O articulista político Robson Oliveira faz uma análise da crise que envolve o governador Marcos Rocha e o chefe da Casa Civil, Júnior Gonçalves. O caso entre os dois tem gerado repercussões nos bastidores do governo e pode impactar diretamente a gestão estadual. Confira a análise completa!
Por Robson Oliveira
A fritura do Chefe da Casa Civil, Junior Gonçalves, por membros do Governo de Rondônia que insistem em expô-lo publicamente com o objetivo de desgastar sua imagem até que seja exonerado é, sem dúvida, um equívoco simplório para um grupo que, unido, venceu por duas vezes consecutivas as eleições estaduais.
FOGO II
No mundo político, o termo “fogo amigo” revela situações em que um político ou um grupo atinge seus próprios aliados de maneira prejudicial e implacável. Este fenômeno não é novo e pode ser devastador, comprometendo estratégias, alianças e, eventualmente, a própria estabilidade governamental.
FOGO III
Uma das razões principais para o fogo amigo é a divergência de interesses e objetivos dentro de um mesmo grupo político. E é o que vem acontecendo sob o segundo mandato do Coronel Marcos Rocha com seu principal e longevo auxiliar fritado por membros da cozinha do governador, ao que parece com a sua anuência, segundo revelou a coluna um militar que convive na copa governamental.
SILÊNCIO
O silêncio de Marcos Rocha nesse processo de queimação do seu Chefe da Casa Civil fala muito mais alto do que palavras. É possível deduzir que o grupo capitaneado pelo secretário Elias Resende, ao conspirar publicamente para derrubar o colega de governo, reflete por completo a vontade de Marcos Rocha. Daí explica-se o silêncio de um governante que obteve o segundo mandato muito em razão das ações do articulador (Junior), e que agora quer se livrar para impedir que o vice-governador seja seu sucessor. O vice que, coincidentemente, é irmão do auxiliar que o governador permite ser execrado por conselheiros que almejam aumentar a influência pessoal em nacos do poder.
ORIGEM
Pelo que vem sendo comentado nos bastidores, todo esse fogaréu faz parte de um estratagema de pessoas próximas de Marcos Rocha com o objetivo de impedir que o vice-governador Sérgio Gonçalves, ao assumir o governo em abril de 2026, seja candidato à reeleição e abra a vaga para o deputado federal Fernando Máximo. Como esta é a origem da discórdia instalada no governo, exonerar Junior Gonçalves seria parte da estratégia para evitar que Marcos Rocha enfrente nas urnas Fernando Máximo por uma das vagas ao Senado, visto que, sem Gonçalves na disputa, seria ungido a candidato a governador numa dobradinha com o coronel a senador. Falta apenas combinar com os russos, como diz o adágio.
RISCO
É uma jogada altamente arriscada porque exigiria uma capitulação do vice no exercício pleno da governança. Quem garante que Sérgio Gonçalves, após receber a caneta com as tintas do cargo de governador, abrirá mão da disputa em favor de Máximo? Apostar que ele repita o erro cometido por Daniel Pereira (abriu mão da reeleição em favor do inelegível Acir Gurgacz) é um risco enorme para quem tem como adversário um exímio articulador da qualidade de Junior Gonçalves. É também extemporâneo esse fogo amigo porque as eleições estão distantes e ninguém sabe ainda qual a reforma política que nos aguarda no futuro próximo. Ao alimentar a queimação de Junior Gonçalves, Marcos Rocha está flertando com a desintegração de todo o grupo, além do risco de retaliações que podem ocorrer quando renunciar ao governo para ser candidato ao Senado. Todo este imbróglio antecipou o processo da sucessão estadual.
INELEGIBILIDADE
Numa hipótese de Marcos Rocha desistir da postulação senatorial e permanecer até o final no Executivo Estadual, torna a esposa e o irmão, atual diretor geral do Detran, inelegíveis em razão das relações consanguíneas. Razão pela qual essa encrenca por ele alimentada para defenestrar o Chefe da Casa Civil já tem um perdedor: e não são os irmãos Gonçalves.
KAMIKAZES
Quem torce por um desfecho mais atritado do grupo governista são os oposicionistas que estão sendo alimentados pelas mágoas que as labaredas do fogo amigo vêm produzindo. Outro que entra na mira dos órgãos de fiscalização em razão da querela é o próprio Elias Resende que, aliás, depôs recentemente. Documentos contra ele já começam a encher várias caixas de e-mails. É uma guerra interna de kamikazes, literalmente.
MÁQUINA
A eleição ao senado de Marcos Rocha não será um passeio como os cupinchas propalam por aí. Cada eleição é uma eleição diferente da passada devido às próprias circunstâncias que a realidade impõe. Disputar um cargo majoritário sem as facilidades que a máquina governamental coloca à disposição de quem a manipula, é no mínimo temerário. Um racha do grupo que governa Rondônia não é um bom negócio para nenhum dos seus membros, embora seja uma receita perfeita para uma derrota retumbante. A oposição está espiando a confusão de longe, calada e ávida para dar o bote. Marcos Rocha está próximo do cadafalso, finge que não percebe quem tem interesse de vê-lo sem o pescoço. Sem a máquina governamental a eleição ao Senado fica comprometida.






