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29 outubro 2026

Sargento é preso após morte de esposa capitã da PM

A Polícia Civil investiga como feminicídio a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 41 anos, em Belo Horizonte. O marido dela, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, levou a policial já sem vida ao Hospital Odilon Behrens na noite de segunda-feira (20) e acabou preso em flagrante.

A Justiça converteu a prisão do sargento em preventiva na quarta-feira (22), durante audiência de custódia. O juiz considerou necessária a manutenção da prisão para garantir a ordem pública, e o processo tramita sob segredo de Justiça.

O boletim de ocorrência aponta que Michele apresentava traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com chicotadas e um corte profundo na cabeça. A equipe médica estimou que a morte havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital e acionou a Polícia Militar após identificar lesões incompatíveis com morte natural.

Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal participou de uma confraternização na noite anterior, consumiu bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e depois manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Ele disse ainda que Michele caiu da escada por volta do meio-dia, recusou atendimento médico, dormiu durante a tarde e só à noite deixou de responder a estímulos.

A capitã Michele Leão Azevedo. Foto: reprodução

Câmeras e perícias integram apuração sobre a morte

Câmeras de segurança registraram Eduardo saindo do elevador com Michele nos ombros até a garagem do edifício. As imagens também mostram o militar colocando o corpo da esposa dentro do carro antes de seguir para o hospital, e os vídeos integram o conjunto de provas analisado pela Polícia Civil.

Policiais apreenderam comprimidos semelhantes a ecstasy que, conforme a investigação, o sargento descartou em uma lixeira do hospital. No apartamento, peritos recolheram um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, roupas de cama lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar, além do celular de Eduardo e do veículo usado para transportar Michele.

Os laudos do Instituto Médico-Legal e das perícias nos objetos, nos comprimidos, no apartamento e nos aparelhos eletrônicos devem esclarecer como Michele sofreu os ferimentos que provocaram a morte. A investigação também vai confrontar a dinâmica indicada pelos exames com a versão apresentada pelo sargento.

A Polícia Civil confirmou que Eduardo tinha registros anteriores de violência contra a mulher. Dois boletins de ocorrência registrados por uma ex-companheira em 2016 relataram agressões físicas, ameaças e descumprimento de medida protetiva; o militar também foi preso por embriaguez ao volante em 2023 e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira.

Michele atuava na PM desde 2010, era bacharel em Ciências Militares, tinha especialização em Docência no Ensino Superior e formação complementar em Direitos Humanos. Familiares descreveram o relacionamento com Eduardo como marcado por controle psicológico, ciúmes, separações e reconciliações, e relataram episódios em que ele teria invadido a casa da família à procura da capitã.

O velório e o sepultamento ocorreram na quarta-feira (22), em Belo Horizonte, em cerimônia restrita a familiares e amigos. A comandante-geral da PM de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos, classificou o caso como “violência doméstica e familiar”, enquanto a defesa de Eduardo pediu que os laudos periciais sejam aguardados e afirmou confiar no devido processo legal.

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