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1 fevereiro 2026

Coluna do Xavier– Cacoal: A GREVE, A JUSTIÇA E AS INJUSTIÇAS…

A greve iniciada no último dia 6 de agosto, envolvendo professores e técnicos educacionais de Rondônia, tem ganhado um clima de tensão que certamente vai deixar marcas na trajetória política de muitas pessoas, e tudo indica que entre as pessoas com maiores problemas na imagem política, estará o governador de Rondônia. Isto porque, em todos os eventos sindicais organizados pela entidade que representa os trabalhadores, a insatisfação em relação ao coronel é visivelmente muito acentuada. Parte desse problema está relacionado com a falta de habilidade política de alguns representantes do governo e do próprio governador, uma vez que seus emissários agem como um elefante em uma loja de cristais. Os aspectos legais exigidos para a greve foram adotados pelo Sintero, mas isto, evidentemente, não impede que o governo busque o amparo do Poder Judiciário para tentar barrar um movimento legítimo e recheado de razões concretas para ter iniciado. Para apimentar mais o clima de forte tensão, uma série de publicações, em diversos jornais de Rondônia, traz alguns conteúdos desnecessários e inverídicos que não contribuem em nada para encontrar uma solução. E uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de Rondônia trouxe um pouco mais de adrenalina, nesta quarta-feira… Fez-se justiça???

A minha realidade de professor, obviamente, oferece condições muito favoráveis para ver e analisar os fatos muito de perto, e considero isto importante, porque um movimento de tamanha complexidade precisa ser avaliado com serenidade. Com relação à decisão do magistrado, honestamente considero legítima, porque o judiciário foi provocado, precisa dar uma resposta. Por sua vez, o sindicato não está obrigado a concordar com a decisão e, exatamente por isso, deve acionar o setor jurídico da entidade, para avaliar as possibilidades recursais, em caso de uma decisão desfavorável. Particularmente, tenho algumas discordâncias em relação à decisão, principalmente porque entendo que cabe ao filiado escolher a entidade sindical que o representa e que representa seus interesses. É isto que está disposto na Carta Constitucional, no Art. 8º. Isso não significa que não respeito a decisão do magistrado. Claro que respeito! Mas mantenho minha discordância. Considero pouco provável que os demais filiados tenham posição contrária à minha, porque acompanho as assembleias diariamente. O Sintero tem uma história que ultrapassa três décadas e possui uma identidade institucional com professores e técnicos, incluindo-se servidores da União e dos municípios. Não se pode negar as conquistas. Não existe nenhum benefício de professores ou técnicos que tenha sido favor de algum governo. Nenhum! Todos os benefícios resultaram de lutas, trabalho, sacrifícios, estresse, muito estresse… Dizer que o governo deu benefícios aos servidores da educação é uma grande injustiça. Nunca deu!!

Com relação às publicações de matérias jornalísticas, não tenho nenhuma necessidade de brigar com os colegas, porque também sou jornalista. Todavia, considero exageradas todas as publicações que possuem o condão de promover ataques individuais contra a pessoa da presidente do Sintero, porque não foi ela que provocou a insatisfação da categoria. Os motivos da greve são conhecidos por todas as pessoas que possuem qualquer relação com os profissionais da educação, ou que acompanham as publicações feitas pelo sindicato, sobre as razões do movimento grevista. Caso algum colega do jornalismo não tenha acesso aos motivos da mobilização, basta entrar em contato que posso informar com muito prazer. O que não dá para aceitar é a promoção da desinformação, baseada apenas em contrariedades pessoais. A professora Dioneida foi eleita para presidir o Sintero e merece respeito por isso. Os trabalhadores da educação nunca foram baderneiros, como dito por alguns veículos, de maneira equivocada. Quem tem um Auxílio Alimentação de R$ 253,00, que não muda há quase 10 anos, tem o direito de se indignar. Quem tem um Auxílio Saúde de R$ 50,00 tem o direito de se indignar. Quem vive dentro de uma escola e percebe os problemas da falta de um concurso público, prometido há vários anos, tem o direito de se indignar. Quem estuda para ter título, e não vê sua titulação ser valorizada, tem o direito de se indignar. Os profissionais técnicos educacionais, que desejam a unificação da categoria, têm o direito de se indignar. Rotular essas pessoas de baderneiros não faz sentido. É pura injustiça!

As matérias jornalísticas voltadas para ataques contra a pessoa de um ou outro dirigente do Sintero não servem como reflexão para a categoria. Não é verdade que a presidente do sindicato desafiou alguma autoridade. O governo tem legitimidade para acionar a instituição judiciária, ainda que isto se revele uma injustiça contra uma categoria que o abrigou em uma reeleição difícil; o Poder Judiciário tem legitimidade para julgar a lide; assim como os dirigentes e filiados têm o direito e legitimidade para não concordarem com a decisão. A imprensa tem legitimidade para divulgar fatos, preferencialmente para divulgar verdades.  Faltou ao governo e aos seus representantes a capacidade de dialogar. Nenhum servidor saiu de casa para promover a destruição de patrimônio; e fazer esse tipo de afirmação é agir de modo desleal com trabalhadores que lutam por direitos que lhes foram prometidos. O que foi destruído no Palácio do Governo? Absolutamente nada! O caminho para que se faça justiça de verdade é o governo cumprir as promessas que fez, e que não foram cumpridas. Escamotear verdades não é compatível com aquilo que se espera do verdadeiro jornalismo. Assim, até que as verdades e direitos sejam restabelecidos, a greve continua, até que a justiça seja feita… Tenho dito!!!

*FRANCISCO XAVIER GOMES – Professor da Rede Estadual e Jornalista

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