaço ter sido divulgado. “No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”, disse. Ou seja, o governo brasileiro se negou a ficar de joelhos.

 

Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro, que foi a Washington, segundo ele, para defender os interesses do Brasil, pediu a Rubio a “suspensão” do tarifaço até que ele pudesse ganhar as eleições. Isso mesmo: não foi o fim, mas a suspensão. Confessou que a medida ajudaria Lula ao lhe entregar o discurso da defesa da soberania nacional. Foi aos EUA para defender sua candidatura. Como já dito: Brasil? Maybe Later.

Como trouxe Mariana Sanches, aqui no UOL, Trump deixou de fora produtos que podem afetar a inflação nos Estados Unidos, como carne bovina e café. Cerca de 20% das exportações brasileiras para lá deverão ser afetadas. Ainda assim, é muito, mas governo e setor produtivo vão ter que dar uma rebolada novamente para encontrar escoamento, seja em outros países, seja no mercado interno.

O tarifaço entra em vigor no próximo dia 22 de julho, durante o início das convenções particulares que escolherão oficialmente os candidatos e candidatas à Presidência da República. A medida é uma clara tentativa de interferência no resultado das eleições, buscando pintar o continente americano de laranja.

Pelo menos, as coisas são mais transparentes do que na época da Guerra Fria, quando o governo dos Estados Unidos interferia em outros países sem ações tão claras para derrubar governos e colocar seus fantoches. Mas esta não será a última ação. A eleição está apenas começando.

Trump não está cobrando uma dívida comercial, mas tentando cobrar do Brasil obediência política. E Flávio Bolsonaro já avisou que aceita pagar a conta, desde que o seu pagamento seja depositado nas urnas.

Por Leonardo Sakamoto

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