Nos bastidores da legenda, dirigentes e pré-candidatos avaliam que a saída de Confúcio retirou da chapa um dos principais ativos políticos do partido, tanto pelo capital eleitoral quanto pela capacidade de articulação junto às bases e às lideranças municipais. O novo cenário teria aprofundado a crise interna enfrentada pelo MDB às vésperas do início oficial da campanha.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a candidatura de Pedro Abib encontra dificuldades para consolidar alianças, mobilizar a militância e estruturar uma campanha considerada competitiva. Integrantes da legenda afirmam, sob condição de anonimato, que o pré-candidato segue sem uma base política consolidada e ainda enfrenta dificuldades para definir a composição completa da chapa majoritária.
Um dirigente do MDB fez duras críticas à condução do projeto eleitoral.”Pedro Abib fará uma das campanhas mais frágeis da história recente do MDB numa disputa pelo Governo do Estado. Falta traquejo político, habilidade, discurso e senso de realidade. Agiu de forma individual.”
Segundo esse interlocutor, a campanha não conseguiu construir uma rede consistente de apoios nem estabelecer uma estratégia capaz de unificar o partido em torno da candidatura ao Palácio Rio Madeira.
Outro integrante da legenda comparou a situação atual com a eleição de 2018, quando o MDB lançou Maurão de Carvalho ao Governo de Rondônia.”Maurão contou com o apoio da militância, dos então senadores Valdir Raupp e Confúcio Moura, além de nominatas fortes para deputado estadual e deputado federal. Mesmo assim, o projeto encontrou dificuldades para crescer. Agora, a situação é ainda pior.”
Além das dificuldades políticas, cresce entre dirigentes a preocupação com o financiamento da campanha. Segundo integrantes do partido, candidaturas majoritárias que não demonstram competitividade costumam perder espaço na distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral, que tende a priorizar campanhas consideradas mais viáveis.
Uma fonte da legenda afirmou que esse entendimento teria sido reforçado durante conversas internas envolvendo a direção nacional do MDB. Conforme o relato, foi reproduzida entre dirigentes a seguinte declaração atribuída ao presidente nacional do partido, Baleia Rossi:”Quem quiser financiar seu sonho pessoal e disputar o governo, que financie com recursos próprios.”
A avaliação de lideranças ouvidas pela reportagem é de que a saída de Confúcio Moura da disputa ao Senado reduziu ainda mais o potencial de mobilização da chapa estadual, refletindo diretamente no ânimo dos candidatos proporcionais.
Nos bastidores, pré-candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados demonstram preocupação com o cenário e alguns já avaliam a possibilidade de renunciar às candidaturas, diante da percepção de perda de competitividade do partido na disputa estadual.
Até o momento, Pedro Abib não comentou publicamente as críticas feitas por integrantes do MDB nem se manifestou sobre os impactos da desistência de Confúcio Moura na estratégia eleitoral da legenda. O espaço permanece aberto para manifestações do pré-candidato, da direção estadual do MDB e dos demais citados. (OObservador)






