A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, sua tentativa de desacreditar a eleição vencida por Lula (PT) e a proteção oferecida pelo governo Donald Trump ganharam destaque na imprensa estadunidense. Em editorial na CNN, a jornalista Erin Burnett apresentou o brasileiro como “um aliado de Trump, um homem em fuga por medo de ser preso” e destacou a intervenção da Casa Branca para permitir sua entrada no país.
“Por trás daquele guarda-chuva está o candidato derrotado à Presidência do Brasil, que recebeu proteção contra a Justiça por parte do presidente Trump”, afirmou Burnett ao exibir imagens da chegada de Flávio ao aeroporto executivo de Opa-locka, na Flórida. O senador desembarcou acompanhado da mulher e das filhas após deixar o Brasil por terra, atravessar a Argentina e fazer escala no Equador.
Trump confirmou pessoalmente que seu governo autorizou a entrada da família. Questionado por jornalistas, disse: “Sei que demos a ele uma autorização para entrar no país, então vamos ver”. Ao ser perguntado sobre o motivo, respondeu que os Bolsonaro haviam sido tratados “muito injustamente”.
A proteção ganhou repercussão porque Flávio deixou o Brasil, apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinava a entrega de seus passaportes e o proibia de sair do país. Ele é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas, entre outros pontos, ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.
Já nos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta em que passou a repetir, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição. “Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, escreveu. Inicialmente, chegou a se apresentar como “presidente eleito”, mas depois alterou o texto para se definir como “líder do Brasil”. O resultado que reelegeu Lula por cerca de 4,4 milhões de votos foi reconhecido pelo TSE, por observadores internacionais e pelo próprio PL.
Burnett relacionou diretamente a estratégia ao discurso usado por Trump após derrotas eleitorais. “Fraude eleitoral. Agora vocês começam a perceber a ligação, certo? Essa declaração foi tirada diretamente da cartilha de Trump”, afirmou a jornalista. Trump também colocou em dúvida a votação brasileira sem apresentar evidências.
A apresentadora lembrou ainda que Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe após sua derrota em 2022 e atualmente cumpre pena em regime domiciliar.




