O candidato a deputado estadual pelo Avante, Laércio Nunes Torres, de 39 anos, é o primeiro paciente atendido pela rede pública de Rondônia a receber a aplicação de polilaminina, substância experimental brasileira pesquisada para o tratamento de lesões da medula espinhal. O procedimento foi realizado nesta segunda-feira (14), em Cacoal.
Laércio sofreu um grave acidente de trânsito no último sábado (12), na BR-364, em um trecho entre Cacoal e Pimenta Bueno. Ele estava em uma picape Mitsubishi Triton locada por sua campanha, conduzida por Everaldo, servidor afastado da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) de Vilhena.
O veículo retornava de Porto Velho quando, segundo as informações sobre o acidente, uma carreta teria realizado uma ultrapassagem sobre outra. Para evitar uma colisão frontal, Everaldo precisou sair da pista. A caminhonete não capotou, mas os dois ocupantes ficaram feridos.

Inicialmente, Laércio e Everaldo relataram dores nas costas e na região da coluna. Laércio foi levado ao Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (Heuro), em Cacoal, e posteriormente transferido para o Hospital Regional de Cacoal (HRC), onde passou por uma cirurgia delicada.
O procedimento foi realizado pelo neurocirurgião Edilton Oliveira, atual secretário de Estado da Saúde de Rondônia. Após a cirurgia e uma nova avaliação médica, o quadro de Laércio apresentou as condições necessárias para sua inclusão no protocolo de aplicação da polilaminina.
Aplicação da polilaminina
A aplicação da substância ocorreu nesta segunda-feira (14), no Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro), com a participação da equipe de pesquisa da professora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, que veio do Rio de Janeiro para acompanhar o procedimento.
Com isso, Laércio se tornou o primeiro paciente atendido pela rede pública estadual de Rondônia a receber a polilaminina, tecnologia que vem sendo estudada no Brasil para o tratamento de pessoas com lesões da medula espinhal.

O neurocirurgião Edilton Oliveira explica que lesões na medula espinhal podem comprometer a comunicação entre o cérebro e diferentes partes do corpo, provocando alterações na sensibilidade e nos movimentos. Quando a lesão afeta os membros inferiores, uma das possíveis consequências é a paraplegia.
“Esse paciente chegou, foi operado e, por preencher os critérios estabelecidos, poderá ter acesso a uma tecnologia que hoje está entre as pesquisas mais importantes do país para lesão medular. Existe esperança, mas precisamos agir com responsabilidade, respeitando a ciência, os protocolos e acompanhando cada etapa da evolução desse paciente”, destacou Edilton Oliveira.
Pesquisa desenvolvida no Brasil
A polilaminina é resultado de décadas de pesquisa brasileira e vem sendo investigada pelo potencial de favorecer processos relacionados à regeneração do tecido nervoso e à recuperação de conexões nervosas comprometidas por traumas na medula.
A pesquisa é liderada pela professora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Há mais de duas décadas, ela desenvolve estudos relacionados à laminina e à regeneração do tecido nervoso.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da aplicação da substância em pacientes com lesão medular aguda.
Dados preliminares divulgados pela UFRJ apontam evolução neurológica em parte dos pacientes acompanhados anteriormente. Os resultados, no entanto, ainda precisam ser avaliados em estudos clínicos mais amplos para determinar a eficácia do tratamento.
Por se tratar de uma substância experimental, a aplicação da polilaminina não representa garantia de recuperação. A evolução de Laércio será acompanhada de acordo com os protocolos técnicos e científicos estabelecidos para essa etapa da pesquisa.
Cirurgia foi realizada em Cacoal
Antes da aplicação da polilaminina, Laércio passou por uma cirurgia após dar entrada no sistema de saúde com trauma grave na coluna torácica.
O procedimento foi realizado no Hospital Regional de Cacoal pela equipe de neurocirurgia, sob responsabilidade de Edilton Oliveira. Após a cirurgia, o secretário informou que o paciente saiu acordado e consciente e foi encaminhado para repouso na UTI.
A esposa de Laércio, Laila, acompanha o tratamento em Cacoal e, segundo Edilton, permanecia tranquila após a realização da cirurgia.
O secretário de Estado da Saúde também informou que outro paciente que aguardava atendimento seria contemplado com procedimento durante o fim de semana.
Governo de Rondônia acompanha o caso
Segundo Edilton Oliveira, a realização da cirurgia de Laércio contou com o envio dos materiais necessários após uma solicitação relacionada ao caso. O secretário mencionou a participação do governador Marcos Rocha na mobilização para que os materiais chegassem e o procedimento pudesse ser realizado.
Com a inserção de Laércio no protocolo experimental, o Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), passa a participar desse momento da pesquisa brasileira sobre lesões medulares.
A iniciativa aproxima a assistência realizada na rede pública estadual dos estudos que buscam novas possibilidades de tratamento para pacientes que sofreram traumas na medula espinhal.





