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31 janeiro 2026

“Pintou um clima”: Bolsonaro é citado em arquivos de pedófilo

Steve Bannon, um dos principais ideólogos e estrategistas da ultradireita global, afirmou que precisava “manter essa coisa do Jair [Bolsonaro] nos bastidores” em diálogo que consta nos lotes de arquivos do caso de Jeffrey Epstein, financista morto em 2019, divulgados pelo governo de Donald Trump nesta sexta (30).

No documento, que aparenta ser um chat de mensagens e é datado de 12 de outubro de 2018 -cinco dias após o primeiro turno da eleição entre Jair Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT)- duas pessoas conversam sobre temas diversos. Uma delas é Bannon; o nome da outra está sob tarjas, mas, com base em conversas anteriores, possivelmente é Epstein.

Estima-se que o bilionário americano, que se suicidou na prisão em 2019, antes de ser julgado, tenha traficado mais de mil adolescentes em um esquema de coação em que cada menina recrutada chamava outra. O caso ganhou notoriedade não apenas pela gravidade dos crimes, mas também pela associação de Epstein com figuras públicas e poderosas.

Uma delas é Trump que, durante sua campanha de 2024, prometeu revelações contundentes sobre o financista à sua base de eleitores, obcecada com o caso há anos. Ao chegar ao poder, porém, o republicano relutou em liberar os arquivos.

Na troca de mensagens divulgada nesta sexta, a pessoa de identidade desconhecida afirma: “Não gostei de Bolsonaro chamando qualquer associação com você de ‘fake news’, embora eu compreenda”. “Eu preferiria um boné MBGA [possível menção a Make Brazil Great Again]”, continua. Bannon, então, responde: “Tenho de manter a coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem de não ter ninguém me defendendo”.

Dois dias antes, o indivíduo desconhecido e Bannon haviam comentado sobre a eleição no Brasil.

“Bolsonaro é um divisor de águas. Sem refugiados querendo entrar. Sem Bruxelas dizendo a ele o que fazer. Ele só tem de reiniciar a economia. GIGANTE. 1,8 trilhão PIB”, diz a pessoa que, provavelmente, é Epstein. Bannon, então, responde: “Eu sou muito, muito próximo desses caras -eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”.

Em agosto daquele ano, o estrategista havia se encontrado com o Eduardo Bolsonaro em Nova York. Na ocasião, o ex-deputado federal disse que Bannon era um entusiasta de Jair Bolsonaro e que os dois manteriam contato “para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural”. Em novembro, depois da conversa, portanto, Eduardo esteve no jantar de aniversário de Bannon, em Washington.

Bolsonaro é citado por Steve Bannon em arquivos do caso Epstein

“É meio que reinar no inferno”, diz o interlocutor em resposta. “Diferente da Europa e o jogo de bridge, América do Sul é mais tipo joga as 52 para o alto e pega.” A frase faz uma provável referência ao bridge, um jogo de cartas com muitas regras, e uma brincadeira em que se espalha as 52 cartas do baralho.

Bannon responde: “Eu entendo -massa crítica’- se você controla o Brasil e 25 países na Europa, isso é vantagem”.

Em um terceiro documento, novamente uma pessoa sem nome, mas com número de telefone, conversa sobre uma possível visita de Bannon ao Brasil com uma pessoa identificada como “Miro Lajcak”.

O número de telefone da pessoa desconhecida corresponde ao citado como “telefone do Epstein” em outro documento divulgado pelo arquivo. Já Miro Lajcak pode se referir a Miroslav Lajcak, chanceler da Eslováquia de 2012 a 2020, que é citado em diversos documentos divulgados, como emails, mensagens e alertas de eventos em um calendário.

Nessa suposta conversa entre Lajcak e Epstein, datada de 9 de outubro de 2018, a pessoa que seria o financista diz que “Steve está pensando em ir ao Brasil para ver Bolsonaro”. Lajcak pergunta se não é melhor a visita ocorrer “depois do segundo turno”. A pessoa que seria Epstein pergunta: “Você acha que seria melhor ele esperar?” A resposta de Lajcak é: “Depende do motivo para a viagem, mas depois é mais seguro”.

Em um quarto documento, datado do mesmo dia 9 de outubro de 2018, uma terça-feira, a pessoa não identificada diz a Bannon: “Sobre Bolsonaro: se você está confiante de uma vitória, pode ser bom para a marca se você estivesse lá”. O estrategista responde: “Pode ser que eu vá no sábado”.

No mesmo diálogo, o interlocutor diz: “Miro acha mais seguro ir ao Brasil DEPOIS do segundo turno”. Bannon, então, pergunta: “Por que Miro acha melhor depois?”. Em seguida, a conversa muda de assunto.

 

(FOLHAPRESS)

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