Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III, foi preso no Reino Unido após a polícia abrir uma investigação por suspeita de “má conduta em cargo público” ligada ao caso Jeffrey Epstein, com buscas em endereços de Berkshire e Norfolk.
A prisão ocorreu na quinta-feira (19), e foi confirmada pela Polícia do Vale do Tâmisa, que informou que deteve “um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk”, mantendo-o sob custódia enquanto cumpre mandados de busca. A corporação afirmou que, por se tratar de caso ativo, não dará entrevistas nem fará coletiva para evitar risco de desacato ao tribunal.
A mesma polícia disse que abriu investigação “após uma avaliação aprofundada” e que a prioridade é preservar a integridade e a objetividade das apurações.
O gatilho político e institucional é direto: a suspeita envolve o período em que Andrew atuou como enviado comercial do Reino Unido, e as alegações sob análise apontam para possível compartilhamento de informação sensível com Epstein, segundo a cobertura da imprensa britânica e internacional.
Imagens divulgadas por veículos britânicos mostram movimentação de agentes e carros descaracterizados em área ligada à propriedade de Sandringham, reforçando o peso simbólico do episódio, raro na história contemporânea da monarquia.
O caso também virou munição para o grupo República, que faz campanha pelo fim da monarquia. A organização afirmou que a ação policial foi influenciada por sua ofensiva jurídica e cobrou posicionamento público do rei Charles III e do príncipe William sobre o que sabiam.
O episódio chega num momento em que a instituição já opera no modo contenção de danos. Um levantamento divulgado pelo próprio República afirma que a preferência por monarquia caiu a 45%, com parte dos entrevistados defendendo chefe de Estado eleito, dado usado pelo grupo para pressionar a Casa Real.
Para o leitor brasileiro, o ponto-chave é entender o tipo penal citado, “má conduta em cargo público”, que no direito britânico costuma envolver abuso de função, violação de dever público ou conduta imprópria de quem exerceu cargo ou atribuição estatal. É por aí que a polícia enquadra a apuração ligada a relatórios e informações produzidas em ambiente oficial.
Portanto, o estrago político já está feito: quando o assunto é Epstein, o debate deixa de ser só jurídico e vira teste de credibilidade para instituições, inclusive a monarquia, que depende menos de voto e mais de confiança pública para se sustentar.






