31 C
Porto Velho
1 novembro 2026

Fuga de Flávio desmoralizou o bolsonarismo no Brasil

Dias depois de uma eleição que sacudiu as estruturas do país e abalou até o eixo político do planeta, o derrotado Flávio Bolsonaro escafedeu-se.

Deixou o país passando pela Argentina e pelo Equador e homiziou-se nos Estados Unidos. Antes, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia mandado recolher seus passaportes a partir de relatório da Polícia Federal sobre o risco de fuga no inquérito em que o ex-candidato é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A Polícia Federal viu o risco, e o ex-candidato confirmou o diagnóstico. A ordem de Moraes também o proibia de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e investigado no mesmo caso. Tomaz também está nos Estados Unidos, para onde viajou às vésperas do segundo turno.

Os valores sob investigação são vultosos. No inquérito sobre o filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro, as tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro somam R$ 134 milhões, e, segundo a PF, ao menos R$ 61 milhões foram transferidos em seis operações em 2025. No inquérito sobre Tomaz, os policiais identificaram movimentações de cerca de R$ 130 milhões numa só conta, em apenas três meses, entre março e maio de 2025.

Menos de 24 horas antes de partir, Flávio havia prometido o contrário. Às 16h40 de segunda-feira (26), publicou um vídeo dizendo que não sairia do país. Afirmou que nunca havia pensado nisso, que entregaria os passaportes e que ficaria para organizar a oposição ao governo Lula.

Três dias antes, Eduardo Bolsonaro já havia defendido que Flávio deixasse o Brasil se perdesse a eleição.

A fuga desmonta a narrativa de perseguição que o bolsonarismo repetiu por anos.

Na noite da derrota, Flávio disse que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação do segundo turno. Quando Moraes determinou o recolhimento dos passaportes, não enfrentou a ordem: apenas partiu, em silêncio.

Aliados primeiro negaram a saída e só depois a admitiram, nos bastidores. Já em Miami, Flávio admitiu que saiu à socapa, com a esposa, mas negou ter fugido.

“Não saí do Brasil, saí pelo Brasil”, declarou. Era a terceira versão em poucos dias, e nenhuma resiste aos fatos.

O gesto repete um padrão quadrilheiro da família. O pai cumpre pena de 27 anos por tentar derrubar o Estado democrático pela violência. O irmão Eduardo também é um evadido.

É essa a essência do bolsonarismo: lealdade canina dos bagrinhos lançados à própria sorte. Já para os líderes, uma vida banhada de privilégios e autoexílio nos Estados Unidos, garantido por um colchão de dólares sob investigação por lavagem e evasão de divisas.

A fuga do ex-candidato não anula o resultado das urnas. Ela ajuda a explicar o que as urnas disseram. Flávio terminou o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula.

Três semanas depois, Lula foi reeleito com cerca de 51,7%, na primeira e estonteante virada entre primeiro e segundo turno desde a redemocratização.

A virada tem natureza plebiscitária. O segundo turno não foi disputa entre programas: Flávio não tinha nenhuma ideia além de um tesouraço nos programas sociais. Virou um julgamento sobre o retorno do bolsonarismo ao poder.

A queda da abstenção e dos votos brancos e nulos levou Lula a somar cerca de 10 milhões de votos a mais do que no primeiro turno e a ultrapassar os 64 milhões, recorde que superou o de 2022.

Aos 81 anos, um presidente que já foi preso e teve a condenação anulada atravessou o primeiro turno em desvantagem e conquistou o quarto mandato.

Diante da ameaça de retorno do bolsonarismo, ergueu-se uma muralha: a de uma consciência democrática que mobilizou multidões nas ruas, nas redes e nas urnas, ativando até o limite todas as energias contra o projeto autoritário. O Brasil tornou-se referência para outros países que enfrentam a mesma ameaça à sua soberania.

Lula chega como exemplo de luta contra o fascismo e o imperialismo. Enfrentou um adversário que contou com o apoio do governo estadunidense. Esse governo atacou a condenação de Jair Bolsonaro, impôs tarifas ao Brasil e sancionou o ministro Moraes.

A vitória foi construída com instrumentos novos de mobilização, como o Exército do Lula, canal de WhatsApp conduzido pelo deputado André Janones, que reuniu 10,8 milhões de apoiadores nas redes. Houve muitos outros.

Os presidentes da Câmara e do Senado saudaram a vitória e apontaram a pacificação como desafio central do mandato. MDB e Republicanos, que se alinharam a Flávio na reta final, também rejeitaram o movimento de não reconhecer a derrota. Mesmo o PL reconheceu a derrota.

No aniversário de 81 anos, Lula pregou a reconciliação do país.

Lula chegou ao pináculo da carreira política. Não tem mais nada a provar, a não ser o bem dos brasileiros, e por isso está na melhor posição para conduzir a pacificação.

Com esse feito histórico e uma trajetória incontestável, Lula tem todas as condições de conduzir a reconciliação nos termos que achar mais adequados, sem vetos a priori. A autoridade para isso foi dada pelas urnas.

Abre-se uma oportunidade. O Brasil derrotou o fascismo interno e a ingerência estadunidense.

Os brasileiros estão exaustos da barbárie como forma de exercício da política. Seria bom que houvesse gestos como o de Lula, o vencedor incontestável, vindos de todos os lados.

Quem sabe o desalento da extrema-direita com seus fracassos possa conduzi-la a adotar atitudes políticas mais civilizadas.

Lula governará com um Congresso de composição adversa, mas isso não será obstáculo à pacificação. Ele sempre soube negociar, pressionar e aprovar as matérias de interesse do país, mesmo nas piores situações.

A fuga enfraquece o bolsonarismo e fortalece a mão do presidente nessa negociação. Caberá a Lula explorar a momentânea crise do adversário para transmutá-la.

Mais que a chave do sucesso do quarto mandato, a pacificação é o que o país anseia: que a eleição abra a porta para reconstruir uma vida institucional mais pacífica e razoável.

Decerto não haverá mágicas, mas as condições para mais esta virada estão amadurecendo.

VÍDEOS: Estudante de Cacoal representará Rondônia em seletiva nacional de atletismo

Luan Vitor Scharff Barbosa, de 16 anos, será o...

Cobra cascavel é encontrada perto de casas e assusta moradores de bairro em Rondônia

Uma cobra cascavel de mais de um metro de...

Bandido leva 30 segundos para matar ciclista à luz do dia e diz que crime foi a ‘mando do diabo’

Imagens feitas por câmeras de segurança ajudaram a Polícia...

Empregos com carteira assinada crescem 106% em Ariquemes no 1º trimestre

Ariquemes registrou um crescimento de 106% nas contratações com...

Mulher é baleada dentro de carro e diz não saber de onde saiu o tiro

Uma mulher de 31 anos, Eliane P.S., 31 anos,...

Gercino renuncia à presidência do PSD em Colorado

Gercino Garcia formaliza renúncia à presidência do PSD em...

Em RO, mulher mata marido e diz que se defendeu

Uma discussão durante o consumo de bebidas alcoólicas acabou...

Evangélicos defendem punição severa a eleitores de Lula

Um monitoramento da Casa Galileia e do Instituto Democracia...

Estudantes vão às ruas contra golpe de Flávio

Estudantes se reúnem, neste domingo (1º), em nove estados para fazer...

PF destrói mais 20 dragas no rio Madeira

Uma operação de fiscalização realizada nesta sexta-feira (30) combateu...

Novembro começa com chuvas e trovoadas em RO

Rondônia deve ter um domingo (1º) de tempo instável,...

Simone Tebet pode ser ministra do STF

A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB-SP) entrou na...

“Frouxo e boca aberta”, diz governador do Piauí sobre Pavanato

O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reeleito em...