O advogado bolsonarista Klaus Fins propôs que comerciantes de Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, identificados como apoiadores do PT coloquem uma estrela vermelha na porta de seus estabelecimentos. Ele também incentivou um boicote a esses negócios. As declarações foram relatadas pela coluna de Ancelmo Gois no Globo.
“Faz o seguinte, mete uma estrela do PT na portinha da sua loja e vê o que vai acontecer”, afirmou Fins, segundo a reportagem. O advogado disse que já existe um movimento para não comprar, prestigiar ou negociar com petistas, que ele acusou de terem acabado com a economia do país. Também defendeu: “Negocie apenas com patriotas”.
O episódio ocorre em meio à circulação de uma lista que associa estabelecimentos da cidade a supostas preferências partidárias. A autoria da relação não foi informada na reportagem.
A proposta relembra a perseguição de comerciantes judeus na Alemanha nazista. O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos documenta que, no boicote de 1º de abril de 1933, os nazistas elaboraram listas de estabelecimentos, intimidaram clientes e grafitaram estrelas de Davi nas vitrines para identificar os negócios atingidos.

Em novembro de 2022, apoiadores de Jair Bolsonaro já haviam sugerido marcar casas e negócios com o símbolo do PT em Casca, no Rio Grande do Sul, em meio a listas de comerciantes apontados como eleitores de Lula. Naquele episódio, uma advogada local denunciou que seu escritório havia sido depredado após se manifestar contra a perseguição.
Em nota oficial publicada nesta terça-feira, a Prefeitura de Teresópolis repudiou práticas de intimidação, perseguição e incentivo ao boicote por escolhas políticas. A administração afirmou que divergências eleitorais não podem ser usadas para prejudicar atividades comerciais e profissionais e defendeu o direito de manifestação sem represálias. “As eleições passam. O respeito deve permanecer”, concluiu.
O Sincomércio Teresópolis também condenou a hostilidade contra empresários e trabalhadores, conforme nota divulgada pelo jornal Diário de Teresópolis. A entidade destacou que opiniões políticas diferentes das de empregadores, colegas ou clientes devem ser respeitadas e que disputas eleitorais não justificam ataques à reputação ou à sustentabilidade dos negócios.





