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26 setembro 2026

Imprensa submissa ataca o aumento do salário mínimo com fake news

Em editorial na última quinta-feira (25), com o título “A aposta leviana no salário mínimo”, o Estadão mostra mais uma uma vez sua subserviência ao dito “mercado brasileiro” ao atacar a política do governo Lula (PT) de valorização real do salário mínimo. Ao classificar o reajuste acima da inflação como “apelo populista” e “explosão insustentável de gastos”, o texto recorre a uma narrativa elitista e falaciosa que ignora evidências empíricas, dados históricos e o impacto concreto da medida na vida de milhões de trabalhadores.

A tese central do editorial, de que o aumento real do salário mínimo seria responsável por um suposto descontrole fiscal, não se sustenta. O próprio Brasil já viveu longos períodos de valorização do mínimo, especialmente entre 2004 e 2014, com crescimento econômico, queda da desigualdade, redução da pobreza e estabilidade inflacionária.

“Lula empurra País para o abismo ao insistir numa política de reajuste real do salário mínimo que a economia é incapaz de suportar”, argumentou o jornal.

Não houve, naquele ciclo, qualquer “explosão” de gastos públicos nem colapso das contas do Estado provocado pelo salário mínimo. Buscando respaldo para sua tese, o veículo cita 11 economistas, mas todos sob o mesmo viés: José Roberto Mendonça de Barros, Rogério Ceron, Alexandre Schwartsman, Rafaela Vitória, Ana Paula Vescovi, Bruno Funchal, Marcos Mendes, Manoel Pires, Bráulio Borges, Fernanda Guardado e Felipe Salto.

 

A afirmação de que “cada R$ 1 de aumento correspondeu a R$ 388 milhões nas contas públicas” é apresentada de forma alarmista, sem contextualizar que esse valor retorna à economia na forma de consumo, arrecadação e dinamização do mercado interno. Salário mínimo não é despesa improdutiva: é renda que circula, aquece o comércio local, sustenta empregos e amplia a base tributária. Ignorar esse efeito multiplicador é uma escolha ideológica, não técnica.

Também não procede a ideia de que a política de valorização do mínimo seja inflacionária. O Brasil conviveu com aumentos reais do salário mínimo sem repasses automáticos de preços, especialmente quando há capacidade ociosa e mercado de trabalho ainda em recomposição, como ocorre atualmente. A inflação brasileira recente esteve muito mais associada a choques externos, preços administrados e alimentos do que ao rendimento dos mais pobres.

O Estadão cita, por exemplo, que o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga foi execrado pela esquerda após defender o congelamento do salário mínimo mesmo após ter declarado voto no PT em 2022. No entanto, o jornal não menciona que o economista foi contestado até mesmo pelos seus pares da Associação Brasileira dos Economistas pela Democracia (ABED), que repudiou sua ideia classificando-a como “elitista, cruel e inaceitável”.

“O aumento real do salário mínimo foi decisivo para a melhoria da vida de milhões de brasileiros, ajudando a reduzir desigualdades sociais e regionais, além de dinamizar a economia nacional. Atacar essa política é atacar diretamente a população mais pobre e trabalhadora do Brasil”, destacaram os especialistas na nota de repúdio.

Armínio Fraga, ex-presidente do BC. Foto: reprodução

Ataques a Lula

Ao insistir que Lula age movido por “interesse pessoal” e “impacto midiático”, dizendo que o presidente seria “obcecado pela busca de votos”, o editorial do Estadão substitui análise econômica por julgamento político. Valorizar o salário mínimo não é populismo: é política pública redistributiva prevista na Constituição, com impacto direto sobre aposentadorias, pensões e benefícios sociais. Trata-se de uma escolha de modelo de país, não de improviso.

A tentativa de conferir verniz técnico à crítica por meio de uma lista de economistas ignora que não há consenso científico contra o aumento real do salário mínimo. Há, sim, divergências sobre regras de indexação, mas isso não autoriza o jornal a vender como verdade absoluta a ideia de que a política é “inviável” ou “irresponsável”.

O editorial do Estadão, ao defender congelamentos, desvinculações e “terapias de choque”, fala a partir do ponto de vista de quem nunca dependeu do salário mínimo para viver. É uma leitura que naturaliza a compressão da renda dos mais pobres em nome de um ajuste fiscal que poupa o topo e sacrifica a base.

O aumento do salário mínimo promovido pelo governo Lula não empurra o país para o abismo, ao contrário, ajuda a sustentar a economia real e a reduzir desigualdades históricas que o próprio jornal parece confortável em perpetuar.

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DCM

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