25 C
Porto Velho
24 abril 2026

Flávio “entrou de gaiato no navio”, diz maquiador de Michelle

Os recados dos donos dos partidos da direita, Valdemar Costa Neto, Gilberto Kassab, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, só confundem e não ajudam a entender o que se passa no entorno de possíveis aliados vacilantes de Flávio Bolsonaro.

Não ouçam essas figuras, porque elas só enrolam e pensam no negócio que vai surgir mais adiante. Ouçam o maquiador de Michelle, Agustin Fernandez. Ele é quem ilumina os ambientes escuros da extrema direita frequentados por Flávio.

Fernandez ataca Flávio sem os medos da Faria Lima, do que resta de lideranças do empresariado, das igrejas, do agro e dos partidos. Fernandez diz o que não só Michelle, mas todos eles gostariam de dizer: que Flávio entrou de gaiato no navio.

Fernandez é atrevido quando diz que Flávio produziu “uma das situações mais deploráveis que um ser humano pode passar”, ao divulgar a carta do pai doente que o ungia como candidato. Quando afirma que o filho tomou o lugar que seria de Michelle.

Quando define Flávio como um bacana arrumadinho, apesar dos vínculos com milicianos. E quando prevê, como maldade, que Lula vai vencer a eleição. Fernandez produz diagnósticos e alertas.

Não diz nada que Kassab, Ciro e Valdemar não saibam. Que Flávio era um tomate murcho na feira do bolsonarismo, como mostravam as pesquisas, sempre com Michelle à frente das preferências para suceder o marido.

Que Tarcísio de Freitas também estava acima do filho nessas preferências. Que Eduardo era o lembrado, quase compulsoriamente, como o sucessor natural do chefe da organização criminosa agora preso em casa.

Todos eles sabem que Flávio é competitivo, segundo as pesquisas, porque, se tirarem o filho e colocarem Damares ou Cleitinho, a diferença nessas pesquisas será pequena. Porque Flávio incorporou o anti-Lula do momento, que alguém teria que assumir.

Flávio é percebido por boa parte da direita como a nova tartaruga no poste, porque o pai o colocou lá, como poderia, se tivesse coragem, ter colocado Michelle.

O nome capaz de se consolidar como agregador de toda a direita era o de Michelle, a esnobada pela família e contida pelo marido, que não suportaria vê-la em campanha para o cargo que ele não conseguiu manter, nem na eleição nem no golpe.

O maquiador é o papagaio do bolsonarismo, que reproduz publicamente o que todos falam nas internas. O bolsonarismo não confia em Flávio, como já repetiu, a reboque de Fernandez, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão – que recomenda a Flávio que peça perdão pelo desprezo por Michelle.

Nem as igrejas e o centrão confiam em Flávio. Michelle sabe que pode entrar numa fria se for uma agregada incondicional do ungido. Flávio é, como até Miriam Leitão já disse, depois que o Diário de Quiraxamirim já havia alertado, apenas o herdeiro de toda a estrutura fascista montada pelo pai. Da estrutura, das ideias, da índole e dos projetos.

Flávio Bolsonaro apontando para uma foto de seu pai, Jair Bolsonaro.
O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Mas não tem tutano para ser comparado a Michelle, que teria o apoio automático da raiz bolsonarista, dos pastores, dos fiéis e da direita católica absorvida pelo poder político evangélico.

Com Michelle, nem existiriam Caiado e Zema como falsas alternativas, e Tarcísio não precisaria ir a Minas para elogiar o mineiro, como fez esses dias, para assim expressar desprezo por Flávio.

Michelle é hoje a única bolsonarista que poderia se desplugar da família. Todos os que tentaram antes se deram mal e perderam apoios e mandatos, ou morreram ou foram mortos. Mas Michelle não depende mais do marido e dos enteados.

A extrema direita sabe disso, a velha direita também sabe. O maquiador falou por Michelle e por todos os que vacilam em torno de Flávio. Para Michelle, o que importa hoje é a batalha fácil para se eleger senadora por Brasília.

É melhor do que se engajar a um projeto que pode perder força logo adiante e associar seu nome a mais um fracassado. Michelle terá mais valor como senadora de oposição a Lula do que como simples ajudadora dos esquemas do enteado.

Seu maquiador sabe a verdade que velhas e novas direitas tentam esconder e só falam pelas costas: Flávio pode se transformar num fardo. Agradeçam pelo alerta de Agustin Fernandez: o filho está nu.

 

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/
spot_img

VÍDEOS: Estudante de Cacoal representará Rondônia em seletiva nacional de atletismo

Luan Vitor Scharff Barbosa, de 16 anos, será o...

Cobra cascavel é encontrada perto de casas e assusta moradores de bairro em Rondônia

Uma cobra cascavel de mais de um metro de...

Bandido leva 30 segundos para matar ciclista à luz do dia e diz que crime foi a ‘mando do diabo’

Imagens feitas por câmeras de segurança ajudaram a Polícia...

Empregos com carteira assinada crescem 106% em Ariquemes no 1º trimestre

Ariquemes registrou um crescimento de 106% nas contratações com...

Mulher é baleada dentro de carro e diz não saber de onde saiu o tiro

Uma mulher de 31 anos, Eliane P.S., 31 anos,...

“Ciúme de homem é pior que de mulher”, diz Fúria a Marcos Rogério

O pré-candidato ao governo de Rondônia, Adailton Fúria, PSD, ...

Mulher é torturada e tem corpo tatuado à força pelo namorado

Um homem de 32 anos foi preso em flagrante...

Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 100 milhões

A Mega-Sena acumulou nesta quinta-feira (23) após nenhuma aposta...

Sexta-feira de chuvas intensas em RO

A previsão do tempo para a Região Norte do...

Loja é invadida, mas PM recupera armamento em RO

O furto em uma loja de venda de armas...

Caos em hospital de Vilhena: Justiça exigir compra de remédios

A gravidade do desabastecimento crítico na rede pública de...

Ezequiel Neiva reforça apoio à Expoagro em Cerejeiras

A 5ª Expoagro – Rodeio de Cerejeiras contará com...