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Porto Velho
23 outubro 2026

Morte da PM : imagens e áudios trazem novos elementos ao caso

Imagens e áudios inéditos mostram momentos após a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana ser baleada na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, em São Paulo. O caso ocorreu em 18 de fevereiro de 2026. As gravações incluem ligações para serviços de emergência e registros de câmeras de segurança do andar do prédio.

O primeiro pedido de socorro foi feito pelo marido da policial, o tenente-coronel da PM Geraldo Neto. Na ligação para a Polícia Militar, ele disse: “Alô. É o tenente-coronel Neto, estou no Brás. A minha esposa é policial feminina, ela se matou com um tiro na cabeça. Manda um resgate, uma viatura aqui agora, por favor”.

Pouco depois, ele também telefonou ao Corpo de Bombeiros. Na chamada, afirmou: “A minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Ela ainda está viva, ela está respirando”.

Câmeras de segurança do prédio mostram que o tenente-coronel apareceu no corredor às 8h02, ao telefone e sem camisa. Três minutos depois ele fez outra ligação. Às 8h13, três bombeiros chegaram ao local para prestar socorro.

Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, relatou em depoimento que decidiu fotografar a cena. Segundo ele, a arma estava posicionada na mão da policial de forma incomum para ocorrências de suicídio. Outros pontos também foram observados no local: o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado.

Áudios gravados no apartamento mostram o tenente-coronel relatando detalhes do relacionamento do casal. Em uma das gravações, ele afirmou: “A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”. Em seguida acrescentou: “O jeito que a gente está vivendo não compensa. Eu estou gastando aí sete mil por mês para viver com dois estranhos. Eu quero me separar”.

Ainda na gravação, ele descreveu o momento do disparo. “Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”.

Entre os contatos feitos naquela manhã, Geraldo Neto também ligou para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegou ao prédio às 9h07 e subiu ao apartamento. Às 9h18 ele reapareceu no corredor e, cerca de 11 minutos depois, o tenente-coronel foi visto com outra roupa.

O advogado da família da policial declarou: “Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo”. Sobre o estado do local, afirmou ainda: “O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”. Uma vizinha relatou ter ouvido um estampido às 7h28, enquanto a primeira ligação pedindo socorro foi feita às 7h57. O advogado acrescentou: “Essa lacuna precisa ser explicada. A família merece saber o que aconteceu”.

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