Mídia Rondônia – O município de Vilhena recebeu, ao longo de 2026, mais de R$ 117,9 milhões em recursos destinados ao financiamento da saúde pública, considerando os repasses realizados pelos governos Federal e Estadual nos períodos informados em documentos oficiais.
Os dados evidenciam a participação das diferentes esferas de governo no custeio da rede pública de saúde e ganham relevância diante do debate sobre a gestão do Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira.
De acordo com levantamento divulgado pelo Rondoniavivo, com base em informações do Fundo Nacional de Saúde (FNS), o Fundo Municipal de Saúde de Vilhena recebeu R$ 61.253.355,56 em transferências líquidas da União entre janeiro e julho de 2026.
Os recursos federais foram destinados ao financiamento de diversas áreas do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo Média e Alta Complexidade (MAC), Atenção Primária, assistência farmacêutica, vigilância em saúde, Estratégia Saúde da Família, agentes comunitários, saúde bucal, equipes multiprofissionais e o complemento do piso nacional da enfermagem.
Hospital Regional
Paralelamente, relatório técnico da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informa que o Governo de Rondônia repassou R$ 56.727.557,64 para garantir a transição e a manutenção da gestão do Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira.
Segundo o documento, entre janeiro e junho deste ano foram realizados seis repasses mensais de R$ 7.197.270,65, destinados ao custeio da unidade hospitalar.
A Sesau afirma que os recursos foram liberados dentro dos prazos pactuados e sustenta que não houve atraso sistemático ou inadimplência por parte do Estado que justificasse os problemas enfrentados pelo hospital.
O relatório também aponta que as dificuldades verificadas decorreram de questões relacionadas à gestão administrativa, além de pendências documentais, patrimoniais e estruturais identificadas durante o acompanhamento técnico da unidade.
Embora a soma dos valores ultrapasse R$ 117,9 milhões, os recursos possuem naturezas distintas e não correspondem a um único repasse.
Os R$ 61,25 milhões enviados pela União financiam diferentes serviços da rede municipal de saúde, enquanto os R$ 56,72 milhões repassados pelo Governo de Rondônia são destinados especificamente ao processo de transição e manutenção da gestão do Hospital Regional.
O próprio levantamento destaca que o financiamento do SUS é compartilhado entre União, Estados e Municípios, cada ente com responsabilidades específicas no custeio da assistência à população.
Debate sobre a gestão continua
Os números também ajudam a contextualizar o debate em torno da administração do Hospital Regional de Vilhena, que nos últimos meses envolveu Prefeitura, Governo do Estado, Grupo Chavantes, Câmara de Vereadores, Conselho Estadual de Saúde e órgãos de controle.
Em abril, médicos da unidade anunciaram paralisação parcial de atendimentos eletivos em razão de atrasos salariais. Já em janeiro, a Santa Casa de Chavantes, então responsável pela gestão do hospital, informou dificuldades relacionadas ao recebimento integral dos recursos previstos para cumprir obrigações contratuais.
Mais recentemente, decisões liminares do Tribunal de Justiça de Rondônia e do Tribunal de Contas do Estado suspenderam medidas relacionadas à mudança da gestão da unidade.
Os dados disponíveis demonstram que União e Estado realizaram repasses expressivos para o financiamento da saúde em Vilhena ao longo de 2026. Ao mesmo tempo, reforçam que a disponibilidade de recursos, por si só, não elimina os desafios relacionados à gestão, execução contratual, prestação de contas e aplicação eficiente dos investimentos públicos.
Com informações da assessoria





