27/02/2018 às 11h47min - Atualizada em 27/02/2018 às 11h47min

Gênesis tem que dizer por onde andam os sete mil professores fora da sala de aula

Claro que podem ocorrer injustiças, aqui e ali. Um projeto de tal tamanho como o Gênesis, lançado pela Secretaria de Educação do Estado, envolvendo profundas  transformações e interferindo não só na vida de milhares de estudantes e suas famílias, como também de algo em torno de 14 mil professores, pode sim cometer erros e deslizes. Terão que ser corrigidos, quando detectados. Mas o centro do problema não é o que está sendo defendido pelos inimigos da educação, que temem qualquer mudança que pode tirar privilégios de alguns, em detrimento de milhares. A questão toda é que a reestruturação envolve um profundo censo do mundo  educacional, para detectar, por exemplo, como quase metade dos professores está fora da sala de aula. A Seduc, ao final do levantamento, precisa ter o compromisso de dizer à sociedade rondoniense, com toda a clareza, onde está essa gente toda, recebendo como seus estivesse lecionando, mas que, ao que parece, têm ojeriza à sala de aula. Tem obrigação de informar como o Estado permitiu essa excrescência e dar nomes aos bois: quem são e onde estão esses quase sete mil (sempre lembrando que o número é oficialmente divulgado pela Seduc), muitos que, protegidos aqui e ali, mancomunados com poderosos, beneficiados por esquemas que a maioria critica nas greves do setor e nas mobilizações, fazem concurso para estar na sala de aula, mas tem horror da ideia de estar nela.  A Seduc também tem que informar à comunidade quem são os que estão pelo exterior, recebendo seus salários como se estivessem no sacrifício da dureza do dia a dia dos professores comuns, aqueles abnegados que não são protegidos e nem recebem benesses ou apadrinhamentos e que cumprem sua rotina diária de formar gerações. A grita contra os privilégios não faz parte apenas da categoria dos professores, claro. São raros os que não acham que as leis devem ser iguais para todos, desde que apenas sejam usadas para tirar privilégios, benefícios e “esquemas”... dos outros. O Sintero, sempre ávido em buscar direitos e exigir melhores salários (nesse caso, aliás, têm toda a razão em defender seus associados e buscar melhorias para eles), não abre a boca par protestar contra os privilégios e a tragédia dos sete mil, muitos dos quais fogem das salas de aula como o diabo da cruz e que, é claro, causam um grande dano ao sistema educacional, com suas ausências. Em vários setores, nos gabinetes de políticos e nos próprios órgãos do Governo, há professores que fizeram concurso para ensinar, mas cuja especialidade é fugir dessa missão. Se a Operação Gênesis ao menos colocar essa gente a fazer o trabalho para o qual foi aprovada, só isso já terá valido a pena. Os erros, injustiças e eventuais prejuízos individuais podem ser corrigidos. Já a baderna da falta de professores nas nossas escolas, essas nunca serão resolvidas, sem ações extremas. TÊM CASOS DIFERENCIADOS Ainda sobre o assunto. Tem que se diminuir do total dos sete mil, que não estão cumprindo suas missões de lecionar, aqueles professores doentes; os que têm outros problemas, inclusive familiares; os que estão se aposentando; os que estão sob algum tipo de beneficio legal, como os casos de gravidez para elas ou tratamentos dos mais diversos, para muitos deles. Não há que se cometer injustiças sobre os que, por diversos motivos, mas todos legais, não estão lecionando, de acordo com seus contratos, quando foram aprovados em concurso e passaram a fazer parte dos milhares de professores contratados pelo Estado. O que se quer é que os outros milhares, os que nunca entraram numa sala de aula ou os que apenas passaram por elas ou ainda os que preferem comer fel a lecionar, sempre buscando benefícios pessoais, carguinhos, encostos, que decidam suas vidas. Se quiserem, vão cumprir seus contratos. Se não, que caiam fora, dando lugar a quem quer lecionar. Porque na atual situação, o Estado não tem o número de professores necessários e não tem como contratá-los, já que as vagas estão ocupadas pela turma da ojeriza à sala de aula. Enfim, que a Gênesis faça justiça, premiando a quem tem que premiar, corrigindo os erros e fazendo uma limpeza onde tiver que limpar. Quem é contra, é claro, quer que tudo fique como está. Vamos ver no que vai dar, no final dessa história...
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