03/02/2018 às 11h15min - Atualizada em 03/02/2018 às 11h18min

INJUSTIÇA CONTRA LULA GEROU DESEJO DE REPARAÇÃO

No dia em que foi divulgado o mais recente levantamento do instituto Datafolha, quarta-feira 31, o cientista político e professor Aldo Fornazieri concedeu uma entrevista à TV 247, em que analisou os números. A pesquisa confirmou o ex-presidente Lula como líder de intenção de voto à presidência em todos os cenários (veja aqui), mesmo após a condenação em segunda instância, pelo TRF4, de Porto Alegre. "Já antes do julgamento minha expectativa era de que o Lula cresceria com a condenação. Aí tem alguns motivos: a população está saciada com tanto chumbo em cima do Lula. Ela absorveu toda a crítica, mas tem um elemento novo. Uma pesquisa qualitativa feita pelo jornal Valor Econômico, por exemplo, mostra que a população acha que o Lula não é santo, mas que ele está sendo perseguido pela Justiça. Então existe essa percepção", analisa Fornazieri. "E quanto se tem esse sentimento, essa visão da perseguição, nasce um outro sentimento nas pessoas: é o sentimento da reparação. As pessoas querem reparar uma injustiça que está sendo cometida contra um determinado indivíduo, no caso o Lula, e como é que a reparação se dá nesse caso? Através do voto, do apoio, porque há um sentimento de que ele precisa ser reparado contra a injustiça", continua. O professor acredita que, se Lula for preso, sua capacidade em transferir votos irá aumentar ainda mais. Segundo o Datafolha, Lula é hoje o melhor cabo eleitoral do País: 27% afirmam que com certeza votariam em algum indicado pelo petista, enquanto 17% poderiam votar em um nome sugerido por ele. Para o cientista político, o PT deve manter a candidatura de Lula "até o fim", mesmo que ele seja preso, e realizar uma grande mobilização nacional em defesa da anulação do julgamento que condenou o ex-presidente. "A esquerda tem que parar com a síndrome da derrota. Historicamente a esquerda é muito medrosa, não vai para o confronto. Eu vejo assim: se você não confronta, você não é respeitado", avalia. Ele lembra uma frase dita recentemente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que 'se Lula for preso, o Brasil não vai tremer', e rebate: "é preciso quebrar esse paradigma".
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »