11/11/2020 às 07h18min - Atualizada em 11/11/2020 às 07h18min

Servidores se candidatam, mantêm salário e custam pelo menos R$ 46 milhões aos cofres públicos

Um levantamento feito revela que ao menos 1.593 servidores do governo federal são candidatos nestas eleições.

Esses funcionários foram obrigados a solicitar uma licença para a atividade política, que dura de três a seis meses, dependendo do cargo. Segundo o Ministério da Economia, o servidor não tem a opção de abrir mão da remuneração nesse tempo, apesar de estarem afastados do cargo.

Em apenas um mês, o salário desses servidores chega a R$ 15,5 milhões. Ou seja, considerando o tempo mínimo de licença, esse montante é de R$ 46,4 milhões.

É provável, porém, que os valores sejam ainda maiores, principalmente quando considerados os servidores do Legislativo e do Judiciário, além de funcionários públicos das esferas municipal e estadual.

Os servidores que se lançaram na política em 2020 ocupavam, principalmente, os cargos de professor, médico, policial rodoviário federal, sargento e técnico do seguro social. A maioria estava lotada nos ministérios da Saúde e da Economia, no INSS, no Comando do Exército e na Polícia Rodoviária Federal (PRF). O cargo eletivo mais buscado é o de vereador (1.320 do total).

 

Disparidade na disputa

 

O cientista político Humberto Dantas, head de educação do Centro de Liderança Pública, afirma que a remuneração paga durante a licença aos servidores pode causar distorções nas eleições, principalmente em cidades pequenas – o dinheiro é um dos fatores predominantes para o sucesso eleitoral. Dantas lembra ainda que, ao entrar de licença, o servidor deixa de cumprir as suas funções – o que pode fazer grande diferença no caso de policiais ou médicos, por exemplo.

Outro problema, aponta o cientista político, é que não houve alteração na duração mínima da licença, apesar de o tempo de campanha eleitoral ter sido reduzido de 90 para 45 dias na reforma política de 2015. A regra está em vigor desde as eleições de 2016. A lei que trata da licença para atividade política, por outro lado, é de 11 de dezembro de 1990. (G1)
 

 


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