A operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e associação criminosa na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO) pode ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, incluindo a possibilidade de novas prisões de investigados.
A expectativa surge após a prisão do secretário-geral da Assembleia, Rogério Gago da Silva (foto), conhecido nos bastidores políticos como “Tigrão”, apontado pelas investigações como um dos homens de maior influência na estrutura administrativa da Casa. Ele foi preso em um hotel de Porto Velho durante o cumprimento de mandado expedido pelo Tribunal de Justiça de Rondônia.
Segundo informações divulgadas por um jornal de Porto Velho, a prisão de Rogério Gago teria abalado o núcleo de confiança do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alex Redano, que também figura entre os alvos da operação. O parlamentar, contudo, não foi preso.
Ainda conforme a publicação, fontes ligadas à investigação afirmam que a Polícia Federal teria realizado interceptações telefônicas e ambientais nas salas utilizadas por Rogério Gago na Secretaria-Geral da Assembleia. Caso a informação seja confirmada oficialmente, o material obtido poderá ampliar o alcance das investigações.
A reportagem do jornal afirma ainda que servidores públicos, empresários, jornalistas, familiares e até deputados estaduais que mantinham contato frequente com o secretário-geral poderão ser chamados a prestar esclarecimentos ou até mesmo se tornar alvos de novas medidas judiciais, dependendo do conteúdo das provas reunidas. Até o momento, porém, não há confirmação oficial da Polícia Federal ou do Ministério Público sobre novos mandados de prisão, e essas informações permanecem no campo das possibilidades apontadas por fontes ouvidas pela imprensa.
Esquema investigado
As investigações tiveram início em 2024, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações financeiras consideradas incompatíveis envolvendo uma empresa sediada em Manaus que mantinha contratos públicos em Rondônia.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado atuava em duas frentes principais:
- Fraudes em licitações e direcionamento de contratos públicos no município de Ariquemes;
- Desvio de recursos públicos por meio de depósitos em contas de servidores comissionados da Assembleia Legislativa, prática conhecida como “rachadinha”.
Ao todo, os investigados teriam movimentado mais de R$ 9 milhões em valores incompatíveis com a renda declarada. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados.
Operação
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nas cidades de Porto Velho, Ariquemes e Manaus, além do afastamento cautelar de 11 servidores públicos de suas funções.
A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos, rastrear o destino dos recursos públicos e apurar a eventual participação de outras pessoas no esquema.





