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4 outubro 2026

Foto de Flávio com Trump pode ter custado meio milhão de dólares

O senador Flávio Bolsonaro conseguiu na tarde desta terça-feira (26) aquilo que parecia ser o principal objetivo de sua viagem aos Estados Unidos: um retrato ao lado do presidente norte-americano Donald Trump.

A agenda, no entanto, esteve longe de representar uma reunião diplomática robusta ou um encontro político de grande densidade. Segundo relatos de jornalistas brasileiros em Washington, a passagem dos irmãos Bolsonaro pela Casa Branca foi extremamente rápida.

A correspondente da GloboNews Raquel Krähenbühl descreveu a sequência de forma quase burocrática: entrada de Flávio e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, registro de imagens e saída. Já o correspondente da BandNews, Eduardo Barão, afirmou que toda a agenda teria levado aproximadamente dez minutos.

O registro foi feito dentro principal gabinete presidencial. Num outro clique, aparecem o lobista Paulo Figueiredo e seu comparsa Eduardo.

Trata-se de uma tentativa de mudar de assunto. Flávio atravessa uma crise após a repercussão de sua relação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, tema que passou a dominar o noticiário político.

O episódio também expõe uma realidade conhecida nos bastidores da política americana: o acesso a Trump é um ativo financeiro, instrumento de marketing político e é comercializado. Pagou, levou.

Nos Estados Unidos, reuniões rápidas, fotos e momentos privados com o ex-presidente são associados a pacotes de arrecadação milionários destinados a financiar organizações conservadoras e campanhas republicanas. A manobra se chama photo op, contração de photo opportunity.

Um dos exemplos mais explícitos veio à tona recentemente através de um e-mail obtido pela newsletter Popular Information, no Substack. Empresários e grandes doadores conservadores receberam uma proposta para participar de uma experiência VIP com Trump mediante doação de US$ 500 mil ao comitê político da organização de extrema-direita Turning Point USA, TPUSA.

O pacote colocava preço na fotografia agendada para 17 de abril.

O TPUSA foi fundada pelo ativista fascista Charlie Kirk, assassinado durante uma palestra na Universidade do Vale de Utah, em Orem, em novembro. Hoje quem toca é a viúva Erika. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou, em fevereiro de 2023, do evento “Power to the People” (“Poder ao Povo”) em Miami, organizado pelo grupo. Foi saudado por Kirk como um “lutador contra o marxismo”.

Cópia do email com os detalhes do pacote que inclui foto com Trump

Segundo o convite obtido pelo Popular Information, os participantes teriam direito a voo fretado até Phoenix, no Arizona, hospedagem, acesso especial ao comício intitulado “Build the Red Wall” (“Construa a Parede Vermelha”), tour privado pela sede da organização — e, principalmente, um encontro reservado com Trump seguido por uma sessão de fotos.

“Essa experiência incluirá participação em uma breve conversa com o presidente, seguida por uma oportunidade de fotografia”, dizia o e-mail enviado pelo executivo de relações públicas Sinan Kanatsiz.

Embora o evento de Trump em Phoenix fosse aberto gratuitamente ao público, o verdadeiro produto vendido nos bastidores era o acesso exclusivo ao presidente. O mesmo que se passou com Flávio e seu bando.

O ecossistema trumpista transformou esse tipo de acesso em produto de luxo. De acordo com o Popular Information, a oferta circulava de forma reservada entre empresários e aliados políticos selecionados.

No rodapé do convite havia inclusive um aviso em letras maiúsculas: “ESTE E-MAIL É APENAS PARA USO DO DESTINATÁRIO E NÃO DEVE SER COMPARTILHADO — CONFIDENCIAL”.

Trump também vende encontros e jantares em sua propriedade em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida. Segundo o site da revista Wired, líderes empresariais podem garantir um jantar individual com Trump e uma foto pelo valor de US$ 5 milhões.

Convites obtidos pelo site revelam que, em um jantar à luz de velas realizado recentemente, os convidados foram solicitados a investir US$ 1 milhão para reservar um lugar. O texto informava: “Você está convidado para um jantar à luz de velas com o convidado especial, presidente Donald J. Trump. Detalhes adicionais serão fornecidos após RSVP. Os lugares serão preenchidos por ordem de confirmação. Espaço muito limitado. US$ 1.000.000 por pessoa.”

O esquema ainda esclarecia que Trump participaria do evento apenas como palestrante e não estaria solicitando fundos ou doações. O convite trazia o cabeçalho “MAGA INC.”, referência ao Super PAC Make America Great Again Inc, que apoiou a campanha presidencial de Trump em 2024, arrecadando mais de US$ 400 milhões no ano anterior.

Às vezes, a photo op acontece de forma mais prosaica. O biógrafo da família real britânica Robert Hardman se reuniu com Trump no Salão Oval durante a visita de quatro dias do rei Charles e da rainha Camilla aos EUA. No encontro, Hardman presenteou Trump com uma cópia de sua biografia sobre a falecida rainha Elizabeth II, baseada em entrevistas que ele realizou com o próprio presidente, admirador de longa data daquela turma.

Durante a conversa privada, Hardman pediu a opinião de Trump sobre gente como Kate Middleton, Meghan Markle, o príncipe Harry e o príncipe William. Depois do encontro, Trump posou para um retrato e recomendou o livro em suas redes, avisando que ele poderia ser comprado na Amazon. Nem isso Flávio ganhou.

Trump no Salão Oval com o biógrafo da família real britânica Robert Hardman

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