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10 julho 2026

Golpe na Venezuela dispara ações petrolíferas dos EUA

As ações de empresas petrolíferas dos Estados Unidos registraram forte alta nesta segunda-feira (5), impulsionadas pela perspectiva de acesso às vastas reservas de petróleo da Venezuela após o golpe liderado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que resultou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O movimento refletiu a leitura do mercado de que companhias americanas poderão ampliar ou iniciar operações no país sul-americano.

Segundo a Reuters, o salto nos papéis ocorreu depois que Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam o controle da Venezuela e que empresas de energia norte-americanas teriam papel central na retomada da produção de petróleo no país. A Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas viu sua produção despencar nas últimas décadas em meio a problemas de gestão, queda de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor e sanções internacionais.

No domingo (4), Trump afirmou que conversou com “todas” as grandes petrolíferas dos Estados Unidos sobre planos de investimento na Venezuela, tanto antes quanto depois do sequestro de Maduro por forças americanas. “Eles querem entrar com muita vontade”, declarou o presidente norte-americano.

No mercado financeiro, as reações foram imediatas. As ações da Chevron — a única grande empresa dos Estados Unidos ainda presente nos campos petrolíferos venezuelanos — subiram 6,5% no pré-mercado. Já os papéis das refinadoras Marathon Petroleum, Phillips 66, Valero Energy e PBF Energy avançaram entre 4% e 11%.

Golpe de Trump na Venezuela dispara ações de petrolíferas dos EUA

Apesar da valorização das ações do setor, os preços internacionais do petróleo permaneceram praticamente estáveis. De acordo com a Reuters, a ampla oferta global continuou pressionando o mercado, mesmo diante das incertezas em torno do fluxo de petróleo venezuelano.

Trump tem associado de forma direta a ofensiva contra o governo venezuelano ao interesse nas riquezas energéticas do país. Poucas horas após a captura de Maduro, no sábado, o presidente dos Estados Unidos afirmou que companhias americanas liderariam a recuperação da produção local. “Vamos colocar nossas grandes empresas de petróleo dos EUA, as maiores do mundo, para entrar, investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura de petróleo gravemente danificada e começar a gerar dinheiro para o país”, disse.

A Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris de reservas de petróleo bruto, em sua maioria óleo pesado localizado na região do Orinoco. Ainda assim, o setor enfrenta um longo declínio, marcado por má gestão, subinvestimento e sanções impostas por Washington. No ano passado, a produção média foi de cerca de 1,1 milhão de barris por dia, aproximadamente um terço do volume registrado no auge da década de 1970.

Trump não detalhou como pretende implementar o que chamou de um renascimento liderado pelos Estados Unidos na indústria petrolífera venezuelana. O presidente venezuelano, por sua vez, sempre negou as acusações feitas por Washington de envolvimento com o narcotráfico, afirmando que elas serviriam de pretexto para ambições imperialistas sobre o petróleo do país.

No campo político e militar, o governo Trump sinalizou que pode ampliar a pressão sobre Caracas. Após a remoção de Maduro, a estratégia americana aposta em intimidar integrantes do círculo próximo ao líder venezuelano com a ameaça de novas ações militares, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O presidente afirmou que uma nova operação poderia ser lançada caso o governo interino não coopere. “Se eles não se comportarem, faremos um segundo ataque”, disse.

Trump declarou ainda que pretende obter “acesso total” dos Estados Unidos e de empresas privadas à infraestrutura petrolífera venezuelana, além de estradas e pontes em estado precário. Caso não haja colaboração, advertiu que a atual liderança poderá enfrentar consequências ainda mais duras. Para autoridades americanas, a manutenção de um forte aparato militar na costa venezuelana e a ameaça de novos ataques seriam suficientes, ao menos por ora, para forçar a cooperação sem o envio imediato de tropas terrestres.

Brasil 247

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