A recente atualização feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso da tirzepatida, medicamento vendido como Mounjaro, alterou quem pode prescrever o remédio no país.
Ao incluir, em outubro, a indicação do remédio para o tratamento da apneia obstrutiva do sono associada à obesidade, a agência acabou ampliando o grupo de profissionais aptos a indicar a terapia. Com isso, além dos médicos, cirurgiões-dentistas também passaram a poder prescrever o fármaco em situações relacionadas à apneia.
O que dizem as entidades médicas
Para especialistas da área médica, a possibilidade de prescrição por dentistas não é adequada. Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), explica que a tirzepatida recebeu aprovação específica para tratar a apneia do sono em pessoas com obesidade, grupo que exige avaliação clínica ampla.
Ele destaca que os resultados que embasaram a liberação ocorreram em pacientes com apneia moderada a grave e perda média de 20% do peso corporal durante o tratamento.
Para ele, apesar de dentistas atuarem no acompanhamento de alguns casos de apneia, isso não significa que devem prescrever o medicamento. “Não faz sentido que dentistas indiquem tirzepatida para essa finalidade específica”, diz.
Halpern ressalta que o debate não deveria se concentrar em restringir tratamentos, mas em evitar a banalização. “O que queremos é que pessoas responsáveis prescrevam mais tratamentos para obesidade de forma séria. Dentro desse contexto, não vejo a prescrição por dentistas como algo positivo para a sociedade”, diz.
A Associação Paulista de Medicina (APM) também defende que apenas médicos prescrevam tirzepatida. A entidade reforça que o remédio exige avaliação completa do paciente, já que condições como nódulos de tireoide, pancreatite, cálculos biliares, uso de insulina ou histórico cardiovascular podem alterar totalmente a conduta. (Metrópoles)






