A Superintendência Estadual de Gestão dos Gastos Públicos Administrativos (Sugesp) pediu a criação de uma comissão específica para investigar possíveis irregularidades na aplicação de verbas publicitárias do Governo de Rondônia até o ano de 2025. A solicitação foi encaminhada à Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) após decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) e abertura de processos administrativos que analisam contratos de publicidade institucional.
O pedido foi formalizado por meio do Ofício nº 2126/2026/SUGESP-CI, enviado ao secretário Renan Fernandes Barreto, titular da SECOM, com a finalidade de aprofundar a análise técnica sobre contratos firmados pelo Estado.
A iniciativa foi tomada após a Decisão Monocrática DM-0279/2025-GCJVA, proferida no Processo nº 3220/25-TCE/RO, no âmbito do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia.
Embora o Procedimento Apuratório Preliminar (PAP) não tenha sido processado por não atender aos critérios de seletividade, o relator determinou o envio das informações à SUGESP e à Controladoria-Geral do Estado (CGE) para adoção das providências cabíveis.
Com base nessa determinação, foram instaurados os Processos nº 0042.001819/2025-64 e nº 0042.002310/2025-39, com solicitação de esclarecimentos à SECOM sobre a execução dos contratos de publicidade institucional.
Entre os contratos sob análise está o Contrato nº 662/PGE-2021, atualmente em inspeção pela Controladoria-Geral do Estado no Processo nº 0007.001791/2025-91.
O Relatório nº 0062557392 apontou possíveis falhas e recomendou aprimoramento dos controles internos. Entre os achados registrados estão:
- Divergência de informações na seleção de veículos de comunicação;
- Falta de transparência no ranqueamento por número de acessos;
- Ausência de clareza nos critérios técnicos para cadastramento de veículos;
- Possíveis contratações desvantajosas;
- Ausência de relatórios da empresa contratada para checagem de mídia (AdServer);
- Falta de relatórios detalhados sobre pagamentos a fornecedores e veículos;
- Indício de possível contratação desvantajosa.
Um dos pontos destacados envolve diferença significativa no valor de CPM (Custo por Mil Exibições) entre dois veículos contratados na mesma data e para o mesmo formato publicitário. Conforme o relatório técnico, um deles apresentou valor superior a mais do que o dobro do outro.
A situação gerou questionamentos sobre os critérios técnicos utilizados, a justificativa formal da vantajosidade e a observância aos princípios da economicidade e eficiência. A recomendação é que a unidade técnica avalie se há justificativa plausível para a diferença e, em caso de irregularidade, adote as medidas cabíveis.
Diante da complexidade técnica relacionada ao planejamento de mídia institucional, a SUGESP solicitou formalmente que a SECOM designe comissão específica para apurar eventual responsabilidade funcional.
O pedido é assinado por Germano de Sousa Junior, diretor executivo da Sugesp; Adriane Grangeiro de Araújo, controladora interna; e Larissa Fritsch Lemos, assessora.




