Na edição desta terça-feira (5), o site Rondoniagora publicou uma denúncia envolvendo o governador de Rondônia, Marcos Rocha, e membros do seu alto escalão, acusados de promover uma verdadeira “farra de diárias internacionais” custeadas com recursos públicos. De acordo com o jornal, os valores dessas viagens ao exterior estariam sendo ocultados sob a justificativa de segurança institucional, amparada por uma interpretação controversa da Lei Estadual nº 3.166, de 27 de agosto de 2013.
A lei, aprovada pela Assembleia Legislativa à época, foi criada para proteger o governador e seus familiares de ameaças à integridade física, especialmente em situações de risco. No entanto, segundo a reportagem, o governo de Marcos Rocha vem se utilizando do artigo 24 e seus incisos para classificar como “reservadas” informações relacionadas às viagens internacionais, impedindo que os dados se tornem públicos.
Mesmo diante dessa tentativa de blindagem, o Rondoniagora teve acesso à Solicitação nº 196535, protocolada na Superintendência de Gestão dos Gastos Públicos Administrativos (Sugesp) às 18h15 do dia 28 de maio de 2025. O pedido foi feito pela coordenadora administrativa do Gabinete do Governador, Maria Auxiliadora Santos Lima, e autorizado por Fabrícia Santos da Silva, chefe de Núcleo da Sugesp.
O documento revela que o governador Marcos Rocha e o secretário-chefe da Casa Militar, Valdemir Carlos de Góes, receberam diárias para uma viagem internacional a Israel, realizada em meio ao conflito armado com o Irã. Góes é apontado como um dos poucos assessores com privilégios em viagens desse tipo. A classificação como “grau reservado” impediu, até o momento, a divulgação completa dos valores e detalhes da missão oficial.
A reportagem destaca que não há transparência sobre o objetivo da viagem, tampouco sobre quais resultados concretos ela trouxe para o estado de Rondônia. O jornal ainda critica o uso recorrente de instrumentos legais para restringir o acesso a informações de interesse público, prática que estaria se intensificando na atual gestão.
A denúncia levanta questionamentos sobre a forma como os recursos públicos estão sendo utilizados e o crescente desrespeito ao princípio da transparência, previsto na Constituição e na Lei de Acesso à Informação (LAI). Até o momento, o governo de Rondônia não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
A repercussão do caso pode abrir caminho para que órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado, passem a investigar a legalidade e a finalidade das viagens internacionais realizadas pelo governador e sua equipe.
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