A jornalista Renata Lo Prete desmentiu ao vivo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após ele responder sobre queimadas a uma pergunta a respeito da política de combate ao desmatamento do governo Lula. A intervenção ocorreu na entrevista concedida após o debate presidencial da TV Globo, na noite desta sexta-feira (23).
Ao ser questionado se manteria a política ambiental da atual gestão federal, Flávio afirmou: “O atual governo deixa a Amazônia pra lá, a quantidade de focos de incêndio neste mês de outubro, com expectativa de superar todos os recordes da história”.
Lo Prete interrompeu o candidato para delimitar o tema da pergunta e apontar os dados divulgados neste mês pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Só para esclarecer […] eu não estava falando de queimada, eu estava falando de desmatamento e saiu um dado desse mês de recorde de baixa de desmatamento”, disse.
Os indicadores do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) apontaram que a Amazônia perdeu 3.335 quilômetros quadrados entre agosto de 2025 e julho de 2026. O número representa queda de 41,8% em relação ao ciclo anterior.
Dados do Inpe indicam menor desmatamento da série na Amazônia e no Cerrado
O resultado da Amazônia é o menor desde o início da série histórica, em 1988. No período anterior, de agosto de 2024 a julho de 2025, o Prodes havia contabilizado 5.731 quilômetros quadrados de área desmatada no bioma.
O Pará concentrou a maior área desmatada na Amazônia, com 1.130 quilômetros quadrados, seguido por Mato Grosso, com 849 quilômetros quadrados, e Amazonas, com 525 quilômetros quadrados. Apesar da redução geral, os três estados ainda reúnem parcela expressiva da destruição florestal.
No Cerrado, o levantamento registrou 5.516,69 quilômetros quadrados de vegetação nativa destruída, redução de 23,8% diante dos 7.235,27 quilômetros quadrados do período anterior. É o menor índice da série do bioma, iniciada em 2001.
A região do Matopiba — formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — respondeu por 74,3% do desmatamento no Cerrado. O Maranhão liderou a lista estadual, com 1.718,59 quilômetros quadrados, à frente de Tocantins, com 1.263,06 quilômetros quadrados, e Piauí, com 625,24 quilômetros quadrados.
O governo federal atribui a queda à retomada dos planos de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, reativados em 2023. Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas.





