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Porto Velho
22 setembro 2026

Supremo libera mineração em área indígena Cinta Larga

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a exploração mineral em quatro terras indígenas do povo Cinta Larga. A decisão foi proferida pelo ministro Flávio Dino nesta terça-feira (3) e estabelece que a atividade deverá ser realizada sob o controle das próprias comunidades indígenas, além de cumprir exigências ambientais, sociais e legais.

O povo Cinta Larga vive em terras localizadas entre os estados de Mato Grosso e Rondônia que, juntas, totalizam cerca de 2,7 milhões de hectares.

  • TI Roosevelt (RO/MT): Espigão D’OestePimenta BuenoRondolândia
  • TI Parque do Aripuanã (RO/MT): Juína
  • TI Aripuanã (MT): Aripuanã; Juína
  • TI Serra Morena (MT): Juína
  • A decisão também fixou o prazo de dois anos para que o Congresso Nacional regulamente o tema. Nela, Dino reconheceu que existe uma lacuna de 37 anos que sobre o tema.

    A medida foi concedida em caráter cautelar em um mandado de injunção – quando não há norma que legisle sobre o tema – apresentado pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga.

    Segundo a entidade, a ausência de regulamentação impede as comunidades de explorar legalmente as reservas minerais existentes em seus territórios e de receber participação nos resultados da lavra.

    De acordo com o pedido, as comunidades indígenas enfrentam constantes ameaças de invasão por garimpeiros ilegais, além de conflitos violentos relacionados à exploração clandestina de minerais.

    Lacunas

     

    O documento destaca ainda que a falta de uma fonte regular de renda gera precariedade e exclusão econômica, agravando a desigualdade estrutural, especialmente pela dificuldade de acesso ao crédito, em razão da ausência de segurança jurídica para a exploração das riquezas minerais de seus próprios territórios.

    O ministro Flávio Dino apontou a omissão do Poder Legislativo na regulamentação do artigo 231 da Constituição Federal, que prevê a participação dos povos indígenas em seus territórios e direito ao usufruto de suas riquezas.

    O ministro afirmou ainda que a ausência de uma lei específica desde a promulgação da Constituição, em 1988, contribuiu para a expansão do garimpo ilegal, a atuação de organizações criminosas e o aumento da violência em terras indígenas. Segundo ele, a omissão estatal permitiu que a mineração ocorresse de forma clandestina, sem benefícios às comunidades e com graves danos ambientais.

    A autorização concedida pelo STF é limitada e condicionada. A exploração mineral poderá ocorrer em até 1% da área total da terra indígena demarcada e dependerá de consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas. Além disso, será exigido licenciamento ambiental, estudos de impacto e planos de recuperação das áreas exploradas. (G1)

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