A cobrança de pedágio nas rodovias federais de Rondônia, projeto implantado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro com apoio dos parlamentares do estado em Brasília, tem se consolidado como a principal dor de cabeça da população rondoniense neste começo de ano. O tema tem provocado forte reação popular, especialmente entre caminhoneiros, produtores rurais e usuários da BR-364, principal eixo de ligação e escoamento da produção no estado.
O processo de concessão da BR-364 teve início ainda no governo Bolsonaro, quando o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, incluiu a rodovia no radar nacional de privatizações. Em 2019, o governo federal chegou a realizar leilões de lotes rodoviários, dando os primeiros passos para a concessão do trecho em Rondônia.
Dentro desse contexto, foi estruturado o projeto denominado “Rota Agro Norte”, que prevê a concessão de 686,7 quilômetros da BR-364, no trecho que liga Vilhena a Porto Velho. A proposta avançou tecnicamente ao longo dos anos e foi desenhada como uma concessão de longo prazo, com duração prevista de 30 anos, incluindo a implantação de praças de pedágio ao longo da rodovia.
A medida, no entanto, sempre encontrou resistência no estado, por envolver a principal via de circulação de mercadorias, alimentos, combustíveis e insumos agrícolas, além de ser fundamental para a mobilidade da população rondoniense.
Diante da crescente insatisfação popular, o senador Jaime Bagattoli (PL) anunciou que irá solicitar à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a suspensão da cobrança do pedágio. O anúncio foi feito por meio das redes sociais do parlamentar, que relembrou ter se posicionado contra a privatização da BR-364 desde o primeiro ano de seu mandato, ainda em 2023.
Bagattoli também alertou para os impactos econômicos da cobrança, destacando que o pedágio deve refletir diretamente no aumento do preço dos alimentos e de outros produtos essenciais transportados pela rodovia. Segundo ele, os custos adicionais da logística tendem a ser repassados ao consumidor final, pressionando ainda mais o custo de vida da população.
“O pedágio não afeta apenas quem trafega pela rodovia, mas toda a cadeia econômica do estado. O aumento no custo do transporte acaba chegando à mesa do cidadão”, argumentou o senador.
Enquanto o pedido de suspensão ainda será formalizado junto à ANTT, a cobrança de pedágio segue sendo alvo de críticas e mobilização popular, ampliando o debate sobre os impactos sociais e econômicos da concessão da BR-364 em Rondônia.






