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1 fevereiro 2026

Machismo: Senador rondoniense diz que Marina Silva não se comportou bem na Comissão

A audiência pública que deveria debater infraestrutura e meio ambiente virou palco de tensão entre o senador Marcos Rogério (PL-RO) e a ministra Marina Silva, nesta terça-feira (27), na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado. O embate, que chamou atenção nos bastidores de Brasília, foi interpretado por aliados do governo como uma tentativa de constranger a ministra, enquanto a oposição viu “descontrole” da representante do Executivo.

A sessão ganhou contornos de embate político quando Marcos Rogério, presidente da comissão e ex-relator da CPI da Covid, acusou Marina Silva de desrespeitar a liturgia do Senado. Segundo ele, a ministra teria interrompido falas, se exaltado e, em mais de uma ocasião, precisou ter o microfone cortado por extrapolar o regimento da Casa.

— Com todo o respeito, ela não apresentou o comportamento que se espera de um agente público federal diante de uma comissão parlamentar — disparou o senador, ao justificar sua decisão de intervir.

A fala repercutiu imediatamente entre os colegas parlamentares, que dividiram opiniões sobre a condução dos trabalhos. Integrantes do governo criticaram o que chamaram de “hostilidade orquestrada” contra Marina. Já a oposição reafirmou que a ministra perdeu a compostura.

A audiência ocorre em um momento sensível para o governo Lula, que enfrenta resistências crescentes no Congresso para avançar sua agenda ambiental. Marina Silva, conhecida por sua postura alinhada às demandas de ONGs ambientalistas, tem sido alvo preferencial de setores ligados ao agronegócio e à ala mais conservadora do Senado.

Nos bastidores, parlamentares aliados relatam que a ministra chegou “armada para o embate” e não aceitava interrupções ou insinuações de falta de preparo técnico — algo que, segundo interlocutores, ela interpreta como tentativa recorrente de deslegitimá-la.

Não é a primeira vez que Marina se vê em meio a uma polêmica institucional. Em abril, ela já havia trocado farpas com a bancada ruralista durante outra audiência, ao defender a recomposição de áreas de proteção ambiental nos biomas Amazônico e Cerrado.

Não é de somenos: há 13 anos, Marina também foi alvo de um duro discurso do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB), durante a sessão da Câmara que aprovou o novo Código Florestal.

A fala de Marcos Rogério — senador com trânsito livre no núcleo duro do bolsonarismo — foi lida por aliados do governo como mais um episódio de desgaste deliberado. Fontes do Planalto ouvidas pelo Blog do Esmael avaliam que há uma tentativa explícita de isolar Marina dentro do governo, tornando-a “bode expiatório” das dificuldades em avançar com pautas ambientais no Congresso.

A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, divulgou ontem mesmo uma nota de solidariedade à ministra Marina Silva. Segundo o comunicado, é inadmissível o comportamento do presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, Marcos Rogério, e do senador Plínio Valério, durante a audiência com a ministra do Meio Ambiente.

“Totalmente ofensivos e desrespeitosos com a ministra, a mulher e a cidadã. Manifestamos repúdio aos agressores e total solidariedade do governo do presidente Lula à ministra Marina Silva”, disse Gleisi, que, após o bate-boca no Senado, recebeu a colega do Meio Ambiente no Palácio do Planalto.

O episódio fortalece o núcleo conservador do Senado, que busca manter protagonismo na pauta ambiental — especialmente em temas como licenciamento, marcos regulatórios e uso de terras. Marina Silva, por sua vez, deve usar a crise para reforçar sua imagem de resistência frente à pressão política, resgatando o discurso ético e de combate às barganhas do fisiologismo institucional.

A ministra, uma das figuras mais emblemáticas da história recente da política ambiental no Brasil, afirmou ter se sentido agredida, mas disse ter saído fortalecida. Também revelou que o presidente Lula lhe telefonou após o episódio: “Você fez o que era certo ao não tolerar desrespeito”, teria dito o presidente.

O episódio na Comissão de Infraestrutura escancara, mais uma vez, a tensão crônica entre Executivo e Legislativo quando o tema é meio ambiente. A tentativa de desmoralizar publicamente Marina Silva, além de revelar um choque de estilos, expõe o embate entre duas visões antagônicas de país: uma comprometida com a preservação ambiental; outra, com o desenvolvimento a qualquer custo.

Apesar da pressão de senadores por sua demissão, é improvável que o Planalto dispense Marina às vésperas da COP 30, marcada para Belém. Uma saída agora seria interpretada como recuo político e traria desgaste à imagem internacional do governo — justamente num momento em que o Brasil busca retomar protagonismo climático no cenário global.

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