A caneta usada pela paciente que está internada em estado grave em Minas Gerais era a Lipoless. O produto é conhecido informalmente como o “Mounjaro do Paraguai” — um apelido usado por vendedores para associá-lo a um medicamento regularizado — e é trazido do Paraguai para o Brasil de forma ilegal. Desde o ano passado o medicamento é proibido pela Anvisa, mas ela segue sendo anunciada nas redes sociais.
Segundo a família, Kellen Oliveira Bretas Antunes estava aplicando injeções do medicamento Lipoless, que foi vendido a ela como sendo tirzepatida — a mesma molécula usada no medicamento Mounjaro, indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e também utilizado para emagrecimento. Após o início do uso, ela apresentou complicações e precisou ser internada.
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Apesar de proibida, em uma busca pela ferramenta de anúncios da Meta, o g1 encontrou nesta quarta-feira (21) mais de 300 publicações sobre a venda da Lipoless.
No ano passado, o Jornal Nacional mostrou como funcionava a negociação das canetas vindas do país vizinho. Segundo a reportagem, os produtos eram transportados por motoboys na região de fronteira e repassados a outras pessoas responsáveis pela distribuição, em uma tentativa de burlar a fiscalização sanitária.
Os anúncios mostram acesso facilitado ao medicamento, sem exigência de receita médica, e, em alguns casos, é o próprio comprador quem escolhe a dosagem.
A determinação da Anvisa que proibiu essas canetas, também bloqueou qualquer tipo de anúncio desse tipo. A Meta informou ao g1 que suas políticas “não permitem anúncios que promovam a venda ou o uso de drogas ilícitas ou recreativas, ou de outras substâncias, produtos ou suplementos inseguros”.
Em outros casos, a Polícia Federal flagrou pessoas tentando entrar no país com a substância amarrada ao corpo ou escondida em caixas e porta-malas de veículos.
Especialistas alertam que esse tipo de transporte aumenta ainda mais o risco, já que não segue qualquer parâmetro de segurança e pode comprometer a estabilidade do produto.
A patente da molécula do Mounjaro é da farmacêutica Eli Lilly. Isso impede que qualquer outra empresa produza a substância enquanto a empresa tiver essa permissão válida.
O que acontece é que o Paraguai não respeita a patente. Com isso, uma farmacêutica local passou a produzir e vender medicamentos de tirzepatida.
Como o Brasil respeita a patente, a Lipoless não pode ser vendida no país. Mas os especialistas alertam que é mais do que isso: sem passar por uma avaliação sanitária, é impossível saber da segurança do medicamento.
G1






