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13 outubro 2026

Guerra no Irã pode afetar comida no planeta

A guerra no Irã começa a pôr em risco o abastecimento mundial de alimentos. Porque além de obrigar navios a desviar rotas, o conflito está afetando as exportações de fertilizantes. Nesta terça-feira (24), a Rússia, que é um dos maiores produtores mundiais, anunciou que vai suspender as vendas por um mês. A medida é para priorizar os agricultores locais.

A guerra é no Oriente Médio, mas começa a ameaçar pratos ao redor do planeta: 45 milhões de pessoas podem passar fome, segundo estimativa do Programa Mundial de Alimentos. Isso se, até junho, o preço do petróleo ficar acima dos US$ 100 o barril – destacou o diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutricional da agência da ONU.

Jean-Martin Bauer deu um exemplo: por conta do risco de navegar pela região, embarcações com comida que saíam da Índia para o Sudão, um dos países mais vulneráveis do mundo, agora estão contornando toda a África até o Mediterrâneo e indo para o Mar Vermelho pelo Canal de Suez. Milhares de quilômetros extras significam semanas de atraso e ainda mais custos. Os do petróleo já subiram cerca de 40%. Do frete, até 20%.

Mas a guerra também está aumentando o preço dos fertilizantes. O de ureia, o principal fertilizante nitrogenado, já subiu cerca de 50%. A produção depende diretamente do gás natural, e no Oriente Médio estão algumas das maiores reservas do mundo. Antes da guerra, cerca de um terço do comércio global de fertilizantes passava pelo Estreito de Ormuz. Agora, não bastasse a dificuldade para escoar, algumas fábricas no Golfo precisaram reduzir ou até mesmo interromper a produção.

Jean-Martin Bauer deu um exemplo: por conta do risco de navegar pela região, embarcações com comida que saíam da Índia para o Sudão, um dos países mais vulneráveis do mundo, agora estão contornando toda a África até o Mediterrâneo e indo para o Mar Vermelho pelo Canal de Suez. Milhares de quilômetros extras significam semanas de atraso e ainda mais custos. Os do petróleo já subiram cerca de 40%. Do frete, até 20%.

Mas a guerra também está aumentando o preço dos fertilizantes. O de ureia, o principal fertilizante nitrogenado, já subiu cerca de 50%. A produção depende diretamente do gás natural, e no Oriente Médio estão algumas das maiores reservas do mundo. Antes da guerra, cerca de um terço do comércio global de fertilizantes passava pelo Estreito de Ormuz. Agora, não bastasse a dificuldade para escoar, algumas fábricas no Golfo precisaram reduzir ou até mesmo interromper a produção.

Marcos Jank ressaltou que o Brasil ainda não sentiu o impacto porque só vai plantar a próxima safra no segundo semestre. Mesmo assim, está preocupado. Sem fertilizante, a produtividade agrícola despenca.“Quando a gente vê que tem países que estão retendo produtos, isso começa a assustar não só pelo risco de aumento de preço, mas também pelo risco de desabastecimento, coisa que não aconteceu no começo dessa década”, diz Marcos Jank.

 

Ele se refere a notícias de países que estão suspendendo as exportações de fertilizantes para proteger o mercado interno – como a China na semana passada e a Rússia nesta terça-feira (24). 25% dos adubos químicos que o Brasil compra vêm da Rússia.

Para piorar essa complicada combinação de fatores, o Programa Mundial de Alimentos – a agência da ONU que já ganhou o prêmio Nobel pelos esforços para combater a fome – vem sofrendo com cortes nas contribuições, em um momento em que muitos governos têm redirecionado recursos para defesa.

Só que a história mostra: comida escassa e cara aumenta a instabilidade, e pode alimentar novos conflitos. O representante do PMA destacou que a crise é mais grave em regiões da Ásia e da África, mas que a preocupação é global.

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