Em Rondônia, 35 pessoas morreram em ações policiais entre janeiro e novembro de 2025. O número representa um aumento de 400% em relação ao mesmo período de 2024, quando houve sete mortes. Os dados são do Observatório Estadual de Segurança Pública.
Porto Velho concentrou a maioria dos casos: foram 24 mortes em 2025, contra quatro no ano anterior.
De acordo com o promotor Pablo Viscardi, do Ministério Público de Rondônia (MPRO), o aumento das mortes em Porto Velho está ligado às brigas entre facções criminosas, que cresceram na cidade. Isso fez a polícia intensificar operações e reforçar o patrulhamento nas ruas.
“A crescente intervenção policial, seja na realização de operações decorrentes de investigações, seja no policiamento ostensivo, aliada à extensão territorial do município, que é um dos maiores do Brasil, ajuda a explicar esse cenário”, afirma o promotor.
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Janeiro e julho concentram os confrontos mais letais
De acordo com o Observatório, janeiro foi o mês mais violento, com 12 mortes em Porto Velho. Esse número pode ser explicado porque o período coincidiu com uma onda de ataques no estado e diversos confrontos entre a polícia e o Comando Vermelho.
Dois episódios são apontados como estopim da escalada dos confrontos:
- Em 8 de janeiro, um líder do Comando Vermelho morreu em uma ação policial em Porto Velho.
- Quatro dias depois, o cabo da Polícia Militar Fábio Martins foi assassinado dentro do residencial Orgulho do Madeira, onde vivia.
- Julho foi o segundo mês com mais mortes: dez no total. Sete delas aconteceram em um confronto entre a Polícia Militar e suspeitos do Primeiro Comando da Capital (PCC), no bairro Cai N’Água, região central de Porto Velho. De acordo com a PM, o grupo se reunia para lembrar a morte de um líder da facção e planejar ataques contra rivais e planejar ataques contra integrantes de um grupo rival.
- As investigações apontam que o grupo era investigado por crimes como tráfico de drogas, homicídios, porte ilegal de armas e roubos, além de suspeita de participação em dezenas de assassinatos.
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Além de Porto Velho, outros municípios também registraram mortes decorrentes de intervenção policial em 2025:
- Machadinho do Oeste (3),
- Rolim de Moura (2),
- Vilhena (2) e
- Cacoal, Espigão do Oeste, Guajará-Mirim e Monte Negro, com um caso cada.
Em 2024, além da capital, houve registros apenas em Buritis (2) e Jaru (1).
Até o fim de 2025 o número de mortes pode ser ainda maior. Em dezembro, a polícia matou Wemerson Marcos da Silva, conhecido como “Preto”, em um acampamento rural em Pimenta Bueno (RO). Ele era considerado um dos criminosos mais procurados do país pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O caso ainda não foi incluído nos dados oficiais do Observatório.
Perfil das vítimas
Todas as vítimas registradas eram homens. A maioria tinha entre 16 e 29 anos, faixa considerada mais vulnerável à violência. Também houve casos isolados de pessoas com 37 e 51 anos.
Quanto à raça/cor, os dados revelam um crescimento expressivo entre vítimas pardas: foram 4 registros em 2024 e 22 em 2025. Além disso, houve 5 vítimas brancas e uma negra.
O levantamento mostra ainda falhas na coleta de dados sociais. Em 2025, por exemplo, em 31 dos 35 casos não foi informada a escolaridade das vítimas. Essa falta de informação dificulta entender melhor o perfil social dos mortos e atrapalha a criação de políticas de prevenção.
G1





